Henrique Monteiro partilhou este artigo de Jan-Werner Mueller publicado no diário Público acerca da crise europeia, da história do século XX e do que pode ser o futuro da democracia.

O artigo é muito interessante e tem a coragem de ter mais perguntas que respostas. Mais dúvidas do que certezas.  Esse é um bom princípio. O futuro da política permanece uma grande incógnita. Fazer perguntas é a primeira condição para sobre ela fazer luz.

Sobre este artigo isto foi o que comentei:

Eu sempre achei muito interessante o conceito de “fim da história” de Fukuyama e sempre me pareceu que ele foi tomado demasiado literalmente. O que acabou quando Fukuyama disse que tinha acabado não foi “a história” mas sim um paradigma histórico. A geopolítica mudou muito desde que deixaram de existir dois blocos com capacidade de aniquilação mútua. A emergência de novas potências intermédias foi uma das (muitas) coisas que o “fim da história” tornou possível. E o nosso mundo, hoje, é em boa parte uma decorrência disso. Até a crise económica euro-americana.
Mas o mundo ocidental debate-se com problemas próprios que não decorrem do “fim” dessa história, mas – parece-me – do “princípio” da próxima. É muito pouco provável que as mudanças tecnológicas que se têm registado no nosso mundo – nomeadamente em termos abundância e instantaneidade de informação – não tenham consequências no processo de mediação e representação política. E é isso que verdadeiramente este artigo aborda, nas entrelinhas. Nós achamos que não nos sentimos representados pelos actuais políticos, mas na realidade não nos sentimos representados é pela actual política, entendida como o conjunto de mecanismos e instituições que definem o nosso caminho colectivo.
Eu já li vários livros à procura de uma resposta para essa questão, mas ainda não encontrei um único cuja resposta, sinceramente, me pareça satisfatória. Neste aspecto, acho que estamos todos apenas a arranhar a superfície do problema. Mas é uma questão desarmante e desafiante. E muito pertinente(…)!

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