O problema da direita portuguesa é que não há ideologia na direita portuguesa. Como as movimentações para as presidenciais amplamente demonstram. Nos últimos dias pudemos ver que  Ribeiro e Castro hesita em avançar e o CDS vem prontamente  esclarecer que apoia Cavaco, assim que ele anunciar a sua recandidatura. Ou seja, apoia Cavaco, mesmo contra um seu militante e contra o facto de Cavaco ser, provavelmente, o mais social-democrata dos políticos portugueses. É o completo vazio ideológico. Um verdadeiro partido de direita português nunca poderia apoiar Cavaco para o que quer que fosse.

Honra lhe seja feita, Pedro Passos Coelho sempre mostrou ao que vinha e teve bastante tempo para, como “contender”, explicar muito bem quais eram as suas ideias para a política portuguesa. Por isso, não devem ser de estranhar as medidas  arrojadas de direita incluídas na proposta inicial de revisão constitucional.

Sob a liderança de Passos Coelho, o PSD moveu-se meio-metro para direita e “pisou” metade do eleitorado do PSD. Isto era precisamente aquilo que Paulo Portas não queria. Nas eleições directas sociais-democratas ele apostou todas as fichas num dos velhos senadores do PSD e saiu-lhe o jovem turco. Por isso, a segunda mais importante questão subjacente à eleição de Pedro Passos Coelho para a liderança do PSD continua por responder: que espaço político vai ocupar o CDS? Vai continuar encostado à direita e voltar a definhar para os cinco por cento. Ou vai – numa manobra de contorcionismo (cuja proposta aliás não é inédita…) – ultrapassá-lo por detrás e surgir à sua esquerda, defendendo os pobres, os desfavorecidos e os vitimados da crise, no tom populista que Paulo Portas tão bem sabe encenar? Nenhuma das saídas é boa, mas ambas são possíveis para um partido que é – tem sido – pura gelatina política. Sem ideologia.

Mas primeira grande dúvida subjacente à eleição de Pedro Passos Coelho para a liderança do PSD é – continua a ser -  esta: será ele capaz de concretizar o que ameaçou? Porque o que ele ameaçou, mais do que uma vez, foi precisamente aquilo que há muitos anos não existia em Portugal: uma política de direita ideologicamente sustentada. Quando numa primeira fase Passos Coelho ataca com propostas o Estado Social e numa segunda fase se desculpa dizendo que o defende, o que está mal é a segunda parte. O que Passos Coelho deve dizer não é que defende o Estado Social; o que Passo Coelho deve dizer é que o Estado Social é a raiz dos nossos problemas económicos e que é a iniciativa privada e não o Estado, que cria riqueza para todos.  Deve dizê-lo porque é nisso que ele acredita (imagino eu).

Passos Coelho é uma ameaça de ideologia na direita portuguesa. E se souber ser consequente tirará definitivamente todas as dúvidas: pode um projecto político de direita ser bem sucedido em Portugal? Se não tiver sucesso enterra por mais uma ou duas décadas quaisquer veleidades de direita em Portugal, mas, se for bem sucedido muda para sempre o panorama da política portuguesa. Se nem sequer tentar… então não muda nada e passa ao lado da sua oportunidade histórica!

Esta entrada foi publicada em Polí­tica com as etiquetas , , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s