O fim da periodicidade

Em mais um dos seus lançamentos de extensão de marca, a Visão anunciou a edição da Visão Link, que será distribuída pela primeira vez com a Visão do próximo dia 21 de Maio.

A publicação em si é interessante, mas o que despertou a minha atenção foi o facto de – apesar de a primeira capa trazer a inscrição ”Maio 2008″ – os seus responsáveis afirmarem que a nova publicação não tem uma periocidade fixa.

Não sei até que ponto isto é uma estratégia ou apenas uma forma de defesa, mas suscita uma reflexão: que sentido faz hoje em dia a periodicidade dos media?

É fácil perceber que, desde que existem jornais e revistas, a periodicidade não é mais do que a marcação dadata e hora de um encontro entre o media e o leitor num lugar específico, o quiosque. É por causa da periodicidade que sabemos que devemos is buscar a revista mensal no final do mês (ou no meio ou mesmo início do mês…), a semanal num dado dia da semana e o diário pela manhã ou  pela tarde, consoante seja um matutino ou um vespertino.  Isso, naturalmente, faz sentido num mundo de informação escassa, mas faz muito menos sentido num mundo de informação abundante. Se, na paisagem de media clássica o máximo a que podíamos aspirar era um jornal diário, talvez complementado por uma revista semanal ou mensal, hoje temos inúmeros canais de informação em fluxo permanente (ou ou informação permanentemente disponível), na maior parte dos casos em luta feroz pela nossa atenção. Neste quadro, a periodicidade dos media não é mais do que um resquício do passado, um daqueles elementos estruturantes da paisagem dos media que temos que nos habituar que vai desaparecer em breve, como a relação jornalista-leitor e outros. Tal como não faz qualquer sentido colocar informações num site de internet a horas ou dias específicos, também não é razoável, no mundo de hoje, esperar por um dia certo do mês para lançar um revista. O que faz sentido, sobretudo nas periodicidades mais espaçadas, é lançar um novo suporte quendo há condições para o fazer rentavelmente (equilibrando produção de informação para fazer o número de páginas suficiente e retorno suficiente para pagar os respectivos custos). Dificilmente isso acontece a uma cadência mensal regular ao longo de todo o ano (aliás, há muitas revistas que não são lançadas em Agosto, por exemplo), ou mesmo a uma cadência regular na semana. Quantas vezes terá uma newsmagazine tido “vontade” de publicar um novo número a meio da sua semana por causa de um acontecimento extraórdinário? Como de resto foi feito muitas vezes. Hoje isso faz mais sentido do que nunca e deve ser regra em vez de excepção.

Não sei se subjacente à a-periodicidade da Visão Linke está um raciocíonio deste tipo (duvido…), mas suspeito que tenderemos conviver com mais casos deste no futuro.

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