O Capital

– “Meus senhores o novo presidente do banco, Marc Tourneill!”
– “Estes so todos os principais accionistas. Eis os representantes do Eliseu. Eles esperam muito de si. Diga-lhes o que querem ouvir!”

– “Meus amigos, eu sou o vosso Robin dos Bosques moderno! Ns vamos continuar a tirar aos pobres para dar aos ricos!”

– “So crianas. Crianas grandes! Elas divertem-se. E vo continuar a divertir-se e divertir-se… at que a bolha rebente!”

Sempre me intrigou perceber o que leva algum que tem muito, mas mesmo MUITO dinheiro a querer mais dinheiro. Afinal, o dinheiro, a partir de certo ponto, apenas um nmero numa conta conta bancria.
Este filme (podem rev-lo nas gravaes do AXN Black, passou ontem s 18h ou numa verso integral, mas dobrada em brasileiro aqui – para quem gosta do gnero) d uma resposta possvel: para estas pessoas o dinheiro no dinheiro, “currency”; fichas e mais fichas para jogar num imenso casino. O gozo est no jogo, no naquilo que se ganha ou perde! Isto o que fazem as crianas muito, muito ricas. Aprendem a jogar desde pequeninas. E nunca mais deixam de jogar.

 

O dinheiro, eis um tema interessante que ainda gostaria de estudar em profundidade um dia. O dinheiro – como sempre foi – uma conveno. Um smbolo de algo, sem nenhum valor intrnseco. J disse noutro ponto mas repito: o dinheiro uma tecnologia de informao. O dinheiro comunica algo. Aquilo que importa no dinheiro no o dinheiro em si, mas aquilo que ele comunica!

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Paulo Portas e Pedro Passos Coelho: um instantneo.

portas

(via @poingg, empic.twitter.com/qqdt0UZFd0)

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David Icke em Bilderberg

Parece que o Facebook est a dificultar a publicao deste video. Portanto, ele aqui est…

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Isto no um convite; uma proposta indecente!

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Talvez seja um pouco tarde para Duro Barroso propor uma federao de estados europeus. Essa ideia devia ter sido proposta h vrios anos e devia ter sido sancionada pelos povos europeus, algo que eles nunca quiseram fazer. Todos sem excepo. Com os resultados que agora se vem.

Alm disso, uma federao de estados europeus – com sede “real” em Berlim, naturalmente – no seria incompatvel com o nico propsito que se consegue perceber por detrs do projecto europeu da Alemanha. A Alemanha, como qualquer potncia de mdia dimenso, est assustada com a emergncia de novos plos econmicos no mundo e decidiu que vai recuperar a competitividade econmica europeia baixando os salrios das zonas pobres do sul da Europa. Uma espcie de “uma unio, vrias economias”.

Durante alguns anos, a inteligncia econmica colectiva alem achou que podia gerir o “problema chins” fornecendo tecnologia ao gigante adormecido para que ele continuasse a operar as suas fabricas de mo-de-obra barata. Mas os chineses no so parvos – nem tm vocao para capachos – e decidiram que eram eles que mandavam. Nesse momento, a Alemanha achou que a nica alternativa era fazer dos gregos, portugueses, irlandeses, eventualmente espanhis e italianos, juntamente com alguns povos de leste, uma espcie de “chineses da Europa”. Tanto quanto se consegue perceber, esse o projecto europeu da Alemanha.

E um projecto nobre! Preservar a Europa um projecto nobre! E preservar a Europa hoje – olhe-se como se olhe – preservar a sua competitividade na economia global de mltiplos plos. isso que Alemanha quer e isso bom para a Europa. O problema que a receita escolhida pode no resultar. A crise europeia pode ser mais profunda do que parece. Pode acontecer que no seja apenas uma crise financeira e se calhar tambm no s econmica. A crise europeia pode ser civilizacional e ter chegado com meio sculo de atraso.

Primeiro que tudo, na Europa – obviamente! – no h uma crise grega, nem uma crise portuguesa, nem espanhola, irlandesa ou italiana. Por uma razo muito simples: que na realidade, na Europa, no existe uma economia grega, portuguesa, espanhola ou italiana. H apenas a economia europeia. No h muitos espaos econmicos no mundo mais integrados e unificados que o espao europeu.Quantomais no seja por causa desse detalhe fundamental que a moeda nica. A Europa est mais integrada, a muitos nveis, que a federao norte-americana, e nem sequer uma federao! Portanto, paremos a conversa quando algum falar da crise portuguesa ou da economia portuguesa. Hoje, em 2012, nenhuma dessas duas coisas existe.

A decadncia europeia

A Europa dominou o mundo durante sculos. Desde a idade media, passando pelos descobrimentos e at s duas guerras mundiais. Que diabo!, a Europa at “se exportou” para outros continentes antes de se envolver em duas guerras civis europeias sucessivas. Na altura, a Europa era podre de rica – uso a palavra “podre” propositadamente – e muito mais “integrada” do que normalmente percebemos. Por isso que se envolveu em tantas guerras fratricidas. As guerras so uma espcie de jogos florais das sociedades modernas. So tanto um luxo como os torneios medievais o eram para as sociedades de ento. Enquanto imprio expansionista, a Europa acabou algures entre a primeira e a segunda guerras mundiais. As guerras em que se envolveu – e em que envolveu o mundo – foram o seu canto do cisne.

Depois da 2 guerra mundial o mundo ficou dividido em dois blocos geopoliticos com capacidade de aniquilao mtua. E isso congelou a histria durante 50 anos (alis, houve quem confundisse o fim do congelamento da histria com o fim da histria). Nessa poca nada floresceu porque nada podia florescer fora do controlo de Washington ou de Moscovo. Havia muito pases no mundo com vontade de crescer e com a “energia vital” para o fazerem. Mas, obviamente, nenhum foi “autorizado”. Durante esses 50 anos foram os EUA que “seguraram” a Europa e os seus padres de vida. No porque gostassem dela, mas porque precisavam de a ter ali, naquele lugar, como tampo ameaa russa.

Quando o muro de Berlim caiu e os EUA ganharam a guerra fria, o mundo descongelou e a globalizao seguiu o seu curso natural. E, por “seu curso natural” entende-se isto: as naes com condies naturais (recursos) e energia colectiva (vontade) comearam a crescer – ou seja, a multiplicar a sua riqueza – mais do que qualquer velha potncia do mundo anterior bipolarizao (Alemanha, Frana, Inglaterra, EUA, etc).

A energia colectiva necessria para um povoprosperar certamente algo difcil de definir e delimitar do ponto de vista terico. Mas h um elemento que de certeza faz parte do “pacote”: uma populao jovem e ambiciosa. Isso – entre outras coisas – aquilo que existe na China, no Brasil, na ndia, na frica do Sul, at na Rssia. Mas no existe na Alemanha. E tambm no existe numa hipottica Europa federada com “trabalho barato” no sul da Europa. Dito de outro modo: podemos chamar a esta crise europeia muitas coisas – financeira, poltica, econmica, etc – mas na verdade ela civilizacional e no uma crise; a continuao de um processo de decadncia que j se tinha iniciado muito antes da Guerra Fria. A Europa est a morrer. E est a morrer porque a sua populao est velha e acomodada. No so s os portugueses, por exemplo, que esto acomodados aos benefcios sociais – entre outros – que agora lhes querem retirar. Os alemes tambm lhes esto acomodados. E os franceses, e os italianos, etc, etc.

Globalizar o humanismo!

Precisamos perceber que o “problema europeu” no uma crise financeira, econmica ou poltica, para interiorizarmos que a soluo tem que ser – se-lo- inevitavelmente – historicamente muito relevante, vasta nas suas envolvncias e consequncias, e criativa, no sentido de ser algo que quase de certeza neste momento no estamos a ver. A mim parece-me que, por complexa que seja a dita “crise”, a soluo para a decadncia histrica da Europa passa provavelmente por esta medida muito simples: abrir incondicionalmente todas as suas fronteiras!

H milhes de jovens por esse mundo fora ansiosos por construir uma vida nova e com a energia para enfrentarem os obstculos que se levantem ao seu caminho. Que raio!, h pessoas que se metem em balsas que no sabem se alguma vez chegaro a algum destino para irem procura de uma vida melhor. Isso – essa coragem, essa vontade de melhorar – exactamente o que a Europa no tem e precisa! No ser certamente a nica, mas decerto uma das condies para evitar a decadncia europeia. Por inverosmil que possa parecer, isso exactamente o que os europeus tm que perceber. E inverosmil porque, para que tal coisa fosse possvel, eranecessrio que os europeus – aqueles que c esto – tivessem a coragem histrica de aceitar os imigrantes como seus iguais. O que significa partilhar com eles os seus recursos. E talvez hoje seja a poca de testar uma soluo historicamente original como esta. Num mundoglobalizadotalvez seja hora de suprimir as diferenas e aceitar o “outro” como parte de ns. Depois da globalizao dos fluxos financeiros, do comrcio e da distribuio de matrias primas, talvez esteja na altura de globalizar o humanismo. E “globalizar o humanismo” significa no apenas exigir que os nossos congneres que se manifestam Bagdade, Teero ou Pequim tenham os mesmos direitos cvicos que ns, mas tambm aceit-los como iguais ao nosso lado, sejam eles argelinos, sudaneses, brasileiros, turcos, romenos ou de qualquer outra provenincia.

Talvez esta seja a oportunidade histrica de a Europa voltar a ser vanguardista. Para isso, preciso preencher muitas condies, mas a primeira delas que os europeus consigam ser menos mesquinhos do que foram h uns anos quando outros polticos europeus antes de Barroso falavam de uma hipottica federao europeia…

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Hoje a Grcia enfrenta um momento histrico em que tem que decidir o seu futuro. Mas, bem vistas as coisas, isso pode ser apenas um detalhe – facilmente ultrapassvel – no quadro geral das coisas. Como alis tem acontecido desde sempre, na Europa, com todas as “manifestaes de vontade” nacionais.

Desde o incio desta crise sempre me perguntei porque razo a Alemanha recusava to terminantemente desvalorizar a moeda europeia e as razes histricas sempre me pareceram insuficientes para o explicar. Por outro lado, no plausvel que o governo alemo aja por critrios no racionais. Muito pelo contrrio: talvez seja difcil de os encontrar ou de os perceber, mas DE CERTEZA de h motivos racionais para a poltica europeia da Alemanha.

H algumas semanas li um artigo de opinio num grande jornal europeu – no me lembro de quem nem em que jornal, sorry! – que dizia mais ou menos isto: a razo pela qual a Alemanha querimpormedidas de austeridade nos pases do sul para forar a reduo de salrios nesses pases e dessa forma aumentar a competitividade do espao econmico europeu face aos pases emergentes. Uma espcie de – no “um pas, dois sistemas” – mas sim “uma unio, vrias economias”. Ou, se quisermos, uma Europa a vrias velocidades. Claro que se pode dizer que isso no possvel porque no h fronteiras financeiras – a moeda a mesma e portanto a tendncia para o nivelamento de preos e salrios inevitvel – ou porque no h fronteiras demogrficas – as pessoas podem migrar de um pas para outro. Mas, mais uma vez, isso so apenas detalhes, que se resolvem quando e se o problema surgir. Vincular um pas a um plano da austeridade que o obriga a pagar regularmente uma dvida monstruosa num prazo de 10 ou 15 anos garantir que durante esse tempo esse pas – a comunidade eleitoral – ter que aceitar politicamente um quadro de excepo com salrios mais baixos. esse o “frame of mind” actualmente vigente em Portugal. No o , obviamente, na Grcia. Manter um pas dentro da unio poltica mas fora da unio monetria – que o que a Europa vai fazer com a Grcia – uma “pequena-grande” variante desta estratgia.

Esta parece-me de longe a melhor explicao at hoje para o comportamento aparentemente estranho da Alemanha no quadro europeu. Mas apenas uma parte da explicao.

Se h coisa que os alemes sabem que os pases emergentes esto e vo continuar a crescer muito acima mdiaeuropeiae que isso prejudica a competitividade alem. Tradicionalmente, repunha-se a competitividade de um pas atravs da desvalorizao da sua moeda, que no mais do que uma forma de reduzir todos os custos de produo, incluindo os salrios. Acontece que, no quadro europeu, isso afectaria tambm os salrios dos trabalhadores alemes. Com os planos de austeridade desenhados para os pases do sul da Europa (que, parecendo diferentes so no essencial a mesma coisa: como reduzir massivamente os salrios tentando manter a moeda nica) a Alemanha procura preservar a competitividade alem (e europeia!) sem afectar os seus prprios salrios.

Mas – e esta para mim a questo mais interessante – embora parea uma manobra de ataque s economias do sul, esta na verdade uma manobra de defesa por parte da Alemanha! Primeiro, uma manobra de defesa dos salrios dos alemes. E, depois, uma manobra de defesa da integridade da prpria Alemanha. Ou seja, a Alemanha est rasca e a sua obsesso com os planos de austeridade dos pases do suldemonstra-o claramente.

Todos ns suspeitamos o que que aconteceria se a crise (ou seja, reduo de salrios) chegasse Alemanha nos mesmos termos em que chegou Grcia ou est a chegar a Portugal. Penso que os prprios alemes tm medo disso. Alis, devemos meditar se o que preservou a democracia e a a paz na Europa foi mesmo a unio econmica entre os vriospases, como tantas vezes repetido, ou foi afinal o perodo longo de prosperidade que ela permitiu e cujafacturaagora pagamos. Os cnicos diro que sempre assim: a paz e a democracia no emergem por si e so sempre fruto da prosperidade. E vice-versa, naturalmente!

disso que os alemes tm medo! E os outros povos tambm!

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Eu no vou!

Mas afinal o que que eu tenho contra o Rock in Rio? Bem, na verdade so pelo menos 3 coisas:

1. O Rock in Rio no um festival de msica. um festival de patrocinadores. Tudo aquilo existe para servir os fins comerciais a que se prope. No tem nada a ver com objectivos artsticos. Eu at aceito que os patrocinadores se associem a um evento musical; o que no aceito que a msica se associe a um evento de patrocinadores. E isso… o Rock in Rio! O Rock in Rio um evento no qual a msica importa menos do que o marketing. E isso uma boa razo para no gostar do Rock in Rio.

2. O cartaz do Rock in Rio prejudicial msica. Por cada Bryan Adams que 70 mil pessoas ouvem h pelo 10 novos artistas que no encontram o seu pblico. Se em vez que programar o Bryan Adams para 70 mil espectadores a organizao programasse Bon Iver numa pequena tenda para 5 mil pessoas, isso seria melhor para as pessoas e melhor para a msica. Pelas mesmas duas razes: porque Bryan Adams est esgotado e Justin Vernon est no peek da sua criatividade msical. Eu daria tudo para ter visto os U2 em Vilar de Mouros em 82, quando transpiravam toda a energia de “Boy” ou “I will follow”; mas no daria nada para os ver em Coimbra, com pouca msica, mas uma espectacular parafernlia de luzes, gruas e guindastes que se destina afinal a esconder precisamente a falta do essencial. Tal como no Rock in Rio. Isso altamente prejudicial ao que realmente importa: a msica. E essa outra boa razo para no gostar do Rock in Rio!

3. O Rock in Rio abusa dos artistas que nele participam. Por interpostas pessoas: as que l vo! claro que eu gosto de “Supersticion” ou “Master Blaster Jammin'”! Como poderia no gostar?! Mas, tal como Bryan Adams ou Bruce Springsteen, h muito que Stevie Wonder esgotou a sua criatividade musical. Porque mesmo assim: no se programa e no se controla; ou sai, ou no sai! H quem diga que dentro de ns temos apenas um livro. Porque raio da razo que haveramos de ter mais do que 2 ou 3 discos? H muitos novos artistas cheios de energia criativa: esses que devamos estar a ouvir. Mas afinal porque que isso um abuso em relao a Stevie Wonder, Bruce Springsteen ou Bryan Adams? Qualquer deles preferia estar com os netos ou a jogar golfe com os amigos. Em vez disso, vo ter que tocar, pela nonagsima milsima vez aquelas canes que j nem conseguem ouvir. Entre uma ou duas vezes em cada concerto e 5 a 10 vezes em ensaio, conseguem imaginar quantas vezes que Stevie Wonder j tocou e cantou “I just called to say I love you”? No ser um abuso pedir-lhe que o faa outra vez? E ficar “ofendido” – como j tem acontecido… – se no o fizer? Claro que Stevie Wonder no foi obrigado a vir actuar Zona J. Mas veio porque a organizao conseguiu montar um evento de marketing to poderoso que lhe consegue pagar um cachet “irrecusvel”. E consegue-o fazer, porque os 70 mil que l vo pagam bilhete ou compram telemvel ou abrem contas no banco. isso que “obriga” os artistas – alguns deles pelo menos – a fazerem algo que na verdade no teriam muita vontade de fazer. Isso um abuso e portanto mais uma razo para no gostar do Rock in Rio.

por estas razes – nem mais nem menos – que eu no gosto do Rock in Rio. E, obviamente por isso que… Eu no vou!

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A propsito da crise grega, voltei a ouvir uma expresso que j no ouvia h anos: “a esquerda democrtica”.O tempo outro e o contexto certamente diferente, mas a expresso – curiosamente – a mesma.

Lembro-me bem de qual era o sentido com que era usada h 20 ou 30 anos em Portugal. Falava-se da “esquerda democrtica” por oposio a uma esquerda que implicitamente (implicitamente na expresso e explicitamente no discurso) se considerava “no democrtica”. Claro que sempre me fez confuso a forma como esse “ns-vs.-eles” impunha uma definio de democracia. Como se esta fosse uma palavra monossmica, quando na realidade uma da palavras mais polissmicas que existe. Isso sempre me pareceu injusto e intelectualmente abusivo, mesmo quando a acepo de “democracia” era aquela com que eu concordava. No h uma “democracia”; h vrios tipos de “democracia” porque h muitas acepes diferentes da palavra “democracia”.

Curiosamente, a expresso “esquerda democrtica” quase desapareceu do discurso poltico durante os ltimos 15 a 20 anos. De certa forma porque o discurso poltico em Portugal interiorizou que os partidos esquerda do PS , do PCP “para l”, no contavam para aquilo que muitas vezes se chamava “o arco da governao” (queinclua, naturalmente, a tal “esquerda democrtica”). De certa forma gerou-se um consenso, a que os prprios certamente chamariam “consenso democrtico” (l est!), sobre omodelode sociedade que estava a ser construdo e no qual as regras do “jogo democrtico” (algumas regras formais mas muitas informais) desempenhavam um papel conciliador e unificador.Durante anos discutimos a poltica dentro do contexto desse consenso e raramente saindo dele.

Por isso que torna irnico que a expresso regresse agora a propsito da situao na Grcia e das aritmticas eleitorais dela resultantes. J ouvi a expresso “esquerda democrtica” em notcias , comentrios e anlises. Ainda no percebi muito bem quais so os partidos da esquerda grega que esto dentro ou fora da chamada “esquerda democrtica”. Mas j deu para perceber que, subitamente, a esquerda “no democrtica” (o que quer que seja que isso significa; um vocbulo pelo menos to polissmico como o seu oposto…) ou pode ser maioritria. Ou pelo menos to numerosa ao ponto de impedir o tal consenso que aparentemente vigorava l como c. E isso uma situao nova. De repente o consenso dentro do qual a sociedade poltica grega evoluiu nas ltimas dcadas quebrou-se ao ponto de voltar a ser necessrio usar a dicotomia “esquerda democrtica”/”no democrtica”.

E isso, em si mesmo, pode ser um indicador muito interessante. Pode significar – apenas uma hiptese! – que o arco temporal que medeia entre esse tempo e o que hoje vivemos se fechou. E que o processo de construo social que ento se iniciou, com participao de todas as foras polticas (no apenas partidos…) da “rea democrtica”, falhou! Falhou, ao ponto de voltar a ser necessrio contar com foras consideradas “no democrticas” e portanto no passveis de consensos.

Deste ponto de vista, Grcia e Portugal (como de resto outros pases daperiferiaeuropeia) tm percursos histricos muito semelhantes. E o que isto pode significar, no fundo, que o movimento histrico profundo de aproximao ao norte da Europa (por aglutinao) ter falhado para os dois pases (e outros em situao semelhante). E que o sonho de uma Europa homognea terrudodefinitivamente. E isso uma m notcia. Porque uma Europa desunida uma Europa mais fraca. Hoje ainda e muito mais do que h 50 anos atrs.

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We need to talk about Kevin

We need to talk about Kevin“, da inglesa Lynne Ramsay, um filme complexo sobre coisas complexas.

Se gostam de narrativas lineares, com princpio, meio e fim, no vo ver este filme.

Mas se, pelo contrrio, gostam de histrias complexas, com personagens fortes, ento no deixem de ver! Tilda Swinton no a personagem central deste filme; Tilda Swinton o filme! Toda a narrattiva vista pela mente complexa de uma me com complexo de culpa. E corre medida desordenada e aparentemente desconexa das memrias. Da a complexidade. O filme passa-se dentro da mente de uma me perturbada; e precisamente a que ns o vemos.

No sei qual a estrutura do romance, mas o filme tem essa complexidade adicional a juntar da prpria temtica e da prpria histria. E – claro – Tilda Swinton simplesmente brilhante.

Vo ver. Mas no esperem sair de l mais esclarecidos do que entraram.

 

[ADENDA]

Faltou dizer uma coisa importante.

Na minha opinio este filme s tem um erro grave: a realizadora no resiste a tentar pr um fim numa narrativa que no tem fim, nem meio, nem principio. Devamos sar de dentro da mente da protagonista da mesma forma que entrmos: sorrateiramente e sem aviso prvio. Aquela pergunta bsica – “Porqu?” – era desnecessria e ftil.

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“Povo sem medo do mar no tem medo de lutar”

A frase – de autor desconhecido -serviu a um dos cartazes de apoio recente greve geral de 1 de Maio. A construo grfica muito feliz: veicula uma ideia clara, com muito “lastro” histrico e um apelo claro aco.

E, de facto, quando pensamos na aventura martima de 1500, no podemos deixar de nos assombrar com a aparente coragem com que os navegadores portugueses de ento se lanavam rumo ao desconhecido, no em sentido figurado mas literalmente real. primeira vista pareceria haver aqui um fundo de coragem nacional a que o cartaz apela para resolver os problemas do presente. Mas esse pode ser, afinal um dos grades erros de percepo da nossa prpria histria.

A reflexo resultou – curiosamente! – da polmica sobre essa “espcie cultural em vias de extino” que so as touradas e da anlise das semelhanas e diferenas entre a Festa Brava em Portugal e em Espanha. Recordo-me que, ainda na faculdade, e inspirados pelo trabalho do professor Jorge Dias (e dos seus “Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa“) fizemos um trabalho sobre touradas em que entrevistmos, entre outros, o matador Diamantino Vizeu.

Obviamente falmos sobre as caractersticas do toureio a p espanhol face ao toureio a cavalo portugus. A determinado ponto da conversa eu disse qualquer coisa como: “sim, mas os forcados, por exemplo, revelam uma enorme coragem ao enfrentarem o touro como o fazem!

Coragem nenhuma!” – retorquiu ele – “Eles so completamente loucos! E isso no coragem, porque a coragem implica a conscincia perfeita do perigo que se corre!” Referia-se, obviamente, ao toureio a p, em que o toureiro domina o touro ao seu nvel, quase olhando-o olhos nos olhos, em pontas, um-para-um.

Esta ideia anda comigo desde ento e volta-no-volta emerge a propsito deste ou daquele assunto. Agora foi a propsito da crise e da nossa atitude colectiva perante ela.

Alis curioso notar as caractersticas peculiares do toureio portugus – com nobres cavaleiros dominando a “festa” do alto da sua montada e os pobres “moos de forcados”, assim so adequadamente chamados, autorizados a dar uma volta com o “nobre” quando a coisa corre bem – por oposio ao toureio espanhol, com os nobres l em baixo a lutarem pela vida e a dominarem a besta. toda uma parbola que parece reflectir a histria de ambos os pases e tambm – aqui que eu quero chegar – as suas diferentes atitudes perante a encruzilhada histrica em que ambos se encontram.

Ou seja: bem possvel que a to famosa coragem portuguesa – aquela que nos levou a embarcar em 1500 e ainda nos leva a enfrentar uma besta de 500 quilos – no seja afinal mais do que inocente inconscincia. E que os nossos nobres, na vida como na tourada, se mantenham higienicamente distantes de maneira a no sujarem os seus punhos de renda.

O cartaz era bom. Mas se calhar partiu de uma premissa completamente errada. Isso , pelo menos, aquilo que a realidade vai dizendo…

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Camilo Loureno um jornalista inteligente. inteligente quando fala de economia, mas tambm inteligente quando fala de poltica. A inteligncia continua l; o que muda s o tema em que ela se expressa.

Na sua crnica de hoje no Negcios Online introduz o interessante conceito da (necessidade da) “modernizao ideolgica do PS”. A tese que o PS continua agarrado ao passado, em parte por causa do seu fundador, e por isso no se moderniza nem aceita alternativas a “um modelo obsoleto de economia e sociedade que est a condicionar o futuro do pas”.

Eu perguntei ao Camilo Loureno o que seria afinal a “modernizao ideolgica do PS”, mas ele ainda no respondeu. Fiquei genuinamente curioso. No deve ser a histria de “pr o socialismo na gaveta”, pois, ao que parece, isso j foi feito. Deve portanto ser outra coisa. Ser a defesa do liberalismo? Ser o fim do Estado Social?

Obviamente, a simples ideia de que o PS precisa de se modernizar ideologicamente em si mesma reveladora de uma agenda liberal (e ideolgica) que no nos surpreende no Camilo, mesmo quando apreciamos a sua inteligncia. Acontece que (pelo menos vista da esquerda…) a realidade no cola com esta anlise. Hoje mais lcito afirmar que a direita precisa de desconstruir o mito liberal do que dizer que a esquerda precisa de se modernizar. bom no esquecer que esta crise comeou precisamente no corao do novo liberalismo e por causa dele. verdade que, por paradoxal que possa parecer, desse facto ainda no se tirou as devidas ilaes no campo das ideias. Mas isso no muda o facto em si: a presente vertigem econmica foi despoletada pela imploso de Wall Street e do seu liberalismo. E portanto resolver-se- com menos liberalismo e no com mais. Apontar o liberalismo como o caminho a seguir ignorar os ltimos 10 anos.

Mas no s. No apenas o futuro apontado pelos liberais no serve, como o passado que eles pintam tambm no corresponde realidade. E, desse ponto de vista, esta crnica de Camilo Loureno tambm emblemtica. Diz ele que o nosso “modelo obsoleto de economia e de sociedade est a condicionar o futuro do pas”, como se o Estado Social fosse o responsvel pela nossa penria. At pode ser responsvel pelo nosso dfice, mas uma simplificao redutora afirmar que estamos como estamos porque o Estado gasta “o que tem… e o que no tem”. O Estado no umamerceariae a contabilidade um bocadinho mais complexa do que isso (o que o dinheiro seno uma conveno? J pensaram nisso?). E, alm disso, Portugal um actor muito pequenino no tabuleiro geo-estratgico em que a economia global tambm se manifesta. O nosso dfice apenas uma parte infinitesimal da diferena de crescimento anual de PIB entre os EUA e a China, por exemplo. E isso, por si s, explica melhor a situao em que estamos do que os desvarios do Estado portugus ou os custos do modelo social europeu.

bvio que as nossas sociedades esto a passar por transformaes profundas a vrios nveis. Mesmo que as coisas no estejam ligadas – e podem estar! – o que acontece em Pequim, no Rio de Janeiro, na Sria, em Atenas ou no Occupy Wall Street tem consequncias em todo o mundo. E so, de momento, imprevisveis. Por isso que no faz sentido propor um discurso liberal com 10 anos! O Partido Socialista – qualquer partido socialista (ou qualquer partido, j agora!) – ter que se repensar a muitos nveis, incluindo provavelmente ao nvel ideolgico. Mas no no sentido em que se dizia que o tinha que fazer antes de tudo o que aconteceu nos ltimos 10 anos. O mundo mudou muito entretanto e, se h certeza que eu tenho, que vai mudar muito mais!

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Hoje, uma discusso interessantedesembocou- mais uma vez – nesta ideia: vamos ter que voltar atrs vrias dcadas! uma ideia recorrentemente repetida, mas errada.

Entendamo-nos: no h retrocessos histricos! No h um nico perodo da histria universal que seja claramente um retrocesso. Mesmo aquilo que nos parea um retrocesso, no na realidade um retrocesso; apenas “nos parece” um retrocesso. E a histria tambm no se repete; apenas “nos parece” que se repete. Mas da nossa percepo; no da realidade.

O que h vrios futuros possveis. E todos eles – todos! – so uma escolha. Mesmo aqueles que nos parecem impostos ou inevitveis. Mesmo que seja por omisso.

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Faltam 122 dias!

Faltam 122 dias

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Isto no se faz!

Um partido poltico pode prometer coisas que no capaz de cumprir, pode colocar os seus interesses acima do interesse pblico, pode usar os poderes para pressionar os seus adversrios e at pode desvirtuar as escolhas democrticas atravs de informao selectiva.

Mas que no pode torpedear a dana das cadeiras que mantm o circuito a funcionar. Faz-lo mexer com o essencial; aquela plataforma mnima que torna possvel a “s” convivncia poltica.

Est o caldinho entornado!

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J passou algum tempo, mas o caso ainda merece reparo.

Para comemorar os seus 24 anos de existncia, a TSF convidou Cavaco Silva para uma entrevista de actualidade. Tratando-se da primeira grande entrevista de Cavaco depois do caso da Antnio Arroio e das polmicas declaraes sobre a reforma, seria de esperar que ambos os assuntos fossem abordados. Mas no. Em nenhum ponto da entrevista qualquer dos temas abordado.

Obviamente podemos especular sobre uma de duas situaes. Ou a entrevista j estava marcada e os assessores do presidente trataram de esclarecer previamente que o assunto no seria abordado. Ou a entrevista foi marcada depois dos factos e na condio de o tema no fazer parte do alinhamento. A terceira hiptese – de o jornalista terem optado por no perguntar ou se ter esquecido de o fazer – absolutamente descabida.

Ora, o mundo dos media est a mudar muito depressa e – nesse quadro – como muitas vezes repete Jeff Jarvis, “a transparncia a nova objectividade”. Neste caso, a transparncia muito… opaca. Seria interessante a TSF esclarecer porque razo no perguntou a Cavaco o que deveria ter perguntado. Mesmo que no o perguntar tivesse sido uma condio prvia para a entrevista.

Olhando para a tendncia longa da evoluo dos media – e sobretudo para a democratizao do acesso que a internet proporciona – so coisas como esta que “matam” os media tradicionais. A TSF deu apenas mais um passo no sentido da sua prpria descredibilizao.

Digo eu, que ainda sou do tempo em que o slogan da TSF era qualquer coisa como: “No guardamos informao na gaveta!” Parabns TSF!

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Como medir audincias?

Recentemente, a CAEM “inventou” um sistema de medio de audinciasde televiso para contornar o “zapping” e continuar a “contar” pblico mesmo quando as pessoas abandonam a sala.

E, de repente, ficou toda a gente escandalizada porque o sistema registava televisores ligados durante 24 horas (obviamente com “audincia” integral), pessoal que via a SportTv sem ter cabo e uma percentagem no negligencivel de jogos, gravaes e canais espanhis. Enfim, uma srie de coisas muito indesejveis para o sector.

Como as hierarquias de audincias mudaram, obviamente tambm houve reaces dos que foram prejudicados e um monte de notcias e comentrios sobre o assunto que cheiram mesmo a campanha de interesses. Afinal, este um negcio que vale muito dinheiro. Ainda vale muito dinheiro.

Mas, seja com a GFK, seja com a Marktest, a CAEM em breve chegar a um equilbrio tcnico que permita satisfazer todos os “operadores”, provavelmente com algumas televises ligadas “quase” 24 horas, sem canais espanhis e com cabo s para quem o paga. E nessa altura estar tudo bem. Ser uma soluo de compromisso que permitir a todos usar os argumentos de que precisam. Entretanto a realidade continuar a ter gente que tem a TV ligada 24 horas por dia, pessoal que v o cabo sem pagar e canais espanhis.

assim sempre que sector de negcio se retrata a si prprio. Retrata-se no como , mas como gostaria que fosse.

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Eu acho que…

… a Julianna Barwick se devia casar com o Peter Broderick!

E deviam ter muitos filhos.

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A polmica tomou de assalto a internet desde que a Google anunciou para Maro a alterao das suas politicas da privacidade. De repente, no se fala de outra coisa nos podcasts que costumo seguir – as ltimas edies do This Week in Google e do Gillmor Gang so disso exemplo – e nos blogues de referncia.

Em geral, a discusso acaba sempre com a pergunta: ser que a Google se tornou malfica? O que no uma maneira l muito correcta de colocar a questo. Primeiro porque os conceitos de Bem e de Mal no se aplicam necessariamente (ou pelo menos no da mesma forma) aos negcios e s empresas. E depois porque – parece-me – por detrs deste movimento da Google, h uma reflexo mais profunda e importante que preciso fazer.

Em primeiro lugar, convm perceber porque que a Google decidiu unificar todas as polticas de privacidade dos seus variados produtos, permitindo assim gerar sinergias entre eles. Na minha opinio, a Google est assustada -muito assustada – com o sucesso do Facebook. Porque no o esperava. bvio que o modelo publicitrio associado pesquisa parecia partida mais eficaz do que o mesmo modelo associado a uma rede social. Porque quem usa a pesquisa procura algo – e portanto a publicidade altamente relevante – e quem se diverte numa rede social no procura seno estar com os amigos. So dois contextos muito diferentes e – parecia – com um potencial comercial muito dspar. Por isso que a Google no se preocupou muito – de certa forma at desdenhou – os primeiros tempos de crescimento do Facebook. As primeiras redes sociais da Google (o Buzz, o Wave) pareciam mais instrumentos de trabalho do que de lazer.

Acontece que – com a chegada das marcas ao Facebook – Mark Zuckerberg criou um ecossistema comercial altamente atractivo quando combinado com os seus agora mais de 800 milhes de utilizadores (845 milhes, anunciado hoje). E de repente a Google percebeu que aquela conversa fiada do social pr’aqui e dos social pr’ali afinal… no era conversa fiada. E nesse momento o Google+ j estava demasiado atrasado em relao ao Facebook para poder ser “a” plataforma social tal como o You Tube “a” plataforma de videos ou o Google Search “o” motor de busca. Alis, o atraso da Google no lanamento do Google+ bem a imagem das suas hesitaes nesta matria.

Por isso, o que a Google pretende agora utilizar o nico trunfo que – olhando para a mo – lhe parece ainda ter: o potencial de integrao do Google+ com os seus restantes servios e sobretudo com a fora do Google Search. No uma atitude de ataque; uma atitude de defesa. A Google no quer conquistar algo; quer no perder o que tem. E, por isso, vai favorecer os seus produtos na integrao com o G+ e o Search. Tal como faria qualquer outra empresa na mesma situao.

Ser que – tornando-se menos “neutra” – a pesquisa do Google se vai tornar menos “inteligente”? uma boa questo. E suspeito que pens-lo foi precisamente o erro da Google. De certa forma, todos os produtos da Google – dentro do esprito do motor de busca original – so manifestaes de “inteligncia”, ao contrrio de uma rede social, que (ou era vista), de certa maneira, como uma “coisa menor”. Se aplicarmos ao desenvolvimento das tecnologias de informao este quadro de anlise – mais informao na rede e mais gesto dessa informao mais inteligncia colectiva – ento podemos ter uma de duas opinies: ou consideramos que o “social” fica fora desse quadro de anlise (que foi o que pensaram os tipos da Google); ou achamos que a “inteligncia social” de um programa como o Facebook tambm uma forma de inteligncia (que foi o que percebeu – se que percebeu! – Mark Zuckerberg). O Facebook lembra-me quando que os meus amigos fazem anos, diz-me que livros esto a ler, que filmes foram ver, como esto os filhos, etc. E isso , provavelmente, muito mais importante do que saber que figuras histricas nasceram nesta data e quais os livros mais vendidos ou os filmes mais vistos. Porque ns somos sociais antes de sermos racionais. Na verdade – pensado no paradoxo da galinha e do ovo – de certa maneira j ramos sociais antes de sermos racionais.

Mas h outro aspecto – completamente separado deste – em que este alvoroo em torno da Google suscita reflexes interessantes. Que este: para mim sempre muito curioso ver a agressividade com que estas empresas – Google, Facebook, Twitter – procuram manter ou conquistar territrios negociais. Como se no soubessem muito bem o que que na realidade fazem ou estaro a fazer daqui a 5 anos. E na verdade isso mesmo que acontece. A Google utilizada universalmente, o Facebook tem mais de 800 milhes de utilizadores e o Twitter est presente em todos os continentes e em todas as latitudes. No entanto, nenhuma as 3 empresas parece ter um modelo de negcio seguro (na verdade, o Twitter ainda est procura dele). O Facebook, por exemplo, s hoje entrou em bolsa. E todas as valorizaes incrementais que ao longo dos ltimos anos lhe foram sendo atribudas no eram mais afinal do que “expectativas de valor”, tal como, de certa forma, ainda so hoje, mesmo com a cotao em bolsa. Ou seja: percebe-se que qualquer destas empresas tem um potencial enorme, mas percebe-se pior qual realmente o seu negcio do dia-a-dia, por comparao com essa expectativa. Mesmo no caso da Google. Claro que a Google faz milhes em publicidade, mas faz esses milhes com bilies de utilizadores e trilies de utilizaes. Como sabe bem quem explora um media tradicional e o respectivo website, ganha-se mais dinheiro por cada “eyeball” no papel, por exemplo, do que com 100 na web. O que isso significa que s a escala salva a Google (e o Facebook, que tem o mesmo modelo de negcio). Se no fosse a escala enorme em que estas empresas se movimentam – Google, Facebook, Twitter, etc – qualquer delas seria um insucesso econmico. Porque que no h concorrentes (reais) da Google ou do Facebook ou do Twitter? J pensaram? por isso mesmo: porque concorrentes mais pequenos no tm escala para serem rentveis! Para termos uma noo da situao basta imaginarmos o que seria uma BP ou um Wal-Mart com mais de 800 milhes de clientes! esta a escala a que operam estes gigantes com ps de barro!

Por isso um erro dizer que estas empresas esto a mudar o modelo de negcio. Wrong! Elas esto a “pulverizar” o modelo de negcio! Isso sim! Como alis os media tradicionais sabem muito bem. bvio que elas esto a “desregular” algo, mas no claro que estejam a “regular” o que quer que seja! Provavelmente ainda iremos descobrir que no futuro os negcios estaro organizados de uma maneira muito diferente. Ou at que no haver negcios, apenas servios sem fins lucrativos! No sabemos como ser o futuro. Mas sabemos que provavelmente no isto que hoje temos: um gigante em cada sector, com uma escala enormssima e uma rentabilidade minscula.

O que parece – hoje – que estes gigantes – Google, Facebook, Twitter — so mais plataformas do que empresas; so mais um servio pblico do que um negcio. E por isso – s por isso! – que esperamos que elas estejam do lado do Bem e no do lado do Mal! E por isso que tantas vezes nos incomodamos e revoltamos com os seus “termos de servio” e as suas “polticas de privacidade”. Algum alguma vez procurou saber quais so os Termos de Servio e a Poltica de Privacidade do Pingo Doce?

Isto est mesmo a mudar. Muito e depressa. No sabemos para onde!

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Ser Benfica

No me surpreendem as declaraes de Djal acerca da “grandeza” do Benfica. Nos dias que correm, todo o jogador contratado para a Luz tem que dizer 2 ou 3 frases bombsticas para sarem os jornais. At os jogadores- com o seu crebro pequenino – percebem isso facilmente. O que interessante reflectir no que isso diz acerca dos adeptos! Isso que interessante!

No Benfica h dois tipos de adeptos: os parolos, que acreditam; e os chicos-espertos, que sabem que eles acreditam! Uns e outros so tpicos do clube mais sul-americano de Portugal. Sem ofensa.

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Repsol Olaias

s para avisar que, na Repsol Olaias, a lavagem normal… no inclui detergente!

Se quiserem “lavar” o carro melhor irem a outro lado. Ou ento comprarem uma lavagem premium, que, entre outros luxos, inclui detergente.

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