Há paralelos no seu percurso, nas suas circunstâncias e até na sua personalidade mediática que apontam a Passos Coelho o caminho de Sócrates trilhou.
Tanto Sócrates como Passos Coelho são produtos das juventudes partidárias, com um longo percurso dentro do partido mas sem qualquer brilhantismo fora dele.
Quando o poder caiu no colo de Sócrates sem que na realidade ele tivesse feito ou dito algo para o merecer, isso foi resultado da deserção de um Primeiro Ministro e das patetices de outro, com a “ajuda†de um Presidente com vontade de protagonismo. Agora, as circunstâncias são assustadoramente parecidas, com um PM politicamente morto, um Presidente com vontade de intervir e um partido a meditar se deve ou não substituir o cadáver por um pateta.
Por isso, o mais provável é que, mais cedo ou mais tarde, o poder caia no colo do PSD e – tudo o indica – de Pedro Passos Coelho. Quando chegar ao Governo (com maioria absoluta se tiver mesmo muita sorte ou com maioria relativa se tiver apenas alguma sorte), Passos Coelho vai fazer exactamente o que Sócrates fez: vai colocar em pontos-chave alguns amigos e muitos correligionários, nem uns nem outros muito recomendáveis. E, das duas uma: ou a inépcia dos amigos lhe estraga o “caldinho†ou a perseverança dos inimigos trata de desenterrar – com escutas ou sem elas – os “rabos de palha†que um longo carreirismo polÃtico necessariamente encerra. E um dia diremos de Passos Coelho coisas parecidas à s que hoje dizemos de Sócrates. Com mentiras ou outra coisa, com corrupção ou outra coisa, com carácter ou sem ele.
O paÃs, entretanto, não ficará melhor.