Mark Zuckerberg

Em Setembro de 2017, na semana anterior às eleições gerais na Alemanha, Mark Zucjkerberg fez um “live” no Facebook para explicar em detalhe o que estava a ser feito internamente para combater as chamadas “fake news”. Um trecho que passou despercebido à maioria das pessoas no seu longo discurso, mas que tanto Helen Lewis como Julia Lefkowitz  prontamente apontaram foi esta frase ao mesmo tempo irónica e assustadora: “Temos estado a trabalhar para garantir a integridade das eleições alemãs do próximo fim de semana.” O que é irónico é o facto de estarmos perante um executivo de uma multinacional de Menlo Park, California, a dizer que pretende assegurar a integridade das eleições num país estrangeiro. O que é assustador é que ele está a falar a sério!

Esta frase ilustra na perfeição tudo o que está errado no estado atual da relação entre estas novas poderás plataformas de informação da era digital e os tradicionais poderes reguladores dos países e da sociedade. Sejamos claros: o Facebook PRECISA urgentemente de ser regulado; mas a verdade é que NÃO PODE ser regulado pelos métodos tradicionais. Claro que haverá sempre alguém que possa dizer que devíamos voltar à era analógica e abandonar de todo o digital ou que, como outros monopólios nos passado, o Facebook devia simplesmente ser decomposto em empresas mais pequenas para aumentar a competitividade. Mas isso, claro, não passa de fantasias! O problema é que, se olharmos para o conjunto de notícias e artigos de opinião que têm vindo a circular a propósito da regulação do Facebook, reparamos que a maior parte deles apontam precisamente nesse sentido. E isso denunciam uma incapacidade quase generalizada de perceber até que ponto o Facebook é algo diferente de tudo o que conhecemos no passado. Eu acredito que primeiro precisamos entender realmente aquilo em que o Facebook é diferente para podermos sequer começar a pensar em como o devemos regular. A seguir explico porquê.

Há pelo menos quatro coisas fundamentais que hoje em dia já são perfeitamente claras sobre o Facebook e que precisamos integrar no nosso debate sobre como ele pode e deve ser regulado (coisa que raramente acontece).

1. O Facebook é uma plataforma. Ele existe para que outros agentes possam usá-lo para fazer determinadas coisas, quer seja partilhar as fotos dos seus gatos, propagar o conhecimento ou espalhar “fake news” acerca de alguma coisa. Tal como acontece numa plataforma de caminhos de ferro ou numa praça pública, cada agente é responsável pelos seus atos, dentro das limitações e constrangimentos da plataforma. Claro que esses constrangimentos influenciam aquilo que cada agente pode ou não pode fazer na plataforma, mas não o determinam. Essa é uma prerrogativo dos próprios agentes. Se nós atribuirmos ao Facebook o direito – ou, pior ainda, a missão – de permitir ou proibir determinados tipos de conteúdo, na prática o que estamos a fazer é a transferir a nossa própria agência no processo para uma entidade externa que não controlamos. Uso a palavra “agente” propositadamente: o “agente” tanto pode ser um indivíduo como um grupo ou uma fação. Quando celebramos as tecnologias digitais porque elas tornam mais fácil aos indivíduos e aos grupos ter uma voz ativa, estamos a incluir tanto os seus usos positivos como os seus usos negativos. Eu, por exemplo, sempre tive um posicionamento político mais à esquerda e sigo várias páginas grupos de Facebook associados à esquerda política em Portugal. Algumas delas poderão até ser o equivalente nacional (e esquerdista) do site norte-americano Breibart, frequentemente associado às “fake news” pro-Trump. Mas eu sei disso e integro esse elemento valorativo nas minhas escolhas informativas. Eu sei aquilo em que posso ou não posso confiar e sei como verificar se uma informação ou uma perspetiva é verdadeira ou fundamentada quando tenho dúvidas. Se permitirmos que seja o Facebook a decidir se determinados agentes ou os seus conteúdos são permitidos na plataforma, temos que possa vir a perder essas visões de esquerda, alguma delas radicais. Tal qual como acontece com um norte-americano de direita a propósito do Breitbart, por exemplo.

Infogram by Vanessa Otero.

Infogram by Vanessa Otero.

 

2. O Facebook é uma rede. Num sistema de distribuição de informação linear, nós podemos exercer regulação e controlo num qualquer ponto específico desse linear. No mundo dos mass media, a maior parte da regulação e controlo é exercida sobre os próprios media, ao nível do código de ética dos jornalistas, da lei da imprensa ou da televisão e até da lei da publicidade. Todas essas instâncias de regulação estão ausentes num sistema de distribuição de informação em rede, que estejamos a falar o Facebook especificamente ou da World Wide Web em geral. É verdade que atualmente o Facebook é quase tão grande como a própria internet. E isso devia preocupar-nos! Mas a verdade é que ainda não o é! Ainda continuam a existir nós da rede que estão fora do Facebook, assim como fluxos de informação entre eles.  Isso que significa que regular o Facebook, seja de forma for, seria ineficaz para qualquer coisa que aconteça fora do Facebook. Além de que, para o próprio Facebook – e de resto para qualquer outra plataforma de distribuição de informação –  ser objecto de regulação num quadro em que outras plataformas concorrentes não o são, seria naturalmente uma desvantagem competitiva a considerar. Ou seja, nós não podemos regular o Facebook – assim como as outras plataforma em rede – da mesma forma que regulávamos os mass media e o seu fluxo de informação linear.  Vivemos num novo paradigma de informação e comunicação e não podemos ignorar esse facto quando pensamos e debatemos novas formas de regular o Facebook e as restantes plataformas de distribuição de informação que funcionam na sociedade em rede.

regulação

desregulacao3. O Facebook opera em escala (global). Nós temos tendência a olhar para o Facebook (e para as restantes plataformas) numa perspetiva nacional, esquecendo que a rede é global e a plataforma é a mesma em todos os países. As formas e os valores segundo os quais um país poderia querer regular o Facebook são necessariamente diferentes do que seria propostos por outro país. Porque cada país tem os seus valores sociais, o seu sistema económico e, claro, as suas próprias leis e regulamentos. Face a alguns países o Facebook até pode acatar essa regulação, mas face a outros países isso poderá não acontecer. Claro que é possível argumentar que o Facebook tem as competências técnicas suficientes para servir a cada país a sua própria versão da plataforma. Mas é igualmente lógico argumentar que, quantas mais versões diferentes do Facebook existirem, mais difícil se torna para a plataforma operar da forma simples e intuitiva como faz hoje. Ou seja, as especificações nacionais para o Facebook apenas são concebíveis na medida em que não interfiram com a escala global na qual o Facebook opera. Porque a escala é um elemento central da forma como esta plataforma opera. As eventuais especificações nacionais ou regionais devem ocorrer “sobre” a plataforma (tal como acontece hoje) e não “na” plataforma.

facebook

3. O Facebook depende da escala (global). Como comunidade, nós ficamos particularmente preocupados quando o Facebook acaba por ter influencia em importantes decisões políticas  de âmbito coletivo devido às chamadas “fake news”. Mas a influência do Facebook vai muito para além disso. Aquilo que está fundamentalmente errado com o Facebook é a forma como o seu modelo económico incentiva as “fake news” tanto quanto o “clickbait” ou o jornalismo sensacionalista. Devemos recordar que os miúdos da Macedónia que parecem ter tido uma influência tão decisiva na eleição presidencial norte-americana o fizeram, não em nome de qualquer objetivo político, mas estritamente por motivos económicos. Por cada exemplo de “fake news” que nos possa indignar no Facebook, existem múltiplos exemplos de publicidade enganosa e títulos “clickbait” (muitos com origem nos meios de comunicação social) destinados a levar-nos a ver os anúncios num determinado site. O ecossistema comercial do Facebook incentiva isso mesmo e os utilizadores irão certamente continuar a fazê-lo, em primeiro lugar porque as ferramentas o permitem e em segundo porque é do seu interesse. O detalhe decisivo para entendermos esse ecossistema é que também é do interesse do Facebook que eles continuem a fazê-lo. Nós temos tendência a ver o Facebook como uma empresa gigantesca e extremamente lucrativa. E é-o de facto. Mas, se considerarmos todos o valor económico que foi desviado dos media tradicionais pela “disrupção” provocada pelo Facebook, então teremos que concluir que o Facebook devia ser ainda mais rico do que é. Dito de outra forma, o rendimento médio por utilizador do Facebook é significativamente mais baixo que o de qualquer meios de comunicação social no passado (o assunto foi objecto de uma tese de mestrado que pode ser lida aqui). O que isso significa é que: a) o Facebook precisa ser comercialmente agressivo na monetização das suas audiências se quiser ficar à frente da concorrência; e b) precisa da escala global para o conseguir. Ou seja, para o Facebook a escala global na qual opera não é apenas uma característica da sua tecnologia; é também uma condição dos eu modelo de negócio. E, portanto, enquanto for assim – e tudo indica que continuará a ser – o Facebook depende do próprio ecossistema que produz as “fake news”, o “clickbait” e o sensacionalismo que a sociedade deseja regular.

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O que tudo isto significa é que o Facebook não pode ser regulado como uma empresa normal. Porque não é uma empresa normal. É uma plataforma, é global e depende dessa escala global para funcionar e ser rentável. A sua regulação tem que ter em consideração o facto de que o Facebook deve ser capaz de proporcionar determinadas funcionalidades para os seus utilizadores sejam eles individuais ou coletivos, mais instruídos ou menos instruídos e localizados em Silicon Valley ou no Bangladesh. Cada tipo de conteúdo ou funcionalidade que um utilizador valoriza poderá não ser o mesmo ou a mesma a que outro utilizador dá valor. Por isso, regular esse tipo de conteúdo pode ser positivo para um utilizador, mas també pode ser uma forma de censura para outros.

Tal como a Alphabet, a  Amazon, a Tencent ou a Alibaba, o Facebook é um tipo de empresa diferente das que nós conhecíamos e opera em premissas distintas (opera segundo um paradigma diferente, para ser preciso). Doc Searls acertou em cheio num episódio recente do poscast “The Gillmor Gang”. Eis o excerto:

A maior parte da tentativas para regular o Facebook  e outras plataformas de informação semelhantes abordam a questão como se estas empresas fossem a NBC ou a Philip Morris, ignorando o facto de que se trata de plataformas (nas quais a agência dos utilizadores deve ser preservada), que são globais (e portanto devem servir diferentes culturas e legislações) e, sobretudo, que funcionam num ecossistema de distribuição de informação que é também um ecossistema de distribuição de valor e que, portanto, deve gerar lucro para as empresas que nele operam e para as próprias plataformas. É por não considerarem um ou mais destes fatores que a maioria dessas tentativas de regulação acabam por falhar.

No entanto, a questão subsiste: Como devemos fazer a regulação de entidades como o Google ou o Facebook, tendo em consideração que alguma forma de regulação é necessária?

Bem, de momento estamos apenas a começar a pensar no assunto. O Facebook, tal como outras plataformas de distribuição de informação, tem algo de valioso a oferecer aos seus utilizadores em termos de ferramentas e recursos sociais. Se não tivesse, não teria a massiva quantidade de utilizadores que reúne hoje em dia. Se quisermos regular o seu funcionamento sem pôr em causa as suas potencialidades, temos que ter em conta as suas características e a sua função social. Há três aspetos que, como já deve ter ficado claro, devem ser tomados em consideração nessa regulação:

a) Primeiro que tudo, a instância de regulação do Facebook tem que ser global ou tendencialmente global. Não faz sentido o Congresso dos Estados Unidos pretender regular o Facebook (ou a Google ou o Twitter) quando a maior parte dos seus utilizadores não vive nos Estados Unidos e muitos nem sequer falam inglês. Se uma plataforma como o Facebook existe e opera na maior parte dos países no mundo, então tem que ser uma instância transnacional correspondente a fazer a respetiva regulação. O problema é que não parece existir uma entidade ou instância supranacional que esteja legitimada ou mandatada para o fazer. Temos que criar essa legitimação supranacional.

b) Em segundo lugar, numa rede com a dimensão e o fluxo de informação que hoje passa pelo Facebook, não é de todo possível implementar controlos humanos para todos os conteúdos, sob pena de tornar a plataforma inoperativa. Ou seja, se muitos dos comportamentos “desviantes” dentro do Facebook são iniciados ou propagados através de automatismos de rede, então têm que ser implementados os mesmos tipos de automatismos para fazer o respetivo “policiamento”. Isso significa permitir ou autorizar que a inteligência artificial por detrás de sistemas como o Facebook possa tomar decisões em nome dos utilizadores e segundo algoritmos de policiamento funcionando autonomamente e automaticamente. Por mais assustadora que a ideia possa parecer, ela é a única compatível com uma rede com a complexidade do Facebook.

c) Por fim – “the last but not the least” – o modelo económico em que o Facebook funciona (assim como outras plataformas) também é parte do problema mais do que parte da solução. Se for verdade que o Facebook reduz o valor económico da informação – confirmando assim a tese de que, em situação de abundância digital, o valor da informação, enquanto bem económico, tende para zero – então o modelo económico no qual se baseia não pode deixar de ser considerado insustentável no futuro e em termos teóricos. A manifestação prática disso é a forma como já hoje o Facebook depende da escala global e da sua exploração comercial agressiva para ser lucrativo. Ou seja, estamos perante uma dissonância entre o valor social óbvio de uma plataforma de comunicação e interação social como o Facebook (que incrementa o capital social dos indivíduos e dos grupos) e a apropriação privada dos seus benefícios económicos. Essa dissonância precisa ser resolvida com um modelo económico diferente para o Facebook e para as plataformas globais de distribuição de informação semelhantes a ele. Que tipo de modelo económico é esse? Isso permanece uma incógnita. Mas esta é, obviamente, a questão mais complexa das três aqui enunciadas e aquela que, de certa forma, ainda nem sequer começou realmente a ser discutida.

O Facebook é provavelmente a mais visível e a mais questionada das novas plataformas globais de distribuição de informação. Mas não é a única. As soluções que forem encontradas para o Facebook serão certamente também implementadas nas outras plataformas semelhantes, como a Google ou o Twitter. Mas, mais uma vez, não devemos esperar que as soluções de regulação do passado nos sirvam neste caso e – de certa maneira – é um desperdício perder tempo com elas. Não produzirão os efeitos desejados e até poderão pôr em causa aquilo que de bom estas plataformas têm para nos oferecer enquanto comunidade. Por isso, temos que ter a coragem de perceber que precisamos de soluções novas para problemas novos.

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O Capital

– “Meus senhores o novo presidente do banco, Marc Tourneill!”
– “Estes são todos os principais accionistas. Eis os representantes do Eliseu. Eles esperam muito de si. Diga-lhes o que querem ouvir!”

– “Meus amigos, eu sou o vosso Robin dos Bosques moderno! Nós vamos continuar a tirar aos pobres para dar aos ricos!”

– “São crianças. Crianças grandes! Elas divertem-se. E vão continuar a divertir-se e divertir-se… até que a bolha rebente!”

Sempre me intrigou perceber o que leva alguém que tem muito, mas mesmo MUITO dinheiro a querer mais dinheiro. Afinal, o dinheiro, a partir de certo ponto, é apenas um número numa conta conta bancária.
Este filme (podem revê-lo nas gravações do AXN Black, passou ontem às 18h ou numa versão integral, mas dobrada em brasileiro aqui – para quem gosta do género) dá uma resposta possível: para estas pessoas o dinheiro não é dinheiro, é “currency”; é fichas e mais fichas para jogar num imenso casino. O gozo está no jogo, não naquilo que se ganha ou perde! Isto é o que fazem as crianças muito, muito ricas. Aprendem a jogar desde pequeninas. E nunca mais deixam de jogar.

 

O dinheiro, eis um tema interessante que ainda gostaria de estudar em profundidade um dia. O dinheiro é – como sempre foi – uma convenção. Um símbolo de algo, sem nenhum valor intrínseco. Já disse noutro ponto mas repito: o dinheiro é uma tecnologia de informação. O dinheiro comunica algo. Aquilo que importa no dinheiro não é o dinheiro em si, mas aquilo que ele comunica!

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Paulo Portas e Pedro Passos Coelho: um instantâneo.

portas

(via @poingg, em pic.twitter.com/qqdt0UZFd0)

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David Icke em Bilderberg

Parece que o Facebook está a dificultar a publicação deste video. Portanto, ele aqui está…

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Isto não é um convite; é uma proposta indecente!

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Talvez seja um pouco tarde para Durão Barroso propor uma federação de estados europeus. Essa ideia devia ter sido proposta há vários anos e devia ter sido sancionada pelos povos europeus, algo que eles nunca quiseram fazer.  Todos sem excepção. Com os resultados que agora se vêem.

Além disso, uma federação de estados europeus – com sede “real” em Berlim, naturalmente – não seria incompatível com o único propósito que se consegue perceber por detrás do projecto europeu da Alemanha. A Alemanha, como qualquer potência de média dimensão, está assustada com a emergência de novos pólos económicos no mundo e decidiu que vai recuperar a competitividade económica europeia baixando os salários das zonas pobres do sul da Europa. Uma espécie de “uma união, várias economias”.

Durante alguns anos, a inteligência económica colectiva alemã achou que podia gerir o “problema chinês” fornecendo tecnologia ao gigante adormecido para que ele continuasse a operar as suas fabricas de mão-de-obra barata. Mas os chineses não são parvos – nem têm vocação para capachos – e decidiram que eram eles que mandavam. Nesse momento, a Alemanha achou que a única alternativa era fazer dos gregos, portugueses, irlandeses, eventualmente espanhóis e italianos, juntamente com alguns povos de leste, uma espécie de “chineses da Europa”. Tanto quanto se consegue perceber, é esse o projecto europeu da Alemanha.

E é um projecto nobre! Preservar a Europa é um projecto nobre! E preservar a Europa é hoje – olhe-se como se olhe – preservar a sua competitividade na economia global de múltiplos pólos. É isso que Alemanha quer e isso é bom para a Europa. O problema é que a receita escolhida pode não resultar. A crise europeia pode ser mais profunda do que parece. Pode acontecer que não seja apenas uma crise financeira e se calhar também não é só económica. A crise europeia pode ser civilizacional e ter chegado com meio século de atraso.

Primeiro que tudo, na Europa – obviamente! –  não há uma crise grega, nem uma crise portuguesa, nem espanhola, irlandesa ou italiana. Por uma razão muito simples: é que na realidade, na Europa, não existe uma economia grega, portuguesa, espanhola ou italiana. Há apenas a economia europeia. Não há muitos espaços económicos no mundo mais integrados e unificados que o espaço europeu. Quanto mais não seja por causa desse detalhe fundamental que é a moeda única. A Europa está mais integrada, a muitos níveis, que a federação norte-americana, e nem sequer é uma federação! Portanto, paremos a conversa quando alguém falar da crise portuguesa ou da economia portuguesa. Hoje, em 2012, nenhuma dessas duas coisas existe.

A decadência europeia

A Europa dominou o mundo durante séculos. Desde a idade media, passando pelos descobrimentos e até às duas guerras mundiais. Que diabo!, a Europa até “se exportou” para outros continentes antes de se envolver em duas guerras civis europeias sucessivas. Na altura, a Europa era podre de rica – uso a palavra “podre” propositadamente – e muito mais “integrada” do que normalmente percebemos. Por isso é que se envolveu em tantas guerras fratricidas. As guerras são uma espécie de jogos florais das sociedades modernas. São tanto um luxo como os torneios medievais o eram para as sociedades de então. Enquanto império expansionista, a Europa acabou algures entre a primeira e a segunda guerras mundiais. As guerras em que se envolveu – e em que envolveu o mundo – foram o seu canto do cisne.

Depois da 2ª guerra mundial o mundo ficou dividido em dois blocos geopoliticos com capacidade de aniquilação mútua. E isso congelou a história durante 50 anos (aliás, houve quem confundisse o fim do congelamento da história com o fim da história). Nessa época nada floresceu porque nada podia florescer fora do controlo de Washington ou de Moscovo. Havia muito países no mundo com vontade de crescer e com a “energia vital” para o fazerem. Mas, obviamente, nenhum foi “autorizado”. Durante esses 50 anos foram os EUA que “seguraram” a Europa e os seus padrões de vida. Não porque gostassem dela, mas porque precisavam de a ter ali, naquele lugar, como tampão à ameaça russa.

Quando o muro de Berlim caiu e os EUA ganharam a guerra fria, o mundo descongelou e a globalização seguiu o seu curso natural. E, por “seu curso natural” entende-se isto: as nações com condições naturais (recursos) e energia colectiva (vontade) começaram a crescer – ou seja, a multiplicar a sua riqueza – mais do que qualquer velha potência do mundo anterior à bipolarização (Alemanha, França, Inglaterra, EUA, etc).

A energia colectiva necessária para um povo prosperar é certamente algo difícil de definir e delimitar do ponto de vista teórico. Mas há um elemento que de certeza faz parte do “pacote”: uma população jovem e ambiciosa. Isso é – entre outras coisas – aquilo que existe na China, no Brasil, na Índia, na África do Sul, até na Rússia. Mas não existe na Alemanha. E também não existe numa hipotética Europa federada com “trabalho barato” no sul da Europa. Dito de outro modo: podemos chamar a esta crise europeia muitas coisas – financeira, política, económica, etc – mas na verdade ela é civilizacional e não é uma crise; é a continuação de um processo de decadência que já se tinha iniciado muito antes da Guerra Fria. A Europa está a morrer. E está a morrer porque a sua população está velha e acomodada. Não são só os portugueses, por exemplo, que estão acomodados aos benefícios sociais – entre outros – que agora lhes querem retirar. Os alemães também lhes estão acomodados. E os franceses, e os italianos, etc, etc.

Globalizar o humanismo!

Precisamos perceber que o “problema europeu” não é uma crise financeira, económica ou política, para interiorizarmos que a solução tem que ser – se-lo-á inevitavelmente – historicamente muito relevante, vasta nas suas envolvências e consequências, e criativa, no sentido de ser algo que quase de certeza neste momento não estamos a ver. A mim parece-me que, por complexa que seja a dita “crise”, a solução para a decadência histórica da Europa passa provavelmente por esta medida muito simples: abrir incondicionalmente todas as suas fronteiras!

Há milhões de jovens por esse mundo fora ansiosos por construir uma vida nova e com a energia para enfrentarem os obstáculos que se levantem ao seu caminho. Que raio!, há pessoas que se metem em balsas que não sabem se alguma vez chegarão a algum destino para irem à procura de uma vida melhor. Isso – essa coragem, essa vontade de melhorar –  é exactamente o que a Europa não tem e precisa! Não será certamente a única, mas é decerto uma das condições para evitar a decadência europeia. Por inverosímil que possa parecer, isso é exactamente o que os europeus têm que perceber. E é inverosímil porque, para que tal coisa fosse possível, era necessário que os europeus – aqueles que cá estão – tivessem a coragem histórica de aceitar os imigrantes como seus iguais. O que significa partilhar com eles os seus recursos. E talvez hoje seja a época de testar uma solução historicamente original como esta. Num mundo globalizado talvez seja hora de suprimir as diferenças e aceitar o “outro” como parte de nós.  Depois da globalização dos fluxos financeiros, do comércio e da distribuição de matérias primas, talvez esteja na altura de globalizar o humanismo. E “globalizar o humanismo” significa não apenas exigir que os nossos congéneres que se manifestam Bagdade, Teerão ou Pequim tenham os mesmos direitos cívicos que nós, mas também aceitá-los como iguais ao nosso lado, sejam eles argelinos, sudaneses, brasileiros, turcos, romenos ou de qualquer outra proveniência.

Talvez esta seja a oportunidade histórica de a Europa voltar a ser vanguardista. Para isso, é preciso preencher muitas condições, mas a primeira delas é que os europeus consigam ser menos mesquinhos do que foram há uns anos quando outros políticos europeus antes de Barroso falavam de uma hipotética federação europeia…

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Hoje a Grécia enfrenta um momento histórico em que tem que decidir o seu futuro. Mas, bem vistas as coisas, isso pode ser apenas um detalhe – facilmente ultrapassável – no quadro geral das coisas. Como aliás tem acontecido desde sempre, na Europa, com todas as “manifestações de vontade” nacionais.

Desde o início desta crise sempre me perguntei porque razão a Alemanha recusava tão terminantemente desvalorizar a moeda europeia e as razões históricas sempre me pareceram insuficientes para o explicar. Por outro lado, não é plausível que o governo alemão aja por critérios não racionais. Muito pelo contrário: talvez seja difícil de os encontrar ou de os perceber, mas DE CERTEZA de há motivos racionais para a política europeia da Alemanha.

Há algumas semanas li um artigo de opinião num grande jornal europeu – não me lembro de quem nem em que jornal, sorry! – que dizia mais ou menos isto: a razão pela qual a Alemanha quer impor medidas de austeridade nos países do sul é para forçar a redução de salários nesses países e dessa forma aumentar a competitividade do espaço económico europeu face aos países emergentes. Uma espécie de – não “um país, dois sistemas” – mas sim “uma união, várias economias”. Ou, se quisermos, uma Europa a várias velocidades. Claro que se pode dizer que isso não é possível porque não há fronteiras financeiras – a moeda é a mesma e portanto a tendência para o nivelamento de preços e salários é inevitável – ou porque não há fronteiras demográficas – as pessoas podem migrar de um país para outro. Mas, mais uma vez, isso são apenas detalhes, que se resolvem quando e se o problema surgir. Vincular um país a um plano da austeridade que o obriga a pagar regularmente uma dívida monstruosa num prazo de 10 ou 15 anos é garantir que durante esse tempo esse país – a comunidade eleitoral – terá que aceitar politicamente um quadro de excepção com salários mais baixos. É esse o “frame of mind” actualmente vigente em Portugal. Não o é, obviamente, na Grécia. Manter um país dentro da união política mas fora da união monetária – que é o que a Europa vai fazer com a Grécia – é uma “pequena-grande” variante desta estratégia.

Esta parece-me de longe a melhor explicação até hoje para o comportamento aparentemente estranho da Alemanha no quadro europeu. Mas é apenas uma parte da explicação.

Se há coisa que os alemães sabem é que os países emergentes estão e vão continuar a  crescer muito acima média europeia e que isso prejudica a competitividade alemã.  Tradicionalmente, repunha-se a competitividade de um país através da desvalorização da sua moeda, que não é mais do que uma forma de reduzir todos os custos de produção, incluindo os salários. Acontece que, no quadro europeu, isso afectaria também os salários dos trabalhadores alemães. Com os planos de austeridade desenhados para os países do sul da Europa (que, parecendo diferentes são no essencial a mesma coisa: como reduzir massivamente os salários tentando manter a moeda única) a Alemanha procura preservar a competitividade alemã (e europeia!) sem afectar os seus próprios salários.

Mas – e esta é para mim a questão mais interessante – embora pareça uma manobra de ataque às economias do sul, esta é na verdade uma manobra de defesa por parte da Alemanha! Primeiro, é uma manobra de defesa dos salários dos alemães. E, depois, é uma manobra de defesa da integridade da própria Alemanha. Ou seja, a Alemanha está à rasca e  a sua obsessão com os planos de austeridade dos países do sul demonstra-o claramente.

Todos nós suspeitamos o que é que aconteceria se a crise (ou seja, redução de salários) chegasse à Alemanha nos mesmos termos em que chegou à Grécia ou está a chegar a Portugal. Penso que os próprios alemães têm medo disso. Aliás, devemos meditar se o que preservou a democracia e a a paz na Europa foi mesmo a união económica entre os vários países, como tantas vezes é repetido, ou foi afinal o período longo de prosperidade que ela permitiu e cuja factura agora pagamos. Os cínicos dirão que é sempre assim: a paz e a democracia não emergem por si e são sempre fruto da prosperidade. E vice-versa, naturalmente!

É disso que os alemães têm medo! E os outros povos também!

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Eu não vou!

Mas afinal o que é que eu tenho contra o Rock in Rio? Bem, na verdade  são pelo menos 3 coisas:

1. O Rock in Rio não é um festival de música. É um festival de patrocinadores. Tudo aquilo existe para servir os fins comerciais a que se propõe. Não tem nada a ver com objectivos artísticos. Eu até aceito que os patrocinadores se associem a um evento musical; o que não aceito é que a música se associe a um evento de patrocinadores. E isso… é o Rock in Rio! O Rock in Rio é um evento no qual a música importa menos do que o marketing. E isso é uma boa razão para não gostar do Rock in Rio.

2.  O cartaz do Rock in Rio é prejudicial à música. Por cada Bryan Adams que 70 mil pessoas ouvem há pelo 10 novos artistas que não encontram o seu público. Se em vez que programar o Bryan Adams para 70 mil espectadores a organização programasse Bon Iver numa pequena tenda para 5 mil pessoas, isso seria melhor para as pessoas e melhor para a música. Pelas mesmas duas razões: porque Bryan Adams está esgotado e Justin Vernon está no peek da sua criatividade músical. Eu daria tudo para ter visto os U2 em Vilar de Mouros em 82, quando transpiravam toda a energia de “Boy” ou “I will follow”; mas não daria nada para os ver em Coimbra, com pouca música, mas uma espectacular parafernália de luzes, gruas e guindastes que se destina afinal a esconder precisamente a falta do essencial. Tal como no Rock in Rio. Isso é altamente prejudicial ao que realmente importa: a música. E essa é outra boa razão para não gostar do Rock in Rio!

3. O Rock in Rio abusa dos artistas que nele participam. Por interpostas pessoas: as que lá vão! É claro que eu gosto de “Supersticion” ou “Master Blaster Jammin’”! Como poderia não gostar?! Mas, tal como Bryan Adams ou Bruce Springsteen, há muito que Stevie Wonder esgotou a sua criatividade musical. Porque é mesmo assim: não se programa e não se controla; ou sai, ou não sai! Há quem diga que dentro de nós temos apenas um livro. Porque raio da razão é que haveríamos de ter mais do que 2 ou 3 discos? Há muitos novos artistas cheios de energia criativa: é esses que devíamos estar a ouvir. Mas afinal porque é que isso é um abuso em relação a Stevie Wonder, Bruce Springsteen ou Bryan Adams? Qualquer deles preferia estar com os netos ou a jogar golfe com os amigos. Em vez disso, vão ter que tocar, pela nonagésima milésima vez aquelas canções que já nem conseguem ouvir. Entre uma ou duas vezes em cada concerto e 5 a 10 vezes em ensaio, conseguem imaginar quantas vezes é que Stevie Wonder já tocou e cantou “I just called to say I love you”? Não será um abuso pedir-lhe que o faça outra vez? E ficar “ofendido” – como já tem acontecido… – se não o fizer? Claro que Stevie Wonder não foi obrigado a vir actuar à Zona J. Mas veio porque a organização conseguiu montar um evento de marketing  tão poderoso que lhe consegue pagar um cachet “irrecusável”. E consegue-o fazer, porque os 70 mil que lá vão pagam bilhete ou compram telemóvel ou abrem contas no banco. É isso que “obriga” os artistas – alguns deles pelo menos – a fazerem algo que na verdade não teriam muita vontade de fazer. Isso é um abuso e é portanto mais uma razão para não gostar do Rock in Rio.

É por estas razões – nem mais nem menos – que eu não gosto do Rock in Rio. E, obviamente é por isso que… Eu não vou!

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A propósito da crise grega, voltei a ouvir uma expressão que já não ouvia há anos: “a esquerda democrática”. O tempo é outro e o contexto é certamente diferente, mas a expressão – curiosamente – é a mesma.

Lembro-me bem de qual era o sentido com que era usada há 20 ou 30 anos em Portugal. Falava-se da “esquerda democrática” por oposição a uma esquerda que implicitamente (implicitamente na expressão e explicitamente no discurso) se considerava “não democrática”. Claro que sempre me fez confusão a forma como esse “nós-vs.-eles” impunha uma definição de democracia. Como se esta fosse uma palavra monossémica, quando na realidade é uma da palavras mais polissémicas que existe. Isso sempre me pareceu injusto e intelectualmente abusivo, mesmo quando a acepção de “democracia” era aquela com que eu concordava. Não há uma “democracia”; há vários tipos de “democracia” porque há muitas acepções diferentes da palavra “democracia”.

Curiosamente, a expressão “esquerda democrática” quase desapareceu do discurso político durante os últimos 15 a 20 anos. De certa forma porque o discurso político em Portugal interiorizou que os partidos à esquerda do PS , do PCP “para lá”, não contavam para aquilo que muitas vezes se chamava “o arco da governação” (que incluía, naturalmente, a tal “esquerda democrática”). De certa forma gerou-se um consenso, a que os próprios certamente chamariam “consenso democrático” (lá está!), sobre o modelo de sociedade que estava a ser construído e no qual as regras do “jogo democrático” (algumas regras formais mas muitas informais) desempenhavam um papel conciliador e unificador. Durante anos discutimos a política dentro do contexto desse consenso e raramente saindo dele.

Por isso é que torna irónico que a expressão regresse agora a propósito da situação na Grécia e das aritméticas eleitorais dela resultantes. Já ouvi a expressão “esquerda democrática” em notícias , comentários e análises. Ainda não percebi muito bem quais são os partidos da esquerda grega que estão dentro ou fora da chamada “esquerda democrática”. Mas já deu para perceber que, subitamente, a esquerda “não democrática” (o que quer que seja que isso significa; é um vocábulo pelo menos tão polissémico como o seu oposto…) é ou pode ser maioritária. Ou pelo menos tão numerosa ao ponto de impedir o tal consenso que aparentemente vigorava lá como cá. E isso é uma situação nova. De repente o consenso dentro do qual a sociedade política grega evoluiu nas últimas décadas quebrou-se ao ponto de voltar a ser necessário usar a dicotomia “esquerda democrática”/”não democrática”.

E isso, em si mesmo, pode ser um indicador muito interessante. Pode significar – é apenas uma hipótese! – que o arco temporal que medeia entre esse tempo e o que hoje vivemos se fechou. E que o processo de construção social que então se iniciou, com participação de todas as forças políticas (não apenas partidos…) da “área democrática”, falhou! Falhou, ao ponto de voltar a ser necessário contar com  forças consideradas “não democráticas” e portanto não passíveis de consensos.

Deste ponto de vista, Grécia e Portugal (como de resto outros países da periferia europeia) têm percursos históricos muito semelhantes. E o que isto pode significar, no fundo, é que o movimento histórico profundo de aproximação ao norte da Europa (por aglutinação) terá falhado para os dois países (e outros em situação semelhante). E que o sonho de uma Europa homogénea terá ruído definitivamente. E isso é uma má notícia. Porque uma Europa desunida é uma Europa mais fraca. Hoje ainda e muito mais do que há 50 anos atrás.

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We need to talk about Kevin

We need to talk about Kevin“, da inglesa Lynne Ramsay, é um filme complexo sobre coisas complexas.

Se gostam de narrativas lineares, com princípio, meio e fim, não vão ver este filme.

Mas se, pelo contrário, gostam de histórias complexas, com personagens fortes, então não deixem de ver! Tilda Swinton não é a personagem central deste filme; Tilda Swinton é o filme! Toda a narrattiva é vista pela mente complexa de uma mãe com complexo de culpa. E corre à medida desordenada e aparentemente desconexa das memórias. Daí a complexidade. O filme passa-se dentro da mente de uma mãe perturbada; e é precisamente aí que nós o vemos.

Não sei qual é a estrutura do romance, mas o filme tem essa complexidade adicional a juntar à da própria temática e da própria história. E – claro – Tilda Swinton é simplesmente brilhante.

Vão ver. Mas não esperem sair de lá mais esclarecidos do que entraram.

 

[ADENDA]

Faltou dizer uma coisa importante.

Na minha opinião este filme só tem um erro grave: a realizadora não resiste a tentar pôr um fim numa narrativa que não tem fim, nem meio, nem principio. Devíamos saír de dentro da mente da protagonista da mesma forma que entrámos: sorrateiramente e sem aviso prévio. Aquela pergunta básica – “Porquê?” – era desnecessária e fútil.

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“Povo sem medo do mar não tem medo de lutar”

A frase – de autor desconhecido -serviu a um dos cartazes de apoio à recente greve geral de 1 de Maio. A construção gráfica é muito feliz: veicula uma ideia clara, com muito “lastro” histórico e um apelo claro à acção.

E, de facto, quando pensamos na aventura marítima de 1500, não podemos deixar de nos assombrar com a aparente coragem com que os navegadores portugueses de então se lançavam rumo ao desconhecido, não em sentido figurado mas literalmente real. À primeira vista pareceria haver aqui um fundo de coragem nacional a que o cartaz apela para resolver os problemas do presente. Mas esse pode ser, afinal um dos grades erros de percepção da nossa própria história.

A reflexão resultou – curiosamente! – da polémica sobre essa “espécie cultural em vias de extinção” que são as touradas e da análise das semelhanças e diferenças entre a Festa Brava em Portugal e em Espanha. Recordo-me que, ainda na faculdade, e inspirados pelo trabalho do professor Jorge Dias (e dos seus “Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa“) fizemos um trabalho sobre touradas em que entrevistámos, entre outros, o matador Diamantino Vizeu.

Obviamente falámos sobre as características do toureio a pé espanhol face ao toureio a cavalo português. A determinado ponto da conversa eu disse qualquer coisa como: “sim, mas os forcados, por exemplo, revelam uma enorme coragem ao enfrentarem o touro como o fazem!

Coragem nenhuma!” – retorquiu ele – “Eles são é completamente loucos! E isso não é coragem, porque a coragem implica a consciência perfeita do perigo que se corre!” Referia-se, obviamente, ao toureio a pé, em que o toureiro domina o touro ao seu nível, quase olhando-o olhos nos olhos, em pontas, um-para-um.

Esta ideia anda comigo desde então e volta-não-volta emerge a propósito deste ou daquele assunto. Agora foi a propósito da crise e da nossa atitude colectiva perante ela.

Aliás é curioso notar as características peculiares do toureio português – com nobres cavaleiros dominando a “festa” do alto da sua montada e os pobres “moços de forcados”, assim são adequadamente chamados, autorizados a dar uma volta com o “nobre” quando a coisa corre bem – por oposição ao toureio espanhol, com os nobres lá em baixo a lutarem pela vida e a dominarem a besta. É toda uma parábola que parece reflectir a história de ambos os países e também – é aqui que eu quero chegar – as suas diferentes atitudes perante a encruzilhada histórica em que ambos se encontram.

Ou seja: é bem possível que a tão famosa coragem portuguesa – aquela que nos levou a embarcar em 1500 e ainda nos leva a enfrentar uma besta de 500 quilos – não seja afinal mais do que inocente inconsciência. E que os nossos nobres, na vida como na tourada, se mantenham higienicamente distantes de maneira a não sujarem os seus punhos de renda.

O cartaz era bom. Mas se calhar partiu de uma premissa completamente errada. Isso é, pelo menos, aquilo que  a realidade vai dizendo…

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Camilo Lourenço é um jornalista inteligente. É inteligente quando fala de economia, mas também é inteligente quando fala de política. A inteligência continua lá; o que muda é só o tema em que ela se expressa.

Na sua crónica de hoje no Negócios Online introduz o interessante conceito da (necessidade da) “modernização ideológica do PS”. A tese é que o PS continua agarrado ao passado, em parte por causa do seu fundador, e por isso não se moderniza nem aceita alternativas a “um modelo obsoleto de economia e sociedade que está a condicionar o futuro do país”.

Eu perguntei ao Camilo Lourenço o que seria afinal a “modernização ideológica do PS”, mas ele ainda não respondeu.  Fiquei genuinamente curioso. Não deve ser a história de “pôr o socialismo na gaveta”, pois, ao que parece, isso já foi feito. Deve portanto ser outra coisa. Será a defesa do liberalismo? Será o fim do Estado Social?

Obviamente, a simples ideia de que o PS precisa de se modernizar ideologicamente é em si mesma reveladora de uma agenda liberal (e ideológica) que não nos surpreende no Camilo, mesmo quando apreciamos a sua inteligência. Acontece que (pelo menos vista da esquerda…) a realidade não cola com esta análise. Hoje é mais lícito afirmar que a direita precisa de desconstruir o mito liberal do que dizer que a esquerda precisa de se modernizar. É bom não esquecer que esta crise começou precisamente no coração do novo liberalismo e por causa dele.  É verdade que, por paradoxal que possa parecer, desse facto ainda não se tirou as devidas ilações no campo das ideias. Mas isso não muda o facto em si: a presente vertigem económica foi despoletada pela implosão de Wall Street e do seu liberalismo. E portanto resolver-se-á com menos liberalismo e não com mais. Apontar o liberalismo como o caminho a seguir é ignorar os últimos 10 anos.

Mas não é só. Não apenas o futuro apontado pelos liberais não serve, como o passado que eles pintam também não corresponde à realidade. E, desse ponto de vista, esta crónica de Camilo Lourenço também é emblemática. Diz ele que o nosso “modelo obsoleto de economia e de sociedade está a condicionar o futuro do país”, como se o Estado Social fosse o responsável pela nossa penúria. Até pode ser responsável pelo nosso défice, mas é uma simplificação redutora afirmar que estamos como estamos porque o Estado gasta “o que tem… e o que não tem”. O Estado não é uma mercearia e a contabilidade é um bocadinho mais complexa do que isso (o que é o dinheiro senão uma convenção? Já pensaram nisso?). E, além disso, Portugal é um actor muito pequenino no tabuleiro geo-estratégico em que a economia global também se manifesta. O nosso défice é apenas uma parte infinitesimal da diferença de crescimento anual de PIB entre os EUA e a China, por exemplo. E isso, por si só, explica melhor a situação em que estamos do que os desvarios do Estado português ou os custos do modelo social europeu.

É óbvio que as nossas sociedades estão a passar por transformações profundas a vários níveis. Mesmo que as coisas não estejam ligadas – e podem estar! – o que acontece em Pequim, no Rio de Janeiro, na Síria, em Atenas ou no Occupy Wall Street tem consequências em todo o mundo. E são, de momento, imprevisíveis. Por isso é que não faz sentido propor um discurso liberal com 10 anos! O Partido Socialista – qualquer partido socialista (ou qualquer partido, já agora!) – terá que se repensar a muitos níveis, incluindo provavelmente ao nível ideológico. Mas não no sentido em que se dizia que o tinha que fazer antes de tudo o que aconteceu nos últimos 10 anos. O mundo mudou muito entretanto e, se há certeza que eu tenho, é que vai mudar muito mais!

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Hoje, uma discussão interessante desembocou - mais uma vez – nesta ideia: vamos ter que voltar atrás várias décadas! É uma ideia recorrentemente repetida, mas errada.

Entendamo-nos: não há retrocessos históricos! Não há um único período da história universal que seja claramente um retrocesso. Mesmo aquilo que nos pareça um retrocesso, não é na realidade um retrocesso; apenas “nos parece” um retrocesso. E a história também não se repete; apenas “nos parece” que se repete. Mas é da nossa percepção; não é da realidade.

O que há é vários futuros possíveis. E todos eles – todos! – são uma escolha. Mesmo aqueles que nos parecem impostos ou inevitáveis. Mesmo que seja por omissão.

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Faltam 122 dias!

Faltam 122 dias

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Isto não se faz!

Um partido político pode prometer coisas que não é capaz de cumprir, pode colocar os seus interesses acima do interesse público, pode usar os poderes para pressionar os seus adversários e até pode desvirtuar as escolhas democráticas através de informação selectiva.

Mas que não pode é torpedear a dança das cadeiras que mantém o circuito a funcionar. Fazê-lo é mexer com o essencial; aquela plataforma mí­nima que torna possí­vel a “sã” convivência polí­tica.

Está o caldinho entornado!

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Já passou algum tempo, mas o caso ainda merece reparo.

Para comemorar os seus 24 anos de existência, a TSF convidou Cavaco Silva para uma entrevista de actualidade. Tratando-se da primeira grande entrevista de Cavaco depois do caso da António Arroio e das polémicas declarações sobre a reforma, seria de esperar que ambos os assuntos fossem abordados. Mas não. Em nenhum ponto da entrevista qualquer dos temas é abordado.

Obviamente podemos especular sobre uma de duas situações. Ou a entrevista já estava marcada e os assessores do presidente trataram de esclarecer previamente que o assunto não seria abordado. Ou a entrevista foi marcada depois dos factos e na condição de o tema não fazer parte do alinhamento. A terceira hipótese – de o jornalista terem optado por não perguntar ou se ter esquecido de o fazer – é absolutamente descabida.

Ora, o mundo dos media está a mudar muito depressa e – nesse quadro – como muitas vezes repete Jeff Jarvis, “a transparência é a nova objectividade”. Neste caso, a transparência é muito… opaca. Seria interessante a TSF esclarecer porque razão não perguntou a Cavaco o que deveria ter perguntado. Mesmo que não o perguntar tivesse sido uma condição prévia para a entrevista.

Olhando para a tendência longa da evolução dos media – e sobretudo para a democratização do acesso que a internet proporciona – são coisas como esta que “matam” os media tradicionais. A TSF deu apenas mais um passo no sentido da sua própria descredibilização.

Digo eu, que ainda sou do tempo em que o slogan da TSF era qualquer coisa como: “Não guardamos informação na gaveta!” Parabéns TSF!

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Como medir audiências?

Recentemente, a CAEM “inventou” um sistema de medição de audiências de televisão para contornar o “zapping” e continuar a “contar” público mesmo quando as pessoas abandonam a sala.

E, de repente, ficou toda a gente escandalizada porque o sistema registava televisores ligados durante 24 horas (obviamente com “audiência” integral),  pessoal que via a SportTv sem ter cabo e uma percentagem não negligenciável de jogos, gravações e canais espanhóis. Enfim, uma série de coisas muito indesejáveis para o sector.

Como as hierarquias de audiências mudaram, obviamente também houve reacções dos que foram prejudicados e um monte de notícias e comentários sobre o assunto que cheiram mesmo a campanha de interesses. Afinal, este é um negócio que vale muito dinheiro. Ainda vale muito dinheiro.

Mas, seja com a GFK, seja com a Marktest, a CAEM em breve chegará a um equilíbrio técnico que permita satisfazer todos os “operadores”, provavelmente com algumas televisões ligadas “quase” 24 horas, sem canais espanhóis e com cabo só para quem o paga. E nessa altura estará tudo bem. Será uma solução de compromisso que permitirá a todos usar os argumentos de que precisam. Entretanto a realidade continuará a ter gente que tem a TV ligada 24 horas por dia, pessoal que vê o cabo sem pagar e canais espanhóis.

É assim sempre que sector de negócio se retrata a si próprio. Retrata-se não como é, mas como gostaria que fosse.

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Eu acho que…

… a Julianna Barwick se devia casar com o Peter Broderick!

E deviam ter muitos filhos.

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A polémica tomou de assalto a internet desde que a Google anunciou para Março a alteração das suas politicas da privacidade. De repente, não se fala de outra coisa nos podcasts que costumo seguir – as últimas edições do This Week in Google e do Gillmor Gang são disso exemplo – e nos blogues de referência.

Em geral, a discussão acaba sempre com a pergunta: será que a Google se tornou maléfica? O que não é uma maneira lá muito correcta de colocar a questão. Primeiro porque os conceitos de Bem e de Mal não se aplicam necessariamente (ou pelo menos não da mesma forma) aos negócios e às empresas. E depois porque – parece-me – por detrás deste movimento da Google, há uma reflexão mais profunda e importante que é preciso fazer.

Em primeiro lugar, convém perceber porque é que a Google decidiu unificar todas as políticas de privacidade dos seus variados produtos, permitindo assim gerar sinergias entre eles. Na minha opinião, a Google está assustada -muito assustada – com o sucesso do Facebook. Porque não o esperava. É óbvio que o modelo publicitário associado à pesquisa parecia à partida mais eficaz do que o mesmo modelo associado a uma rede social. Porque quem usa a pesquisa procura algo – e portanto a publicidade é altamente relevante – e quem se diverte numa rede social não procura senão estar com os amigos. São dois contextos muito diferentes e – parecia – com um potencial comercial muito díspar. Por isso é que a Google não se preocupou muito – de certa forma até desdenhou – os primeiros tempos de crescimento do Facebook. As primeiras redes sociais da Google (o Buzz, o Wave) pareciam mais instrumentos de trabalho do que de lazer.

Acontece que – com a chegada das marcas ao Facebook – Mark Zuckerberg criou um ecossistema comercial altamente atractivo quando combinado com os seus agora mais de 800 milhões de utilizadores (845 milhões, anunciado hoje). E de repente a Google percebeu que aquela conversa fiada do social pr’aqui e dos social pr’ali afinal… não era conversa fiada. E nesse momento o Google+ já estava demasiado atrasado em relação ao Facebook para poder ser “a” plataforma social tal como o You Tube é “a” plataforma de videos ou o Google Search é “o” motor de busca. Aliás, o atraso da Google no lançamento do Google+ é bem a imagem das suas hesitações nesta matéria.

Por isso, o que a Google pretende agora é utilizar o único trunfo que – olhando para a mão – lhe parece ainda ter: o potencial de integração do Google+ com os seus restantes serviços e sobretudo com a força do Google Search. Não é uma atitude de ataque; é uma atitude de defesa. A Google não quer conquistar algo; quer é não perder o que tem. E, por isso, vai favorecer os seus produtos na integração com o G+ e o Search. Tal como faria qualquer outra empresa na mesma situação.

Será que – tornando-se menos “neutra” – a pesquisa do Google se vai tornar menos “inteligente”? É uma boa questão. E suspeito que pensá-lo foi precisamente o erro da Google. De certa forma, todos os produtos da Google – dentro do espírito do motor de busca original – são manifestações de “inteligência”, ao contrário de uma rede social, que é (ou era vista), de certa maneira, como uma “coisa menor”. Se aplicarmos ao desenvolvimento das tecnologias de informação este quadro de análise – mais informação na rede e mais gestão dessa informação é mais inteligência colectiva – então podemos ter uma de duas opiniões: ou consideramos que o “social” fica fora desse quadro de análise (que foi o que pensaram os tipos da Google); ou achamos que a “inteligência social” de um programa como o Facebook é também uma forma de inteligência (que foi o que percebeu – se é que percebeu! – Mark Zuckerberg). O Facebook lembra-me quando é que os meus amigos fazem anos, diz-me que livros estão a ler, que filmes foram ver, como estão os filhos, etc. E isso é, provavelmente, muito mais importante do que saber que figuras históricas nasceram nesta data e quais os livros mais vendidos ou os filmes mais vistos. Porque nós somos sociais antes de sermos racionais. Na verdade – pensado no paradoxo da galinha e do ovo – de certa maneira já éramos sociais antes de sermos racionais.

Mas há outro aspecto – completamente separado deste – em que este alvoroço em torno da Google suscita reflexões interessantes. Que é este: para mim é sempre muito curioso ver a agressividade com que estas empresas – Google, Facebook, Twitter – procuram manter ou conquistar territórios negociais. Como se não soubessem muito bem o que é que na realidade fazem ou estarão a fazer daqui a 5 anos. E na verdade é isso mesmo que acontece. A Google é utilizada universalmente, o Facebook tem mais de 800 milhões de utilizadores e o Twitter está presente em todos os continentes e em todas as latitudes. No entanto, nenhuma as 3 empresas parece ter um modelo de negócio seguro (na verdade, o Twitter ainda está à procura dele). O Facebook, por exemplo, só hoje entrou em bolsa. E todas as valorizações incrementais que ao longo dos últimos anos lhe foram sendo atribuídas não eram mais afinal do que “expectativas de valor”, tal como, de certa forma, ainda são hoje, mesmo com a cotação em bolsa. Ou seja: percebe-se que qualquer destas empresas tem um potencial enorme, mas percebe-se pior qual é realmente o seu negócio do dia-a-dia, por comparação com essa expectativa. Mesmo no caso da Google. Claro que a Google faz milhões em publicidade, mas faz esses milhões com biliões de utilizadores e triliões de utilizações. Como sabe bem quem explora um media tradicional e o respectivo website, ganha-se mais dinheiro por cada “eyeball” no papel, por exemplo, do que com 100 na web. O que isso significa é que só a escala salva a Google (e o Facebook, que tem o mesmo modelo de negócio). Se não fosse a escala enorme em que estas empresas se movimentam – Google, Facebook, Twitter, etc – qualquer delas seria um insucesso económico. Porque é que não há concorrentes (reais) da Google ou do Facebook ou do Twitter? Já pensaram? É por isso mesmo: porque concorrentes mais pequenos não têm escala para serem rentáveis! Para termos uma noção da situação basta imaginarmos o que seria uma BP ou um Wal-Mart com mais de 800 milhões de clientes! É esta a escala a que operam estes gigantes com pés de barro!

Por isso é um erro dizer que estas empresas estão a mudar o modelo de negócio. Wrong! Elas estão a “pulverizar” o modelo de negócio! Isso sim! Como aliás os media tradicionais sabem muito bem.  É óbvio que elas estão a “desregular” algo, mas não é claro que estejam a “regular” o que quer que seja! Provavelmente ainda iremos descobrir que no futuro os negócios estarão organizados de uma maneira muito diferente. Ou até que não haverá negócios, apenas serviços sem fins lucrativos! Não sabemos como será o futuro. Mas sabemos que provavelmente não é isto que hoje temos: um gigante em cada sector, com uma escala enormíssima e uma rentabilidade minúscula.

O que parece – hoje – é que estes gigantes – Google, Facebook, Twitter — são mais plataformas do que empresas; são mais um serviço público do que um negócio. E é por isso – só por isso! – que esperamos que elas estejam do lado do Bem e não do lado do Mal! E é por isso que tantas vezes nos incomodamos e revoltamos com os seus “termos de serviço” e as suas “políticas de privacidade”. Alguém alguma vez procurou saber quais são os Termos de Serviço e a Política de Privacidade do Pingo Doce?

Isto está mesmo a mudar. Muito e depressa. Não sabemos é para onde!

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Ser Benfica

Não me surpreendem as declarações de Djaló acerca da “grandeza” do Benfica. Nos dias que correm, todo o jogador contratado para a Luz tem que dizer 2 ou 3 frases bombásticas para saírem os jornais. Até os jogadores- com o seu  cérebro pequenino – percebem isso facilmente. O que é interessante é reflectir no que isso diz acerca dos adeptos! Isso é que é interessante!

No Benfica há dois tipos de adeptos: os parolos, que acreditam; e os chicos-espertos, que sabem que eles acreditam! Uns e outros são típicos do clube mais sul-americano de Portugal. Sem ofensa.

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