Perguntas que Paulo Portas quer fazer aos portugueses

Perguntas que Paulo Portas quer fazer aos Portugueses:

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Cavaco é… Cavaco!

“Não está em curso nenhum processo de revisão constitucional”

Cavaco Silva

Cavaco Silva nunca deixará de ser Cavaco Silva.

Podemos especular sobre a relação política de Cavaco Silva com Passos Coelho ou sobre as suas manobras políticas mais ou menos insondáveis, mas de uma coisa podemos estar certos: Cavaco será sempre Cavaco.

Na sua aparente simplicidade, esta frase, proferia perante as câmaras da SIC, é todo um manifesto cavaquista. Para Cavaco um “processo de revisão constitucional” implica analisar o que está errado na actual constituição, provavelmente com dois ou três estudos técnicos, com números e soluções alternativas, e colocar em negociação as diversas formas de “corrigir” ou “melhorar” o diploma fundamental. E isso de facto, ainda não começou.

Mas, colocando as propostas principais em debate na opinião pública, Passos Coelho – de facto – iniciou o processo político de revisão constitucional. Uma revisão constitucional é isto. E isso é algo que Cavaco nunca entenderá. Uma revisão constitucional é um processo eminentemente político, talvez com alguma ajudas técnicas e uma negociação no final. Mas, antes de tudo, é política pura. E Passos Coelho jogou a sua cartada na altura certa.

Claro que podemos especular que Cavaco desvalorizou a questão com algum objectivo político de médio prazo. Mas eu estou convencido que, antes de tudo, Cavaco seguiu o seu instinto. Disse que não está em curso nenhum processo de revisão constitucional porque, tecnicamente, não está em curso nenhum processo de revisão constitucional. Não lhe passa pela cabeça que isso possa ser… política.

Google: the new media mogul

Nobody really knows why Google partnered with Verizon with such a blast. The text of the proposal is confusing (you have to read it three times to figure out you can’t figure it out…) and all the alleged reasons commentators and bloggers are advancing are nothing more really than speculation. I guess we will have to wait a couple of weeks to ear some clearer explanation – possibly from the founders themselves – on why Google took such a move. That will be a clarifying moment.

We may not know the reasons why Google chose this path, but we can be pretty sure that it was a careful meditated stand. Why? It’s so obviously “un-google”, so contrary to its recent history, to its core values and even to its motto, that it is impossible do have been taken lightly. Google most surely must have thought deeply about this decision and its consequences before moving on. It’s impossible to have not foreseen all de shock waves something like this would provoke. We don’t know what Google is doing, but – rest assured – Google knows what is doing! That’s why I’m so curious to fully understand what it is.

It’s true that Google is an engineering company, but it has proven to be a very intelligent one. There’s more than enough intelligence in the company to allow us to understand this decision, whatever the reasons, as a strategic move to position itself favorably in the future media landscape (if we can even call it “media”…). And that is what really interests me.

It’s pretty obvious that traditional media have had its days and that few, if any, will be able to make the shift to the new media world unfolding before them. I should know because I’m a traditional media guy. Not only the actors will be different, also its role will change. Will there be content companies like a newspaper, a magazine or a TV station? Will regular people be producers of information or entertainment as well as consumers? Will there be such a thing as a social consumption of information content? What is going to be the balance between the producers of the content and its distributors? These are just a minor fraction of the numerous questions all media companies are (or should be…) asking themselves. Well, there you go, an answer to some or even all of these questions is implicit in this strategic move by Google. And, once we know or understand its reasons, we will know what those answers are. In a way (even somewhat ironical…) Google is really answering the question Jeff Jarvis put: “What would Google do?”. Well, apparently, this is what Google would do to prepare itself for the future media landscape. The vision of what landscape is that is the most valuable piece of information and understanding we can all derive from this sudden and confusing upheaval.

Nokia N97 Mini: o telefone “amigo” dos jornalistas

Claro que a Nokia nunca pensou nisto nestes termos. Mas, a verdade verdadinha, é que o N97 Mini é bem capaz de ser o melhor amigos dos jornalistas num mundo em transição. Explico porquê:

Eu cá sempre achei piada aos Nokia que se abriam e revelavam um teclado de tamanho quase real com um monitor que ao pé dos restantes telemóveis parecia um plasma. Mas o reverso da medalha era serem tão volumosos e pesados como tijolos. E, na altura, nem sequer havia ecrãs tácteis.

Recordo-me que, na primeira vez que toquei num ecrã táctil, achei a coisa um pouco mágica. Bem, muito mágica, na verdade. Percebi logo na altura – e tenho vindo a solidificar essa opinião desde então – que tocar com o dedo no ecrã ou premir uma tecla eram duas coisas muito diferentes e que este interface seria pouco menos que revolucionário. Hoje, ser visto com um telemóvel sem touchscreen é quase uma vergonha.

Os meus primeiros textos com o jornalismo na ideia foram escritos numa Olivetti com teclado em Azert (“O Mundo em Azert”, recordam-se?) comprada na Feira da Ladra.  Sou por isso, espero que não velho, mas da velha escola. Na altura ainda se escrevia em laudas (o pessoal tecno que vá ao dicionário…).  O que quer dizer que os jornalistas da minha geração, que são a maioria, passou da máquina de escrever ao computador, do papel ao digital e do teclado ao touchscreen num espaço de poucos anos. É assustador e muitos não resistiram.

O Nokia N97 Mini, claro, tem as duas coisas. Tem um touchscreen como todos os outros, mas tem também um teclado… mini. Eu não sou muito de gostar de dar nas vistas, mas confesso que mais do que uma vez dei comigo a abrir vaidosamente o N97 Mini para escrever algo. Como ele tivesse algo a mais – e não a menos – que os outros. É uma sensação pelo menos retemperadora! Aliás, um amigo disse-me já ter visto alguém a teclar num N97 Mini com três dedos de cada mão como se fosse uma máquina de escrever. Se for para ficar, talvez seja de prever uma cadeira de N97 Mini nos cursos da Dactilografia (ainda há cursos de Dactilografia?)! Eu uso sobretudo os polegares. Aberto, com o teclado em baixo e o “monitor” de 3,2 polegadas ligeiramente inclinado, o N97 Mini parece mesmo um mini-computador. É delicioso. E, de certa maneira, reconcilia os jornalistas da velha guarda com o mundo moderno com que se confrontam. “I’m hip” e “i’m hippie”!

É essa, verdadeiramente, a magia do Nokia N97 Mini.