“The news business is broken and no one knows how to fix it”

Tim O’Reilly diz ter ouvido rumores de que o San Franciso Chronicle, um dos maiores jornais norte-americanos, está em dificuldades. Numa recente reunião de emergência da direcção, o  director terá dito: the news business “is broken, and no one knows how to fix it.And if any other paper says they do, they’re lying.”

O que suscita o seguinte comentário de Tim O’Reilly:

“We talk about creative destruction, and celebrate the rise of blogging as citizen journalism and Craigslist as self-service advertising, but there are times when something that seemed great in theory arrives in reality, and you understand the downsides. I have faith both in the future and in free markets as a way to get there, but sometimes the road is hard. If your local newspaper were to go out of business, would you miss it? What kinds of jobs that current newspapers do would go undone?”

Arrisco uma resposta: Nenhum…?

(via Techmeme, via Doc Searls)

Anúncios

freebaselogo.pngTenho andado distraído ao ponto de deixar escapar o lançamento da versão beta (por convite) da primeira aplicação Web 3.0.

O Freebase foi criado pela Metaweb, uma empresa do guru da inteligência artificial Danny Hillis. Basicamente, o que propõe é – “só” – reunir numa plataforma todas as informações dispersas pela web, introduzidas pelos utilizadores, estabelecendo correlações entre essas informações, que podem ssr simplesmente pesquisadas ou então automaticamente utilizadas por outras aplicações informáticas. Ou seja, o Freebase pretende fazer algo de parecido com a Wikipedia ou o Google Base, mas de uma forma dinâmica, isto é, com correlações não estáticas entre os diversos pedaços de informação incluidos na base de dados. Segundo os promotores do Freebase (que é inteiramente aberto e livre), isto correponde à tão falada Web Semântica ou Web 3.0.

Tim O’Reilly  já testou o Freebase e faz uma descrição promenorizada  – e elogiosa – da aplicação. Nicholas Carr também se refere ao assunto, assim como Michael ArringtonDave Winer. Enfim, todos os pesos-pesados.

Para comemorar o facto, inauguro uma nova tag: Web 3.0. Tenho impressão que vai ser útil… 

O futuro das revistas

monkey.jpgEditada pela Dennis Media, a Monkey Magazine é uma revista masculina semanal que só existe online e é inteiramente grátis. Mas o que realmente a torna diferente é a forma como, com o processamento da Ceros Media (que adiciona aos PDFs do editor outros media que se lhe queiram juntar) e alojada nos sesu servidores, proporciona uma experiência completamente inovadora quando é “folheada”, não só para os leitores como também para os anunciantes.

Não tenho dúvidas: um dia todas as “revistas” serão assim. Pelo menos em parte…

A propósito das “ameaças” de Santana e do “golpe” de Portas, convém lembrar que a paisagem partidária e eleitoral não tem necessariamente que ser simétrica. Não tem que haver o mesmo número de partidos de um lado e do outro do espectro. Independentemente de como seja ocupado cada um desses lados, haverá, mais ou menos, 50 por cento de eleitores para cada um. O “mais ou menos” explica as maiorias sociológicas; o jogo de coligações, formais ou não formais, – assim como a sua coincidência, ou não, com as maiorias sociológicas - é que determina as maiorias eleitorais. 

Há muito tempo que se sabe que, tanto no PPD-PSD como no CDS-PP, existem dois partidos dentro de cada um. Provavelmente, os cimentos unificadores de qualquer deles pereceram no mesmo voo fatídico, sem tempo para sedimentarem as partes do partido. Por isso, os jogos de poder internos tenderão a ameaçar cindir o partido, até que uma parte ganhe à outra ou até que o partido efectivamente se cinda. Que, hoje, em vez de uma “perspectiva”, isso seja abertamente uma possibilidade, eis o que a situação tem de novo. Essa discussão já foi aberta no CDS-PP e pode vir a sê-lo no PSD. A partir desse momento, torna-se mais difícil voltar a fechar essa porta.

O Poder transparente

.gifO site OpenCongress.org é uma criação da Sunlight Foundation e da Participatory Politics Foundation. Basicamente acompanha o desenvolvimento das leis que estão a ser discutidas e votadas no Senado e na Câmara dos Representantes, assim como o trabalho das comissões, e permite acompanhar as novidades relativas a cada uma (ou a um tema) via RSS, bem como ter acesso referenciado a todas as notícias e comentários em blogues que se referem às mesmas, uma excelente forma de ter enquadramento informativo para o assunto ou tomar o pulso à opinião pública. A biografia, iniciativas legislativas e histórico de voto dos representantes e senadores também são acompanhados pelo site. Uma página específica explica como tirar partido do OpenCongress.

A ideia, claro, é fiscalizar o funcionamento dos órgãos legistativos utilizando as modernas ferramentas web 2.0. O Poder fica mais transparente e sem dúvida mais próximo dos cidadãos. Uma iniciativa semelhante para a nossa Assembleia da República seria provavelmente um passo interessante nesse sentido…

Mais um aspecto que deve ser salientado: isto não é obra de nenhum organismo oficial. O OpenCongress.org é mantido por duas fundações sem fins lucrativos e cujo objecto é precisamente promover o melhor funcionamento do sistema democrático. Com todos os seus defeitos, é assim  que funciona a política no ”Grande Satã”…  

(descoberto num comentário audio num dos podcasts do Geek News Central)

AssigmentZero: o primeiro projecto de jornalismo participativo de Jay Rosen

Já está em marcha o primeiro projecto de jornalismo participativo de Jay Rosen. Devidamente financiado e com editores atribuídos, o AssigmentZero fica agora aberto à participação de toda a gente no sentido de criar um trabalho informativo de fundo sobre a emergência do crowdsourcing na internet. No site AssigmentZero há uma assigment desk onde podemos escolher a matéria que vamos tratar, uma explicação de como tudo funciona, uma caixa de recursos e a áreas de identificação e de interacção da equipa, os jornalistas editores e os participantes voluntários no projecto. Este projecto conta com o financiamento de várias entidades e a colaboração da Wired, que fornece um editor, previsivelmente para vir a publicar o trabalho depois de estar pronto.

A mecânica é algo complexa, mas não mais complexa do que seria de esperar de um projecto informativo que pretende pôr a colaborar profissionais pagos e amadores não pagos, com códigos profissionais e de ética diferentes, para produzir um resultado final que ninguém sabe perfeitamente qual vai ser. É preciso entender que neste aspecto como noutros, o sector dos media está a tentar coisas novas. Por isso mesmo, esta é uma experiência a acompanhar com atenção.

Reacção anti-Gore

A teoria do aquecimento global tornou-se tão dominante, que esta reportagem do Channel 4 inglês (1h13m) tem o seu interesse. Este é um video alojado em vários sítios (download de alta definição via bit torrent aqui), mas que eu descobri por ser um dos mais linkados na Viral Video Chart, que o descobriu em primeiro lugar no “nosso” Impertinências. Pode ou não ser aquecimento, mas sem dúvida que é global.

 

Recomendação literária

A propósito da esquizofrenia do olhar dos portugueses sobre si próprios: 

“Para o verdadeiro patriotismo, em suma, uma pátria não é apenas um legado que se recebe passivamente, mas também algo que nele se recusa, divergindo e reformulando-o. Ele é amor ao que os nossos majores, os nossos antepassados, os nossos pais constituíram e nos deixaram como legado, mas aceitá-lo é partilhar criticamente , com escolha lúcida e radical  a partir desse património de valores e pedras, de acções e modelos de vida, de feitos e de projectos, de sonhos e de tentames possa haver de vivo, de realmente futurante e de melhor do que somos, de generosamente aberto ao mundo – mau grado os defeitos, as taras, os crimes e as incapacidade patenteadas por dirigentes cegos que, no passado remoto ou presente, conduziram outros cegos – tendo inclusive a coragem de divergir, recusar, enfrentar o erro santificado e inveterado pelo tempo e pelo costume. (…) A questão do patriotismo só tem sentido nesta perspectiva de vivência duma cidadania esclarecida, actuante, aberta ao mundo, generosa na inclusão dos Outros, uma concepção solidária  e universal que se articule com os projectos de paz e de posperidade que a ideia da Europa pós-Estado-Nação eseencialmente contém. Só conhecendo, valorizando e praticando o ‘melhor de nós mesmos’ (…) podemos ter uma cidadania esclarecida, ancorada no melhor do nosso passado como povo, como comunidade particular integrada na unicidade do género humano, projectada para um futuro de progresso, prosperidade e harmonia.”

João Medina, Portuguesismos, página 304

Podcasts da TSF

A notícia de que os podcasts da TSF são um êxito é uma boa notícia para os podcasts e para a TSF.

Mas não posso deixar de achar incorrecto da parte dos seus responsáveis que o conteúdo dos referidos podcasts não apareça nos leitores de RSS, obrigando a visitar o site para ver que programas queremos descarregar. O que a TSF pretende, claro, é que os visitantes cliquem no site para juntar às estatísticas de pageviews. Fundamento esta opinião no facto de já ter alertado para isto quer o webmaster quer o director do online, sem ter recebido nenhuma resposta da parte de qualquer deles (tão “web 1.0″…).

Deste modo, para além de suspeitar que um número não negligenciável dos 400 mil downloads referidos na notícia são de pessoas que primeiro descarregam e depois verificam se era aquilo que queriam, eu, como utilizador habitual de podcasts (tanto de música como de media), dei por mim a deixar de descarregar os conteúdos da TSF (apesar de ser fã incondicional das entrevistas de Carlos Vaz Marques).

Ou seja, na minha opinião, a TSF, na realidade, ainda não percebeu para que servem os podcasts e está a fazer dos mesmos (com sucesso) uma utilização tipicamente de media tradicional. O approach tem que ser outro radicalmente diferente.

Alguma imprensa

Descobri este blogue por uma referência do Blogouve-se: chama-se Alguma Imprensa, aparentemente é escrito por jornalistas, sob anonimato e trata das “Tricas, cochichos, conversas de corredor” acerca da profissão. Usando uma faculdade da mais recente geração do Blogger, apenas se pode aceder por convite (não, eu não fui convidado), mas através da chache do Google podemos ver os posts anteriores a 7 de Março. Interessante…