A batalha da Net Neutrality

O site Freepress.com enviou-me um e-mail que penso ser til partilhar para dar mais fora causa:

“Today, Congress begins its August recess while legislative debates continue to heat up that will shape our media for generations. Here’s an update on where things stand.

Over the past three months, our SavetheInternet.com campaign has elevated the crucial issue of Net Neutrality from obscurity and thrown a wrench in the phone and cable giants’ plan to overhaul our telecommunications laws behind closed doors.

While on its face Net Neutrality – along with most policy issues – are wonky, at the end of the day they are about getting critical, independent journalism into living rooms in every state – red and blue. It’s about limiting the undue influence and control of the largest media conglomerates, and creating vibrant and fearless noncommercial media that provide a real alternative to commercial media.

The unprecedented http://www.SavetheInternet.com campaign has brought together more than 750 groups from across the political spectrum. More than a million of you signed petitions and flooded Congress with calls and letters.

Tens of thousands of bloggers and MySpace users have linked to SavetheInternet.com – many of them posting free ads to counteract the multi-million-dollar misinformation campaign launched by astroturf (fake grassroots) groups like Hands Off the Internet. Creative people have submitted their own videos and songs about Net Neutrality — and no corporation paid them to do it. (http://www.savetheinternet.com/=videos)

A bad telecom bill passed the House in June. But the Senate is split over Net Neutrality – as seen in the 11-11 tie vote in the Senate committee that oversees the Internet. The phone and cable lobbyists don’t yet have the votes to move their bill forward – and chatter in Washington says it may not be voted on until after the November elections.

If we can keep the pressure up, it is believed that Net Neutrality could derail the entire bill and force Congress to start from scratch from next year. As always, we’ll be tracking this and asking for your help.”

Penso que que o facto de esta questo estar a ser discutida nos Estados Unidos significativo e que o resultado dessa discusso vai afectar-nos a todos.

A neutralidade da internet um elemento potenciador da comunicao global e sua limitao s pode trazer desvantagens. Por outro lado, a presso para gerar lucros com a internet cada vez maior e provavelmente isso ser inevitvel no futuro. O que, na verdade, pode suscitar uma questo bastante curiosa.

S estamos a discutir a net neutrality hoje porque, algures no passado,as empresas que podiam t-lo feito se distrairam e no avaliaram convenientemente o potencial de negcio da internet. Isso no se passou com a televiso por cabo, nem com os telefones mveis, para citar dois exemplos recentes. Por isso, as empresas que podem faz-lo esto agora a tentar tirar mais rendimento da internet, o que, naturalmente, s pode ser feito passando a taxar como acesso premium, tanto do lado da procura como do lado da oferta, uma parte daquilo que hoje grtis.

Deste ponto de vista a internet uma excepo. Em nenhum outro shift no mundo dos media (a inveno da imprensa, o surgimento da televiso, etc)deixou de haver um aproveitamento comercial do mesmo. Por isso preivisvel que o mesmovenha a acontecer com a internet.

Mas a internet hoje, sobretudo devido exploso de informao que provoca, uma fora dinamizadora de toda a sociedade (cidados e empresas) e um elemento de globalizao que ( parte alguns perigos) oferece importantes janelas de entendimento entre os povos.

Por isso, o que sente quem olha esta questo de uma forma global que, do ponto de vista da civilizao, era provavelmente mais vantajoso manter a internet tal como est do que regulament-la da mesma forma que o cabo, os telefones ou a rdio esto regulamentados. Parece que hoje toda a gente se apercebe das vantagens de manter a internet to livre quanto possvel e, sobretudo, neutra, tanto do ponto de vista poltico como econmico. Por alguma razo, isso hoje tornou-se evidente para toda a gente.

O que, finalmente, suscita a tal questo curiosa que tinha referido antes. Se isso assim hoje, ser que no foi assim no passado? Ser que quando surgiu a televiso, por exemplo, no teria sido mais vantajoso, do ponto de vista civilizacional, permitir um maior ocupamento do espao de difuso a preos bem mais baixos do que limitar o espao radioelctrico a um nmero muito reduzido de operadores que pagam forte pelas suas licenas e cobram muito pelo seu servio (em taxas ou em ocupao publicitria)? Certo, preciso ter um televisor para ver televiso. Mas tambm preciso ter um computador para navegar na internet. Claro que o espao radioelctrico limitado enquanto que o “espao” online ilimitado. Mas isso no explica tudo.

Uma das razes pelas quais o modelo de negcio dos media na internet est to difcil de equilibrar prende-se com o facto de o “espao” online estar a ser gerido de uma forma profundamente diferente dos restantes media. Ou seja, de uma forma economicamente irracional. Se fosse gerido como no negcio do cabo, por exemplo, j haveria empresas a fazer grandes lucros online. Mas eu provavelmente no teria um blogue…

No passado, as mudanas na paisagem dos media, da informao e da comunicao, sempre induzidas por inovaes tcnicas, adoptaram os modelos de negcio que adoptaram em parte por razes tcnicas mas tambm em parte por razes econmicas. Ou melhor, por razes econmicas impostas por decises polticas. Foram as autoridades nacionais ou regionais que decidiram a ocupao e distribuio do espectro radioelctrico, das licenas de rdio e televiso, dos operadores de cabo e telefone, etc. E, ao faz-lo, fizeram-no sempre de forma a garantir o seu aproveitamento comercial, independentemente do interesse civilizacional de cada uma dessas mudanas.

disso que se trata hoje nos Estados Unidos. Embora com atraso, porque algum estava distrado, algum est a tentar “dar a ganhar” o dinheiro que aparentemente a internet no est a dar. S que, por um lado,desta vez o “povo” est alerta e, por outro, o que est em causa uma mudana de consequncias provavelmente mais profundas que qualquer das anteriores. Porisso, talvez fosse de experimentar um caminho diferente

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2 respostas a A batalha da Net Neutrality

  1. aNtónio diz:

    Ol,
    o assunto por demais importante e toda a divulgao importante. No me quero por em bicos de pes mas no passado publiquei 2 artigos que talvez tenham algum interesse:

    http://mouronacosta.wordpress.com/?s=fim+da+nossa+internet

    Eu nao sei se ia resultar tentar projectar esta comparao, poder confundir as pessoas, mas o que se pretende fazer algo similar ao que existe com os telemoveis onde os operadores nao sao neutros nem fazem por isso. como se tivesse que pagar para enviar uma mensagem de texto (sem html ou anexos aka SMS) e s pudesse descarregar musicas em formatos wav e midi (e ainda por cima a pagar) aka toques.

  2. Jos Moreno diz:

    O mercado dos telefones mveis tambm me parece o melhor paralelo: tal como a internet resulta de uma tecnologia recente e tem que ver com a maneira como comunicamos; mas, ao contrrio da internet, foi “organizado” de forma a que cadeia de valor que lhe est associada gere receitas. Alis, deste ponto de vista, e olhando para o passado, a internet uma solitria excepo…

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