Já passou algum tempo, mas o caso ainda merece reparo.

Para comemorar os seus 24 anos de existência, a TSF convidou Cavaco Silva para uma entrevista de actualidade. Tratando-se da primeira grande entrevista de Cavaco depois do caso da António Arroio e das polémicas declarações sobre a reforma, seria de esperar que ambos os assuntos fossem abordados. Mas não. Em nenhum ponto da entrevista qualquer dos temas é abordado.

Obviamente podemos especular sobre uma de duas situações. Ou a entrevista já estava marcada e os assessores do presidente trataram de esclarecer previamente que o assunto não seria abordado. Ou a entrevista foi marcada depois dos factos e na condição de o tema não fazer parte do alinhamento. A terceira hipótese – de o jornalista terem optado por não perguntar ou se ter esquecido de o fazer – é absolutamente descabida.

Ora, o mundo dos media está a mudar muito depressa e – nesse quadro – como muitas vezes repete Jeff Jarvis, “a transparência é a nova objectividade”. Neste caso, a transparência é muito… opaca. Seria interessante a TSF esclarecer porque razão não perguntou a Cavaco o que deveria ter perguntado. Mesmo que não o perguntar tivesse sido uma condição prévia para a entrevista.

Olhando para a tendência longa da evolução dos media – e sobretudo para a democratização do acesso que a internet proporciona – são coisas como esta que “matam” os media tradicionais. A TSF deu apenas mais um passo no sentido da sua própria descredibilização.

Digo eu, que ainda sou do tempo em que o slogan da TSF era qualquer coisa como: “Não guardamos informação na gaveta!” Parabéns TSF!

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Como medir audiências?

Recentemente, a CAEM “inventou” um sistema de medição de audiências de televisão para contornar o “zapping” e continuar a “contar” público mesmo quando as pessoas abandonam a sala.

E, de repente, ficou toda a gente escandalizada porque o sistema registava televisores ligados durante 24 horas (obviamente com “audiência” integral),  pessoal que via a SportTv sem ter cabo e uma percentagem não negligenciável de jogos, gravações e canais espanhóis. Enfim, uma série de coisas muito indesejáveis para o sector.

Como as hierarquias de audiências mudaram, obviamente também houve reacções dos que foram prejudicados e um monte de notícias e comentários sobre o assunto que cheiram mesmo a campanha de interesses. Afinal, este é um negócio que vale muito dinheiro. Ainda vale muito dinheiro.

Mas, seja com a GFK, seja com a Marktest, a CAEM em breve chegará a um equilíbrio técnico que permita satisfazer todos os “operadores”, provavelmente com algumas televisões ligadas “quase” 24 horas, sem canais espanhóis e com cabo só para quem o paga. E nessa altura estará tudo bem. Será uma solução de compromisso que permitirá a todos usar os argumentos de que precisam. Entretanto a realidade continuará a ter gente que tem a TV ligada 24 horas por dia, pessoal que vê o cabo sem pagar e canais espanhóis.

É assim sempre que sector de negócio se retrata a si próprio. Retrata-se não como é, mas como gostaria que fosse.

Por uma estranha coincidência, a Zon e a Meo lançaram quase ao mesmo tempo um novo serviço que permite aos assinantes ver os canais contratados no seu computador, no seu tablet ou no seu smartphone. Ao que parece, num caso gratuitamente, no outro com um custo residual só cobrado a partir de 2012.

A ideia parece interessante, mas a pergunta que se impõe pode ser incómoda: se, tecnicamente, tanto a Meo como a Zon podem permitir a visualização dos seus canais no PC, porque não o inverso? Porque não permitir que qualquer conteúdo escolhido no PC seja transmitido no televisor da sala?

Eu respondo: a questão não tem nenhuma limitação técnica e é puramente comercial. As operadoras não o permitem porque não lhes convém! Permitir ver os canais de TV no PC já é em si mesmo uma forma de defesa (e não de ataque, como parece), porque a realidade é que quem quer já vê a maior parte dos canais que interessam no PC.

Mas, mais significativo ainda, a Meo e a Zon não permitem o inverso da sua mais recente proposta comercial porque isso alteraria radicalmente o seu modelo de negócio. Mais precisamente, tornaria abundante aquilo que actualmente é escasso. Só podemos ver nos écrãs “da Zon” ou “da Meo” aquilo que a Zon ou a Meo querem. Se pudéssemos ligar lá os nossos portáteis (eu sei que podemos, mas quero dizer como serviço), poderíamos ver nos “nossos” ecrãs aquilo que nós quiséssemos. E isso seria – será! – uma revolução!

Isso não interessa à Zon nem à Meo. À Zon e à Meo interessa que aquilo que distribuem continue a parecer um bem escasso, porque só sendo escasso poderão por ele cobrar um preço. É claro que essa é uma luta votada ao fracasso, mas enquanto não fracassa, vai-lhes permitindo ganhar dinheiro, muito dinheiro! Pensem assim: o que era a Zon há 20 anos?

Eu sempre trabalhei nos media, do lado da produção de informação, e sempre tive muito respeito pela função social dos jornais e dos jornalistas, em sentido lato. Creio que essa função social não é menor nos dias que correm, embora deva ser reavaliada.

Mas também olhei sempre com muita atenção – e alguma participação – para os novos media: os blogues, as plataformas de video, as redes sociais, etc. E desde cedo me pareceu que havia aqui um potencial de revolução e desregulação enorme, com o qual os media, os jornalistas e a função social dos meios de comunicação social teriam que lidar.

Esses são os antecedentes longínquos desta reflexão. Os antecedentes próximos são uma participação num congresso da WAN-IFRA realizado em Madrid em que o assunto foi aflorado, as reflexões sobre o assunto difícil mas interessante da neutralidade da rede e o frenesim das apps, que ainda decorre.

O que proponho nesta reflexão é um novo modelo de negócio para os media. Um modelo de negócio que permita conciliar os conteúdos “gratuitos” na internet, tal como actualmente os temos, com a remuneração dos conteúdos de qualidade que associamos aos media profissionais e que – muita gente o diz e eu concordo – é necessário para o funcionamento democrático das sociedades complexas.

No modelo de negócios tradicional dos jornais e revistas, o preço pago pelos consumidores pelo jornal ou revista em suporte físico alimentava toda a cadeia de produção: a distribuidora, os transportadores, o papel e, obviamente, os produtores de informação. No modelo de negócios actualmente praticado na internet, as fornecedoras de acesso cobram aos seus clientes uma tarifa assinalável por esse acesso, mas não partilham essas receitas com quem fornece os conteúdos, nomeadamente quando eles são produzidos por estruturas empresariais e profissionais qualificados que não podem subsistir essa remuneração.  Este modelo de negócio explica como é que essa remuneração pode ser feita, por acordo directo entre os media e os fornecedores de acesso, sem que a navegação seja afectada e sem que o consumidor tenha que pagar mais por qualquer conteúdo  (e muito menos negociá-lo caso a caso com cada um dos media que pretende “consumir”).

Subjacente ao modelo de negócio proposto está esta ideia base fundamental: falta inteligência na rede! Com os sistemas de monitorização de que dispomos actualmente não há nenhuma razão para que a rede de distribuição digital não seja suficientemente inteligente para “perceber” que tipo de conteúdos estão a ser processados, em que quantidade e que remuneração lhes deve ser atribuída.

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“The empathic civilization”, por Jeremy Rifkin

Ora aqui está um livro que me deixou muito surpreendido (foi uma compra por impulso…) e que vai certamente ficar na lista reduzida dos mais importantes que li nos últimos anos.

Hoje em dia há muita coisa a mudar muito rapidamente e este livro (não é pequeno, são 600 páginas) fornece explicações para quase tudo. Eu sempre gostei de explicações holistas (desde Hegel…) e não concebo a realidade explicada de outra forma que não seja em todas as suas interdependências.

Claro que, como em todas as explicações holistas, a “civilização empática” de Rifkin tende a ser apresentada como o estado final de evolução da espécie humana (o autor nunca o diz, mas “sente-se” em vários pontos do livro), esquecendo todas as “explicações” anteriores que cometeram o mesmo erro.

A tese fundamental de Jeremy Rifkin (elegantemente explicada neste video aqui em baixo) é que estamos no início de um novo estádio da civilização humana, a que ele chama “civilização empática” e que se caracteriza pela comunhão entre todos os seres humanos, o ambiente e a bioesfera em geral. Argumenta que isso se deve à conjugação de revoluções combinadas nos subsistemas de comunicação (a internet…) e de energia (o fim dos combustíveis fósseis). E que essas mudanças terão consequências a todos os níveis da nossa vida, da sociabilidade à psicologia, da organização política à organização económica, etc. E este é o ponto mais profícuo do livro. Porque o que se sente, ao ler este “The empathic civilization”, é que estamos apenas a começar a vislumbrar todas as formas pelas quais o nosso mundo está a mudar radicalmente. E que todas as coisas que nos deixam perplexos no mundo actual (da manifestação “à rasca” de dia 12 aos movimentos de libertação do Norte de África) já têm ser explicadas à luz de quadros de análise profundamente diferentes (em que o Estado-Nação, por exemplo, desempenha um papel fundamentalmente diferente, mas as estruturas de representação política estão fundamentalmente iguais).

Enfim, este é um livro muito “food for thought” que recomendo a quem se interessa por explicações do mundo que não deixam nada de fora.

O Público anunciou a intenção de passar a cobrar pelos conteúdos online e o comentário de Henrique Monteiro (ex-director do Expresso e actual responsável pelas novas plataformas do grupo Impresa) no Facebook foi: “Não há outro caminho…

Ora, eu tenho sérias dúvidas que dizer que não há outro caminho seja a melhor forma de apontar um caminho… Por razões óbvias! Essa é uma posição essencialmente conservadora em que os jornalistas caem frequentemente quando abordam esta temática. A posição típica dos jornalistas neste debate dá-nos mais uma razão para alimentar a ideia fundamentalmente revolucionária de que não se pode prever o futuro olhando para o passado e que, pelo contrário, provavelmente a melhor forma de compreender o passado (e o fugaz presente, já agora) é olhando para o futuro.

Henrique Monteiro e António Granado estiveram recentemente num interessante debate online organizado pelo Contraditório sobre “O futuro dos jornais – os conteúdos online devem ser pagos pelo leitor?“. Obviamente, o “não” de António Granado ganhou. Mas esse é o resultado óbvio independente da argumentação. Aqui, a posição difícil era – é – a do Henrique Monteiro.

Nesse debate eu contribui com duas ideias:

1. A informação – ao contrário de um peça de fruta ou qualquer outro bem material – não pode ser roubada, pela simples razão de que o conceito de roubo implica que a pessoa roubada seja privada do bem roubado. O que não acontece no caso da informação. É o “princípio wikileaks” e o raciocínio fundamental que está na base dos movimentos anti-copyright (“information wants to be free”, lembram-se…). Ora, se a informação não pode ser roubada, também não pode ser vendida, pelas mesmíssimas razões. Portanto, quando estamos a falar de pagar pela informação online, não estamos a falar de um produto, provavelmente nem sequer de um conteúdo (que tenha uma existência física autónoma); estamos a falar de direitos de autor, ou seja, de copyright. Essa é a razão técnica pela qual não é possível, hoje, implementar uma estratégia paga online com condições de sucesso.

2. Ao contrário do que possa custar a aceitar aos jornalistas, é possível que uma boa parte do seu “valor” tradicional não seja resultado do seu trabalho, mas mero efeito de “gate-keeping”. Na paisagem media pré-digital, o efeito de “gate-keeper” (que está relacionado com a “escassez” do suporte físico jornal) explicava uma boa parte da proposta de valor do jornalismo. Hoje, no mundo digital, a abundância tomou o lugar da escassez e o “gate-keeping” foi… pulverizado. É por isso que vemos tantos “utilizadores” da internet a dizerem que não pagam por informação online. Não pagam porque a informação é abundante (na realidade é até excessivamente abundante, “pedindo” mecanismos de enquadramento e filtragem que, ironicamente, era o que os jornais deviam estar a fazer…) e há um número infinito de canais com um número infinito de solicitações informativas simultâneas. Essa é a razão de mercado para que só em casos muito específicos seja viável cobrar por conteúdos online.

Obviamente, ambas as coisas – as razões técnicas e as razões de mercado – se ligam com a ideia de que há apenas “um único caminho”. Contradizem-na, mais precisamente! Não há apenas um caminho e parece cada vez menos que seja esse!

Moral da história: o jornalismo é um elemento fundamental do funcionamento das sociedades modernas e, provavelmente, a abundância informativa em que vivemos torna-o ainda mais necessário e não menos. Mas o conservadorismo fundamental (para não dizer fundamentalista) da maioria dos jornalistas tende a cegá-los perante a revolução em curso que desfila à sua frente. É inútil pensar que podemos continuar a fazer, daqui a 5 anos, aquilo que fazemos hoje mas num suporte diferente. Isto não é apenas uma mudança de suporte. Isto é uma revolução! E quanto mais depressa o percebermos, mais depressa seremos capazes de “inventar” o papel essencial do jornalismo no admirável mundo novo que aí vem.

The social network

Acabei de vir da ante-estreia do “The Social Network” – “A Rede Social” (Obrigado, Espadinha!), a aguardada “história” não autorizada do Facebook e de Mark Zuckerberg. E há dois ou três aspectos que gostaria de destacar:

1. Gostei do emaranhado da narrativa e da forma como os diálogos, os planos e a trama vão evoluindo de rápidos para lentos. Começa com um ritmo tão frenético que quase custa a acompanhar e termina, simbolicamente, com um longo plano de Zukerberg frente ao computador. É uma espécie de desconstrução e decomposição do ritmo acelerado da realidade de forma a permitir-nos focar-mo-nos nos seus componentes de base. Bom.

2. Uma das mensagens fortes do filme – mais uma vez simbolizada no plano final – é a enésima representação do aforismo “it’s lonely at the top”.  Não é o primeiro nem será o último filme a fazê-lo. Tantos acontecimentos depois, Zuckerberg acaba tão sozinho como começou e a pedir amizade à ex-namorada em nome de quem tudo começou. O vencedor está sempre sozinho, mesmo quando está rodeado de gente. Essa é a grande ironia do sucesso.

3. Outra das mensagens fortes do filme é esta: o sucesso só é atingível com persistência. Uma ideia realmente boa merece antes de tudo o respeito de nela persistirmos.  No filme, Zuckerberg perde namoradas, amigos e até ídolos para conseguir materializar aquilo que ao longo de boa parte do filme não passa de uma “boa ideia”. Mas consegue! Uma lição para todos nós.

4. Este é um filme sobre “nerdness”. Afinal o que é um “nerd” informático? A resposta está no filme. É preciso perceber – para quem ainda não percebeu -que um “nerd” da informática programa (digo eu que não sei código…) com o mesmo envolvimento com que um poeta escreve poemas ou um pintor pinta quadros. Não sei se o episódio é verídico, mas é por isso que Zuckerberg diz que criou um programa para a Microsoft ainda na adolescência e que fez o respectivo upload “porque sim”.  Um poeta escreve poemas mesmo que ninguém os publique. Um programador programa mesmo que seja só pelo gozo de fazer coisas. É esse “gozo” que transparece no filme e dá a mais completa definição do que é um “nerd”. É preciso perceber isso para perceber o estado actual da indústria informática.

5. É impressão minha ou a determinado ponto traduziram “Linux” por “Linus”? Daah!

(adenda) Outra coisa: É interessante (não disse significativo, disse apenas interessante) que a maior rede social do nosso tempo tenha sido inventada por um inepto social. É incontornável que isso diga algo sobre a sua rede (mais precisamente que está “em vez de”, a maior crítica que lhe é feita, e que aliás o filme também veicula), mas, sobretudo, questiona-nos sobre a natureza destas redes sociais face às redes cara-a-cara e sobre a relação entre as duas. Estes é um fenómeno que – parece-me – ainda está por compreender na sua plenitude.

A imprensa desportiva em Portugal

Debatendo o estado da imprensa desportiva em Portugal, já por várias vezes me tenho lembrado deste episódio sem conseguir exactamente identificar a época, o contexto ou o mesmo a identificação do director em causa.

Felizmente, José Diogo Quintela, numa crónica no jornal A Bola de hoje, recupera a história e permite fazer o respectivo enquadramento. Refere-se a umas semanas durante 2006 em que os jornais generalistas traziam todos os dias notícias relativas ao processo Apito Dourado (nalguns casos com referências às escutas) e os jornais desportivos não lhe dedicavam nem uma linha. Obviamente, toda gente achava isso muito estranho e atribuía o facto à promiscuidade existente entre os jornais desportivos e o sistema “futebol”.

Eis como José Diogo Quintela recupera o episódio:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“AP” é Alexandre Pais, director do Record nessa altura e ainda hoje. E o que ele disse, em editorial do jornal, foi que o Record não podia morder a mão que lhe dá de comer. Obviamente nesse dia a imprensa desportiva morreu em Portugal. Bateu no fundo.

Para que não me volte a falhar a memória em algo tão importante, aqui fica o respectivo registo histórico. Tenho pena de não ter guardado esse jornal. É verdade que na época já não lia jornais desportivos porque pressentia o que o director do Record (e que é extensível aos outros jornais desportivos, sem excepção) viria a pôr preto no branco, mas ainda assim gostaria de ter guardado o jornal. Ultrapassando a morbidez do acto em nome da memória histórica do mesmo. Aqui fica.

Google: the new media mogul

Nobody really knows why Google partnered with Verizon with such a blast. The text of the proposal is confusing (you have to read it three times to figure out you can’t figure it out…) and all the alleged reasons commentators and bloggers are advancing are nothing more really than speculation. I guess we will have to wait a couple of weeks to ear some clearer explanation – possibly from the founders themselves – on why Google took such a move. That will be a clarifying moment.

We may not know the reasons why Google chose this path, but we can be pretty sure that it was a careful meditated stand. Why? It’s so obviously “un-google”, so contrary to its recent history, to its core values and even to its motto, that it is impossible do have been taken lightly. Google most surely must have thought deeply about this decision and its consequences before moving on. It’s impossible to have not foreseen all de shock waves something like this would provoke. We don’t know what Google is doing, but – rest assured – Google knows what is doing! That’s why I’m so curious to fully understand what it is.

It’s true that Google is an engineering company, but it has proven to be a very intelligent one. There’s more than enough intelligence in the company to allow us to understand this decision, whatever the reasons, as a strategic move to position itself favorably in the future media landscape (if we can even call it “media”…). And that is what really interests me.

It’s pretty obvious that traditional media have had its days and that few, if any, will be able to make the shift to the new media world unfolding before them. I should know because I’m a traditional media guy. Not only the actors will be different, also its role will change. Will there be content companies like a newspaper, a magazine or a TV station? Will regular people be producers of information or entertainment as well as consumers? Will there be such a thing as a social consumption of information content? What is going to be the balance between the producers of the content and its distributors? These are just a minor fraction of the numerous questions all media companies are (or should be…) asking themselves. Well, there you go, an answer to some or even all of these questions is implicit in this strategic move by Google. And, once we know or understand its reasons, we will know what those answers are. In a way (even somewhat ironical…) Google is really answering the question Jeff Jarvis put: “What would Google do?”. Well, apparently, this is what Google would do to prepare itself for the future media landscape. The vision of what landscape is that is the most valuable piece of information and understanding we can all derive from this sudden and confusing upheaval.

Apesar do antetítulo um pouco rídiculo – “Um dos 25 grandes pensadores do mundo inteiro (“25”??? “do mundo inteiro”???), este livro, uma recomendação do Carlos Magno do Contraditório,   foi para mim uma agradável surpresa: arrojado, holístico e arejado nas ideias. E utópico, obviamente (o que seria da vida sem utopias?).

Eis alguns sublinhados:

“Já não é permitido falar de classes, mas a referência pejorativa à classe política é um dos tópicos mais úteis quando alguém deseja poupar o esforço de reflectir sobre como funcionam as nossas democracias”.

“Os políticos fazem mal o que ninguém faz melhor que eles”.

“Se existe representação, é porque o povo é uma realidade suficientemente complexa  para que nenhuma das suas manifestações (…) o possa resumir de maneira satisfatória”.

“Do mesmo modo que as tradições constituem um fundo habitualmente não tematizado  de usos e costumes, os meios de comunicação fornecem um senso comum social cuja imposição é dificilmente perceptível.  A agenda dos meios de comunicação equivale, nas sociedades desenvolvidas, à nova tradição: temas, juízos e esquemas estabelecidos como tácitos e comuns”.

É interessante notar, como consequência desta ideia, que, nas nossas sociedades, muito mais facilmente identificamos  as diversidades do que as uniformidades, quando na realidade são estas e não aquelas que determinam o nosso discurso colectivos. A este título, o funcionamento dos media é exemplar.

“As cidades tornaram-se por isso centros de inovação e assumiram o protagonismo cultural e político nos processo de modernização. A cultura urbana que gradualmente se formou com o aparecimento das cidades é uma mistura específica de estruturas sociais, políticas e económicas”.

De certa forma, a civilização digital globalizada está para a cultura urbana como a civilização urbana está para a civilização rural. É impossível não suspeitar que estamos no limiar de uma viragem civilizacional da maior importância.

“(…) o próprio da grande cidade era a polaridade do público e do privado, em comparação com a indistinção desses dois espaços que caracteriza a vida rural. (…) Neste sentido, podemos afirmar que, por efeito da urbanização, dessa configuração de espaços públicos surge para os indivíduos uma verdadeira vida privada”.

“O espaço público desaparece sob o domínio privado, tanto no extremo mais exclusivo como no mais excluidor. Por um lado há os bairros de exclusão e sem lei; por outro, os espaços comerciais e recreativos de acesso restrito  e as «comunidades cercadas», com os seus sistemas de vigilância e segurança. Poderíamos concluir que o actual espaço público são as vias de trânsito: meros lugares de passagem, simples instrumentos de deslocação”.

“Quando se abandona o modelo centro/periferia, quando o centro está em toda a parte, a implantação local muda de estatuto; cada ponto é um centro nas múltiplas intersecções da rede. Cada ponto local implica a rede global; reciprocamente, esta não é nada sem a multiplicidade dos lugares singulares. As sociedades modernas não necessitam de centralidade espacial. É importante compreender isto para conceber o novo espaço público”.

“A nossa identidade é um assunto histórico e não um acto da vontade. O facto de a identidade ser o resultado de uma acção consciente, de um plano destinado a conseguir precisamente esse produto”.

“(…) boa parte das actuais reflexões acerca [do bem comum] surge precisamente da insatisfação perante um modelo de articulação dos interesses privados com os interesses públicos excessivamente elementar, pouco adequado às actuais transformações sociais”.

A propósito do queijo limiano:

“Só um conceito [como Bem Comum] pode justificar uma visão mais elaborada da política e evitar que os políticos se limitem a beneficiar as suas clientelas como se fossem simples mandatários do seu eleitorado imediato.”

“Vivemos numa época em que o poder político – os estados e os governos – se vêm em apuros perante dificuldades não menos graves que aquelas que, nas origens da era moderna, acompanharam os eu processo constitutivo. A política é fraca perante a poderosa competição dos fluxos financeiros e dos poderes da comunicação social; o seu espaço próprio perde-se nos formatos inéditos da globalização e perante as particulares exigências dos processos de individualização”.

“O estado terá de tornar-se mais cooperativo – o que não equivale a mínimo – se não quiser tornar-se irrelevante. À vista de tais dificuldades, o estado e a política têm de procurar formas alternativas de configurar o espaço social, novas formas de governo”.

“Contrabalançar a dinâmica centrífuga dos sistemas diferenciados constitui o verdadeiro problema de política numa sociedade complexa. A tarefa fundamental da política e do estado na sociedade do conhecimento é a coordenação e mediação dos sistemas sociais, tão complexos, experientes e dinâmicos que excluem o comando estatal autoritário”.

“O que se esgotou não foi a política, mas uma determinada forma da política: em concreto, aquela que corresponde à era da sociedade territorialmente delimitada e politicamente integrada.”

“Neste sentido, governar pode ser caracterizado como a combinação de menos estado e mais política. A novidade desta combinação consiste em ser uma verdadeira alternativa para as conhecidas concepções do estado mínimo (menos estado e mais política) e do estado social tecnocrático e autoritário (mais estado e menos política).”

“A globalização económica é repelida pela maioria dos seus críticos, ao passo que mais ou menos todos eles seriam a favor da mundialização da educação, da solidariedade ou da informação. Boa parte do desgoverno económico provém de o mundo não estar, por assim dizer, suficientemente globalizado e de aquilo que é vendido em zonas de grande consumo poder ser produzido em sítios onde não há direitos sindicais.”

“A verdadeira urgência do nosso tempo consiste em cosmopolitizar a globalização. Sempre assim aconteceu ao longo da história; um dos seus vectores de progresso tem sido precisamente o politizar, isto é, transformar âmbitos que estavam confinados à «naturalidade» (da tradição, da autoridade e da imposição) em questões sobre as quais se deve discutir e chegar a acordo: do trabalho doméstico à relações internacionais, passando pelos diversos códigos de comportamento ou pelas formas de organização social. Todos os impulsos democratizadores partiram do escândalo de haver decisões vinculativas que não tinham sido tomadas por todos. E assim acontece também no caso da mundialização.”

“O processo político de integração europeia é uma resposta inédita – e talvez um dia exemplar – às circunstâncias que hoje condicionam o exercício da soberania no mundo.”

” (…) uma Europa cosmopolita é hoje a última utopia política efectiva.”

Last.fm adopta modelo pago

Isto é realmente uma péssima notícia, da qual só agora tomei conhecimento.

Se tivesse que eleger um site, de todos os que conheço, que , na minha opinião, corporiza o melhor da internet, provavelmente seria este.

Agora, menos de um ano depois de ter sido comprado pela CBS, o Last.fm vem anunciar que, devido a questões de direitos, terá que passar a ser pago fora dos EUA, Reino Unido e Alemanha.

A explicação para esta distinção entre o “primeiro mundo” e o “resto do mundo” já é bastante estranha: alegam que só têm serviços de vendas de publicidade nesses mercados e que só nesses países conseguem gerar rendimentos publicitários suficientes para pagar os direitos de autor das músicas. Isto significa que não querem que os visitantes de países “terceiros” desfrutem de um serviço que eles não conseguem monetizar, mesmo sem custos adicionais relevantes.  O que é bastante mesquinho. Claramente não se trata de uma situação em que o serviço não pudesse continuar como está; trata-se obviamente de uma situação em que os novos donos procuram novas formas de ganhar mais dinheiro com um site de sucesso.

E é aqui que bate o ponto, como diz o povo. Eu já recomendei muitas vezes o Last.fm e não sei quantos novos ouvintes angariei para esta “rádio” online. Trata-se, repito, do melhor site do mundo, na minha opinião. Mas obviamente não pagarei os míseros 3 dólares por mês que  irá custar. Por uma questão de princípio. Primeiro porque a explicação para o “uns” e “outros”  não apaga a injustiça de base. Segundo, porque  o modelo de negócio não pode ser este; tem que ser outro. Algo que a CBS irá certamente descobrir dentro de pouco tempo (dou-lhe um ano ou menos).

Portanto, tenho pena da CBS, cujas “vistas curtas” nasta matéria são tipicas dos grandes media e não pressagiam nada de bom para eles, e tneho algum desprezo pelso fundadores do site, que se aburguesaram e  quiseram “engordar” à conta do site que tão excelentemente produziram. Espero que estejam envergionhados do que fizeram!

Nós, os utilizadores da internet, conitnuaremos com a nossa vida e rapidamente encontraremos um substitutuo para o last.fm (play.fm, spotify.com e grovveshark.com são alguns dos candidatos). Será que o CBS também irá comprar algum deles? Isso não sei, mas uma coisa sei: o dinherio da CBS há-de acabar um dia…

15 minutos

“Hei, senhor Samir, dê-me 15 minutos do seu tempo e verá o que eu tenho para lhe mostrar em troca!”

A frase, um dos muitos sound-bites que se pode tirar desta pequena mas intensa entrevista de Rex Hammock a Samir Husni, o “Sr. Revista“, resume todo um programa de reacção à crise para as pessoas dos media. Na verdade, tudo se resume simplesmente a isso: conseguir retribuir condignamente os 15 minutos  que têm o privilégio de receber deve ser a maior ambição dos media.

Aliás, depois de Warhol, é muito curiosa – e irónica – esta inversão de perspectiva.

O video da entrevista de Samir Husni está aqui (via Foliomag)

Sobre a Feira do Livro

Sobre a polémica da Feira do Livro tenho apena duas dúvidas: um pequena e uma grande.

Uma pequena dúvida: Porque razão é que a CML se pôs do lado da Leya? Foi apenas por “respeito” por uma grande “empresa” ou foi por algo mais. Foi apenas porque não quis afrontar um major player económico, ou foi por alguma das outras razões que costumam ligar as empresas e a política.

Uma grande dúvida: Que raio leva um empresário como Pais do Amaral a decidir investir nos livros? Nos livros???  Por favor… Os negócios de Pais do Amaral antes eram na televisão!!! Fazia sentido que ele investisse no futebol, na medicina privada,  no turismo para a terceira idade, nos telemóveis, etc. Mas… nos livros? Não entendo. Percebo que tem havido alguma recomposição da paisagem da edição no nosso país (a “modernidade” chegou com os livros de Cristiano Ronaldo, Carolina, Bobona e afins) e não percebo porque razão é que os livros não hão-de ser um negócio como qualquer outro. Mas serão mesmo um negócio de futuro? Pelos vistos Pais do Amaral acha que sim e eu continuo  convencido que não.  Se calhar é por isso que ele é empresário e eu sou assalariado…

Sobre a Feira do Livro propriamente dita, se finalmente se realizar, claro que vou visitar,  como todos os anos. Mas vou fazer questão de não ir aos stands do grupo Leya. Por causa da prepotência!

O fim da periodicidade

Em mais um dos seus lançamentos de extensão de marca, a Visão anunciou a edição da Visão Link, que será distribuída pela primeira vez com a Visão do próximo dia 21 de Maio.

A publicação em si é interessante, mas o que despertou a minha atenção foi o facto de – apesar de a primeira capa trazer a inscrição ”Maio 2008″ – os seus responsáveis afirmarem que a nova publicação não tem uma periocidade fixa.

Não sei até que ponto isto é uma estratégia ou apenas uma forma de defesa, mas suscita uma reflexão: que sentido faz hoje em dia a periodicidade dos media?

É fácil perceber que, desde que existem jornais e revistas, a periodicidade não é mais do que a marcação dadata e hora de um encontro entre o media e o leitor num lugar específico, o quiosque. É por causa da periodicidade que sabemos que devemos is buscar a revista mensal no final do mês (ou no meio ou mesmo início do mês…), a semanal num dado dia da semana e o diário pela manhã ou  pela tarde, consoante seja um matutino ou um vespertino.  Isso, naturalmente, faz sentido num mundo de informação escassa, mas faz muito menos sentido num mundo de informação abundante. Se, na paisagem de media clássica o máximo a que podíamos aspirar era um jornal diário, talvez complementado por uma revista semanal ou mensal, hoje temos inúmeros canais de informação em fluxo permanente (ou ou informação permanentemente disponível), na maior parte dos casos em luta feroz pela nossa atenção. Neste quadro, a periodicidade dos media não é mais do que um resquício do passado, um daqueles elementos estruturantes da paisagem dos media que temos que nos habituar que vai desaparecer em breve, como a relação jornalista-leitor e outros. Tal como não faz qualquer sentido colocar informações num site de internet a horas ou dias específicos, também não é razoável, no mundo de hoje, esperar por um dia certo do mês para lançar um revista. O que faz sentido, sobretudo nas periodicidades mais espaçadas, é lançar um novo suporte quendo há condições para o fazer rentavelmente (equilibrando produção de informação para fazer o número de páginas suficiente e retorno suficiente para pagar os respectivos custos). Dificilmente isso acontece a uma cadência mensal regular ao longo de todo o ano (aliás, há muitas revistas que não são lançadas em Agosto, por exemplo), ou mesmo a uma cadência regular na semana. Quantas vezes terá uma newsmagazine tido “vontade” de publicar um novo número a meio da sua semana por causa de um acontecimento extraórdinário? Como de resto foi feito muitas vezes. Hoje isso faz mais sentido do que nunca e deve ser regra em vez de excepção.

Não sei se subjacente à a-periodicidade da Visão Linke está um raciocíonio deste tipo (duvido…), mas suspeito que tenderemos conviver com mais casos deste no futuro.

Campanha inovadora

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Esta campanha, criada pela Draft FCB e produzida pela Garage para promover as Gamebox (bilhetes de época) do Sporting, está realmente espectacular e ilustra bem o tipo de interactividade que pode resultar da utilização destes meios. O filme pede a introdução de alguns dados pessoais iniciais e depois interage com o visitante/adepto em função desses dados. Mais personalizado é difícil.

(notícia Meios & Publicidade)

Olhos nos olhos

A CNN teve a infeliz ideia – parece que o fazem de 3 em 3 anos - de convidar Michael Moore para um directo em estúdio a propósito do lançamento do seu novo filme Sicko.  Moore aproveitou a oportunidade para dizer olhos nos olhos o que devia ser dito à  CNN e a todos os grandes media americanos:

“Why don’t you tell the truth to the american people. I wish that CNN and the other mainstream media would just for once tell the truth about what’s going on in this country, whether it’s about health care – I don’t care what it is – you guys have such a poor track record. (…) You are the ones that are forging the facts. You’ve forged the facts to the american people for I don’t know how long, about this issue, about the war. I’m just curious: when are you going to stand there anda apologise to the american people for not bringing the truth to them that isn’t sponsored by some major corporation. I’ll seat here for as long as it takes.”

Vale a pena ver:

A questão e mesmo a indignação de Michael Moore são muito pertinentes e vão ao encontro do que é também o essencial do mais recente livro de Al Gore, The Assault on Reason (que espero que a Amazon me entregue rapidamente…). Os media falharam historicamente no seu papel nos últimos anos. Simplesmente não fizeram as perguntas certas quando o deviam ter feito porque estavam demasiado comprometidos. E o resultado está à  vista. Ao deslocar o enfoque para os media e para a forma como o “quarto poder” falhou rotundamente em fazer o que lhe competia, Moore e Gore, elevam a análise para o patamar acima e provavelmente ficam mais perto da verdade.