Na sua página no Facebook, José Manuel Fernandes comenta as sondagens de hoje, que indicam uma descolagem do PSD em relação ao PS, e conclui com esta frase “assassina: “Já só faltam seis dias“.

Já só faltam seis dias” – deduz-se – para que consigam “correr com Sócrates”. A frase nada teria de extraordinário se fosse proferida por um militante do PSD ou mesmo por um cidadão comum sem partido. Mas, num jornalista (e sobretudo num jornalista que foi durante a maior parte dos mandatos de Sócrates director do mais importante diário português) a frase diz muito mais do que devia.  Diz, basicamente, que José Manuel Fernandes acha que o fim político de Sócrates é uma dádiva para o país. Como cidadão, tem direito à sua opinião. Mas, como jornalista e director de jornal, essa opinião lança alguma luz sobre a obsessão com que sempre perseguiu Sócrates e o socratismo. Numa altura em que fazemos as suas exéquias, também será interessante observar o júbilo de alguns jornalistas e comentadores da nossa praça e meditar na influência que terão tido no desfecho final desta história.

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A Alemanha “comprou” Portugal

A Alemanha “comprou” Portugal! Ou achávamos, porventura, que os fundos europeus que nós desperdiçámos vinham a custo zero? A Troika não é mais do que o cobrador do fraque da Angela Merkl! A questão é o que é que o povo português vai fazer quanto a isso. E nem sequer são precisas revoluções ou manifestações de rua; por uma feliz coincidência vamos votar para decidir o que fazer e já sabemos com clareza tudo o que precisamos saber. Esta eleição é afinal um referendo à Troika e, implicitamente, à nossa vontade de independência. E temo o pior!

A eleições de 5 de Junho serão certamente as eleições menos democráticas de sempre na história da democracia portuguesa.

Porquê? Por duas razões. A primeira é que já existe um programa de governo mesmo antes da realização das eleições.  Quem quer que seja eleito para o próximo governo, não vai fazer nem mais nem menos do que aplicar o programa da “troika”. Ou seja, tudo aquilo que os candidatos disserem em campanha eleitoral é irrelevante. As ideias são despropositadas e os programas não podem ser outros do que aqueles que estão escritos no documento da “troika”. Não há posições mais à esquerda ou mais à direita; aquelas que forem esgrimidas em campanha são “areia para os olhos” dos eleitores. Não vai haver uma governo tendencialmente mais à direita ou um governo mais à esquerda, seja liderado pelo PSD ou pelo PS. O que vamos eleger no dia 5 de Junho são os “funcionários” que vão executar um plano que já está traçado. E mesmo que alguns candidatos falem em medidas “alternativas” ou “adicionais”, isso não passa de falácias: aquilo que interessa está decidido e o que não está incluído no acordo só será permitido se não o beliscar. Ou seja, se for… irrelevante.

Mas há outra razão pela qual a próxima eleição será a menos democrática de sempre da história democrática portuguesa. É que temos esta circunstância original de três partidos concorrentes às eleições – PS, PSD e PP – já terem dado o seu acordo ao programa de governo, contra outros que se recusaram a fazê-lo – nomeadamente o BE e o PCP. Isto significa que também já sabemos, em parte, quem é que vai ser governo. Só não sabemos se sozinho ou acompanhado, por um ou por dois outros partidos.

Tudo isto é muito pouco para votar numas eleições legislativas!

Na verdade, bem vistas as coisas, só há – de facto! – dois partidos concorrentes às próximas eleições: o partido do FMI e o partido contra o FMI. Qualquer voto num dos 3 partidos do chamado “arco governativo” é um voto a favor do FMI e é irrelevante na sua distribuição, pelas razões expostas acima. E qualquer voto em qualquer dos restantes partidos será um voto contra o FMI e igualmente irrelevante na sua distribuição. Esta será, de certa forma, a única escolha democrática que está realmente em causa. O “partido do FMI” conseguirá um bom resultado se conseguir uma maioria estável, qualquer que seja a combinação partidária. O “partido anti-FMI”, por seu lado, terá um bom resultado se conseguir impedir essa maioria. O primeiro objectivo é fácil; o segundo é quase impossível. Mas é, realmente, o único que é politicamente relevante.

Will online news revenue ever reach that of printed news?

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This infographic published in Paidcontent.org (and made by Scout Analytics) is very interesting in various ways.

First because it reflects one of the greatest changes the media landscape has suffered ir recent years (and is still experiencing): the current abundance of information as opposed to its previous scarcity has the effect or lowering the value of each information unit. That is the most solid argument against the possibility of the media ever discovering an alternatively sucessful business model. The problem is that argument departs from the assumption that the social role of the media would be the same in a new information environment. It will not! Maybe the social role of the media in the new world of abundant information will no longer be to carry scarce and valuable information but rather to filter and curate the referred abundance of information, which may turn out to be just as valuable. We’re not sure that is the way we’re heading, but we cannot also be sure it insn’t.

Secondly, that infographic draws its conclusions from the comparison between a reality in which media use printed paper to carry information and another reality in which they use digital processing. The two realities simply aren’t comparable. Why? Because one is “intelligent” and the other isn’t hardly as much (per comparison, it may well be considered “dumb”). The digital processing and distribution of information has been made possible by advancements in science that could not be forseen. Why would not the same advancements in science allow an “intelligent” and efficient allocation of revenue to the bits and pieces of information that flow through the web? If we can control that information in a greater number of its variables why would we not be able to control its cost and attribute its correspondent revenue? We don’t do it today, but I see no reason why we should not do it tomorow. And, of course, on that day the link between the production of content and its monetization will again be established, now in the digital world.