Eu voto Obama!

A atribuição do Prémio Nobel da Paz a Barack Obama tem suscitado os maiores equívocos e – muito sinceramente (mas não humildemente…) – parece-me que ainda ninguém percebeu verdadeiramente o que é que está em causa!

A escolha da Academia do Nobel é uma espécie de ponto culminante de um namoro entre os europeus e Obama que começou muito antes da sua eleição e que na verdade já tem antecedentes remotos na simpatia que os europeus nutriam por Clinton ou até por Kennedy. E que, pelo oposto, se manifestou também na ridicularização de Bush.

As épocas são diferentes, as políticas são diferentes e até as pessoas são diferentes, mas o que une Kennedy, Clinton e Obama é a esperança com que cada um foi olhado, no seu tempo (e até depois do seu tempo…), pelos europeus. Esperança em quê? Num mundo melhor, naturalmente! Parece um script de Hollywood (protagonizado por Kevin Costner…), mas não é! A aspiração de “um mundo melhor” é, provavelmente, a primeira e mais profunda aspiração dos europeus. E é tudo menos banal ou romântica. Na realidade é resultado de um entendimento muito preciso – e correcto, digo eu – da realidade global com que hoje somos confrontados.

Os europeus são o povo culturalmente mais evoluído à face da terra. E, provavelmente, são o povo com maior consciência de que o nosso mundo é hoje um mundo global. Não só porque os problemas, quaisquer que eles sejam, têm hoje consequências à escala global, mas também porque, consequentemente,  a solução dos problemas do mundo tem que passar pelo equilíbrio de uma racionalidade global. Não necessariamente (nem desejavelmente)  de um poder factual, sustentando em força militar, mas antes de uma ideia de coexistência pacífica, sustentada numa nova forma – positiva – de dialogar com todos os povos. Foi a mensagem positiva que os Europeus valorizaram em Kennedy ou Clinton e hoje os leva idolatrarem Obama mais ainda que os norte-americanos. A aspiração é difusa – muito difusa – mas não podia ser mais acertada: todos os europeus de bom senso  (e muitos americanos, bastantes asiáticos,  alguns africanos, etc) já perceberam que o futuro do planeta precisa urgentemente de uma racionalidade global. E que os acordos globais (de clima, de comércio, etc) andam muito devagar e não tocam sequer ao de leve na política (na realidade até são quase sempre condicionados e limitados por ela).  E a política – todos o sabemos – é o busílis da questão.

Quando Obama foi eleito pela larga maioria dos norte-americanos, percebeu-se que, se a eleição tivesse ocorrido aqui, teria sido eleito por uma ainda mais larga maioria dos europeus. O que os europeus quiseram dizer com esse engagement foi que gostariam de ter votado na eleição americana e que, humildemente, a consideram o acto democrático decisivo para o futuro da humanidade. Pois bem, o Prémio Nobel da Paz é o voto dos europeus em Obama. É, portanto, o meu voto!

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