O futuro das revistas

O futuro dos media impressos é incerto, mas, passe por onde passar, estes são dois bons exemplos de estratégias interessantes, que não conhecia e descobri recentemente numa visita a França. Não sei quais os resultados reais de cada uma destas estratégias, mas parecem-me dois passos no caminho certo.

attitude.jpg A Attitude Rugby é uma revista mensal dedicada ao Rugby, na qual o lado estético e emocional do jogo é o que mais interessa. As fotos são muito cuidadas, as reportagens são extremamente elaboradas e a abordagem é sempre pelo lado humano. Há imagens de acção, claro, mas são uma minoria. Assim, a Attitude Rugby consegue levar ao leitor fiel de Rugby um “pacote” diferente daquele a que ele tem acesso nos sites de internet, ou nos jornais desportivos ou mesmo nos semanários sobre o tema. Aqui a actualidade é residual, e o que importa é a abordagem criativa dos assuntos e o aprofundamento das matérias. O papel é de alta qualidade e o site cumpre os mínimos (é discutível que tenha que fazer mais do que isso).

Não conheço nada da realidade do Rugby em França nem sou particularmente adepto do desporto, mas depois de folhear a Attitude fiquei com vontade de o ser. Se existisse uma revista destas em Portugal não tenho dúvidas de que seria comprador esporádico. Imagino o gesto cool que seria abrir e folhear a Attitude na esplana do clube antes de um jogo importante. Diz algo sobre quem lê. E isso é talvez o mais importante.

Perante a crise da imprensa alguém disse há pouco tempo que, provavelmente, “the last print media standing will be a magazine“. A Attitude Rugby ilustra bem essa previsão.

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O outro exemplo é a Sport, uma revista semanal de distribuição gratuita sobre todos os desportos. Trata de actualidades, com uma leitura leve, mas o desenho típico de uma revista, com muitas infografias e leitura fácil. O papel é reciclado para ser barato e a distribuição é nacional.

Mas o que realmente se destaca nesta revista é o facto de estar associada a um supersite – myfreesport - com várias ligações com a edição em papel. Neste site há notícias na hora, há videos, há complementos à edição de papel, há todas as informações úteis, há temáticas de lazer (como na revista), há uma comunidade bem construída onde os próprios leitores podem criar os seus blogues. Enfim, tudo para que na realidade a edição de papel seja… um complemento do site. Além disso há também a possibilidade de descarregar em PDF a edição corrente assim como todas as anteriores (Pauleta já foi capa). Não tem vendas em banca, é certo, mas no conjunto do site e da edição em papel vive inteiramente de uma facturação publicitária que deve ser  importante.

Não acompanho a realidade desportiva francesa e não conheço a maior parte das pessoas e assuntos que são notícia na edição que folheei (excepto Zidane), mas se uma revista/site semelhante existissem em Portugal, certamente seria cliente e – à borla – era capaz de estacionar o carro de manhã de propósito para ir buscar um exemplar da Sport. Depois, quando chegasse ao emprego, quase de certeza que quereria ver online o video do tema que me despertou interesse ou comentá-lo no meu blogue desportivo. Eis como se faz um semanário temático na era da web 2.0!

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O culto do amador

cultamateur.jpgDescobri este livro numa referência do Engrenagem já com algum tempo. Mas vale a pena recuperar a recomendação: trata-se de um contraponto ao aparente unanimismo acerca do “culto” do amadorismo nos conteúdos dos novos media. Curiosamente – e talvez isso torne este contraponto ainda mais interessante – feito por alguém ligado aos novos media. 

Se tivéssemos que escolher alguém para debater com Andrew Keen, provavelmente seria Chis Anderson. Nem de propósito, os dois foram reunidos em debate pelo San Francisco Chronicle, num evento que deu origem a um podcast (parte 1 e parte 2).

 Vale a pena ler/ouvir, assim como vale a pena fazer desde já a encomenda do livro, cuja publicação nacional parace neste momento um incógnita.

Sobre o futuro dos media

Sobre o futuro dos media, vale a pena ouvir esta sequência de dois podcasts (1 e 2) que retratam uma espécie de mesa redonda organizada por Eric Schartzmann, do On the Record… Online, com um punhado de representantes dos media tradicionais. Como habitualmente neste debates, emergem mais perguntas do que respostas (o que é sintomátrico…), mas no geral abordam-se aqui algumas matérias bem interessantes para os profissionais dos media.

O futuro das revistas

monkey.jpgEditada pela Dennis Media, a Monkey Magazine é uma revista masculina semanal que só existe online e é inteiramente grátis. Mas o que realmente a torna diferente é a forma como, com o processamento da Ceros Media (que adiciona aos PDFs do editor outros media que se lhe queiram juntar) e alojada nos sesu servidores, proporciona uma experiência completamente inovadora quando é “folheada”, não só para os leitores como também para os anunciantes.

Não tenho dúvidas: um dia todas as “revistas” serão assim. Pelo menos em parte…

The Newsroom é o adequado nome de uma plataforma noticiosa que reúne videos de várias agências (AP, Reuters, Newscom) e os disponibiliza, devidamente licenciados, para utilização em sites particulares ou blogues. Basta clicar no botão “mash” ao lado de cada video/notícia para gerar um código HTML que pode ser embebido no nosso site. É mais um passo no sentido da recomposição da paisagem dos media, com os fornecedores tradicionais a aproximarem-se do estilo YouTube e aderindo aos mash-ups. Helder Bastos, do Travessias Digitais – que deu a dica – chama-lhe, muito acertadamente, “uma espécie de News Tube”.

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Na procura de um novo modelo de negócio para os media, o Social Media de J.D. Lasica cita um artigo da Always On  (parte 1 e parte 2) sobre um estudo do Institute for Business Value da IBM (sumário aqui e PDF integral aqui) que descreve um conflito aberto entre os velhos e os novos media, antevê um choque de estratégias entre os distribuidores e os produtores de conteúdo e aponta dez conselhos para as empresas actuais. No horizonte estão perdas de milhões para esta indústria.

O fim da Webpage

Widgets are killing the Webpage. It is time to go to something else. We are entering the widget economy. We are going there no matter what.”

Tariq Krimm, CEO da Netvibes, em entrevista ao The.next.net

(via BloggersBlog)

Uma excelente ocasião para voltar a  chamar a atenção (e recomendar vivamente!!!) o Netvibes (que, por curiosidade,  é uma start-up francesa). Talvez o melhor exemplo do que é uma plataforma web 2.0 ou do que será no futuro a economia dos widgets.  Os módulos – widgets – estão constantemente a nascer, aqui.

É curioso que, logo agora que a indústria começava a “descobrir” como fazer dinheiro na internet (via Buzzmachine, com passagem pelo Atrium), surge no horizonte uma ameaça à própria webpage. A revolução realmente não pára e estou cada vez mais convencido que não é profunda, é profundíssima. Quando as empresas descobrirem como ganhar dinheiro na internet, já os potenciais clientes estarão a migrar para ambientes widget sem publicidade. No panorama actual, as empresas continuam a olhar para as webpages mais ou menos da mesma forma que olhavam para os media tradicionais. Primeiro, elas não são capazes de gerar o mesmo retorno; e, segundo, não vão estar cá por muito tempo.  Pode muito bem ser o fim da indústria dos media como um todo!

The Politico

O The Politico é um novo media de cobertura da actualidade política de Washington que vai ser lançado no próximo dia 23, com a particularidade de ser multiplataforma: terá um site online, terá uma edição (penso que gratuita) em papel chamada The Capitol Leader e um programa de televisão na WJLA-TV, filial da ABC.

O facto de ser, desde o início, pensado para uma plataforma multimédia e contar com o contributo de muitos jornalistas de sólida reputação construída nos jornais, assim convertidos aos new media (“é mais arriscado ficar nos jornais do que entrar em algo de novo“, disse um deles): eis o que torna este projecto interessante de acompanhar. O futuro dos media passa certamente por projectos semelhantes a este.

(descoberto no suplemento Dia D – sem link – do Público e citado no Jornalismo & Internet e no Cyberjournalist.)

PR Newswire com Technorati

A PR Newswire, uma canal de distribuição de notícias sobre produtos e serviços vai passar a incluír nos seus press releases um link que permite fazer o tracking dos comentários suscitados em blogues atraveés do Technorati. Em termos técnicos não é nada que não se possa fazer já, mas em termos institucionais marca a primeira associação da Tecnhorati a um canal institucional de divulgação de informações.  É a convergência entre dois mundos.

(dica BloggersBlog)

Segundo um relatório da Deloitte citado pela Reuters, os media tradicionais estão na posição ideal para aproveitar os conteúdos gerados pelos utilizadores, pelo que estes devem ser vistos como uma oportunidade e não como uma ameaça.

(via Atrium)