Uma ponte simbólica

Fernando Alves, na TSF, com a sua perspicácia habitual, captou o essencial desta história aparentemente comum. Uma ponte, no âmago de um escândalo de corrupção no Brasil conhecido como Operação Navalha, liga “nada” a “lugar nenhum” e assim se converte numa ponte simbólica. Vale a pena ouvir o audio de Fernando Alves, – aqui enquanto se olha para esta insólita imagem.

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(imagem retirada do Castelo dos Destinos Cruzados; o site da Globo tem um video aqui)

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Daniel Gilbert, autor do livro “Stumbling on Happiness” vai ser um dos oradores numa conferência sobre o assunto a realizar na Culturgest de 31 de Maio a 2 de Junho, juntamente com outras “estrelas” como Darrin McMahon, Ruut Veenhoven, Gilles Lipovetsky e Eva Illouz.  Um elenco fenomenal para  um evento no qual a entrada é gratuita.

Segundo o Público, que publicou um extenso trabalho sobre Daniel Gilbert no P2 de sábado, o livro será em breve editado em Portugal com o título “Tropeçar na Felicidade”, pela Estrela Polar, da Oficina do Livro. Tem sem dúvida todo o  perfil de um best-seller (embora, segundo o autor, este não seja um livro de auto-ajuda, mas um livro para o qual as pessoas se virarão “quando tiverem comprado um livro de auto-ajuda, feito tudo o que esse livro aconselha e continuarem a sentir-se infelizes” – do referido artigo do Público)

Dan Gilbert foi um dos participantes na TED Condeference de 2004, com uma apresentação que naturalmente já abordava o tema em moldes semelhantes àqueles que será lícito esperar da conferência de Lisboa. Em jeito de antecipação, aqui está o video dessa TED Talk.

Este site é uma espécie de You Tube do “como fazer”. Qualquer pessoa pode colocar videos, desde que sejam curtos e ensinem a fazer algo. O lema do site é “5min life videopedia” e parte do princípio que as soluções para a maior parte dos problemas práticos do dia-a-dia são melhor demonstradas por imagens e que qualquer pessoa é perita em alguma coisa.  A conjugação destes dois princípios resulta no 5min, uma boa demonstração de para que servem afinal as comunidades online e a produção de conteúdos pelos próprios internautas.

Há diversas formas de fazer busca dos videos, podemos subscrever videos de um tema ou de um autor e, se optarmos pelo muito interessante Smart Player, podemos ver frame a frame ou em câmara lenta, ir directamente para determinadas secções do video e fazer zoom sobre as áreas que nos interessam. Muito, muito funcional.

(uma dica web 3.2.1)

Mais uma pérola do Record, esta capa de hoje, dia em que – note-se – não há futebol para noticiar.

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Várias coisas são curiosas nesta primeira página:

1. Se o The Sun pode fazer manchetes com futebol, porque é que um jornal desportivo não há-de poder fazer manchetes com tabloidismos? A ideia do Record é luminosa e suspeito que não vai ficar por aqui. Afinal será isto a fusão de géneros jornalísticos?

2. Que eu saiba, o Record é o primeiro jornal português a oferecer uma recompensa em dinheiro por informações sobre o caso. Que eu saiba é o primeiro jornal português a oferecer recompensa em dinheiro em qualquer caso. Mais uma vez, se o Sun o pode fazer, porque é que o Record não há-de poder? Uma bofetada de luva branca aos tablóides nacionais, uns fracos!

3. A foto da criança nas mãos de Eusébio, com os olhos da criança em fundo de página. O drama, o horror. A pequena Madeleine não merecia isto. A última coisa de que precisávamos num caso tão sujo como este era mais esta pequena nódoa.

4. O “Happy Birthday Swettie” no canto da página, com o pequeno laço dourado, é o detalhe piroso final. Seria risível de não fosse dramático

Jeff Jarvis, um dos pesos-pesados dos novos media, foi desafiado por Andrew Keen, o grande crítico da “nova internet”, para um debate a realizar em Junho em Nova Iorque. Vai daí, indeciso, pediu opiniões sobre o que fazer aos leitores do seu blogue. Os argumentos são interessantes (os de Jeff Jarvis e os dos leitores), mas de certa forma já são um triunfo de Andrew Keen. Se houver debate, eu não quero perder! 

O culto do amador

cultamateur.jpgDescobri este livro numa referência do Engrenagem já com algum tempo. Mas vale a pena recuperar a recomendação: trata-se de um contraponto ao aparente unanimismo acerca do “culto” do amadorismo nos conteúdos dos novos media. Curiosamente – e talvez isso torne este contraponto ainda mais interessante – feito por alguém ligado aos novos media. 

Se tivéssemos que escolher alguém para debater com Andrew Keen, provavelmente seria Chis Anderson. Nem de propósito, os dois foram reunidos em debate pelo San Francisco Chronicle, num evento que deu origem a um podcast (parte 1 e parte 2).

 Vale a pena ler/ouvir, assim como vale a pena fazer desde já a encomenda do livro, cuja publicação nacional parace neste momento um incógnita.