Férias!!!!!

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 A partir de amanhã e até final de Agosto andarei por aqui. Sem automóveis, sem relógio, sem computador, com alguns livros e muito tempo livre. Regresso em Setembro para mais postagens.

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Jim Spannfeller, CEO da Forbes.com prevê que a audiência dos respectivos videos online ultrapasse as audiências da CNBC (em entrevista à Beet TV, uma dica do Cyberjournalist.net).

A pergunta impõe-se: mas a Forbes não era uma revista? E a CNBC não era uma televisão? Hoje, quando olhamos para as respectivas plataformas de informação (aqui e aqui), vemos que na verdade já não são uma revista e uma televisão; são dois meios directamente concorrentes com informações escritas, videos, podcasts, blogues, etc. O futuro dos media também passa por aqui.

Que eu saiba, Craig Newmark, fundador da Craigslist, nunca foi jornalista na vida. E, no entanto, o seu envolvimento nas novas experiências de media é assinalável. Como ele próprio escreve no seu blogue,

“Democracy requires an active press, asking tough questions, and speaking truth to power. When that fails, we get ineffective government. I figure people of goodwill gotta stand up and support the press”

Eu, jornalista, não diria melhor.

(via ContraFactos & Argumentos)

Futebolisticamente incorrecto

Pérolas de Co no final do torneio de Amesterdão:

«Um jogador português ou brasileiro não pensa da melhor forma quando a bola lhe chega à frente.»

A bola

«Não há dinheiro para um avançado. Então continuaremos a fazer exibições divertidas mas a perder estes jogos»

MaisFutebol

«Pelo que conheço do Pepe, ele não faz teatro. Aliás, ele não vem de Portugal, mas sim do Brasil, e lá eles passam o tempo a dançar na praia, não a estudar teatro.»

MaisFutebol

A batalha da Net Neutrality

O site Freepress.com enviou-me um e-mail que penso ser útil partilhar para dar mais força à causa:

“Today, Congress begins its August recess while legislative debates continue to heat up that will shape our media for generations. Here’s an update on where things stand.

Over the past three months, our SavetheInternet.com campaign has elevated the crucial issue of Net Neutrality from obscurity and thrown a wrench in the phone and cable giants’ plan to overhaul our telecommunications laws behind closed doors.

While on its face Net Neutrality – along with most policy issues – are wonky, at the end of the day they are about getting critical, independent journalism into living rooms in every state – red and blue. It’s about limiting the undue influence and control of the largest media conglomerates, and creating vibrant and fearless noncommercial media that provide a real alternative to commercial media.

The unprecedented http://www.SavetheInternet.com campaign has brought together more than 750 groups from across the political spectrum. More than a million of you signed petitions and flooded Congress with calls and letters.

Tens of thousands of bloggers and MySpace users have linked to SavetheInternet.com – many of them posting free ads to counteract the multi-million-dollar misinformation campaign launched by astroturf (fake grassroots) groups like Hands Off the Internet. Creative people have submitted their own videos and songs about Net Neutrality — and no corporation paid them to do it. (http://www.savetheinternet.com/=videos)

A bad telecom bill passed the House in June. But the Senate is split over Net Neutrality – as seen in the 11-11 tie vote in the Senate committee that oversees the Internet. The phone and cable lobbyists don’t yet have the votes to move their bill forward – and chatter in Washington says it may not be voted on until after the November elections.

If we can keep the pressure up, it is believed that Net Neutrality could derail the entire bill and force Congress to start from scratch from next year. As always, we’ll be tracking this and asking for your help.”

Penso que que o facto de esta questão estar a ser discutida nos Estados Unidos é significativo e que o resultado dessa discussão vai afectar-nos a todos.

A neutralidade da internet é um elemento potenciador da comunicação global e sua limitação só pode trazer desvantagens. Por outro lado, a pressão para gerar lucros com a internet é cada vez maior e provavelmente isso será inevitável no futuro. O que, na verdade, pode suscitar uma questão bastante curiosa.

Só estamos a discutir a net neutrality hoje porque, algures no passado, as empresas que podiam tê-lo feito se distrairam e não avaliaram convenientemente o potencial de negócio da internet. Isso não se passou com a televisão por cabo, nem com os telefones móveis, para citar dois exemplos recentes. Por isso, as empresas que podem fazê-lo estão agora a tentar tirar mais rendimento da internet, o que, naturalmente, só pode ser feito passando a taxar como acesso premium, tanto do lado da procura como do lado da oferta, uma parte daquilo que hoje é grátis.

Deste ponto de vista a internet é uma excepção. Em nenhum outro shift no mundo dos media (a invenção da imprensa, o surgimento da televisão, etc) deixou de haver um aproveitamento comercial do mesmo. Por isso é preivisível que o mesmo venha a acontecer com a internet.

Mas a internet é hoje, sobretudo devido à explosão de informação que provoca, uma força dinamizadora de toda a sociedade (cidadãos e empresas) e um elemento de globalização que (à parte alguns perigos) oferece importantes janelas de entendimento entre os povos.

Por isso, o que sente quem olha esta questão de uma forma global é que, do ponto de vista da civilização, era provavelmente mais vantajoso manter a internet tal como está do que regulamentá-la da mesma forma que o cabo, os telefones ou a rádio estão regulamentados. Parece que hoje toda a gente se apercebe das vantagens de manter a internet tão livre quanto possível e, sobretudo, neutra, tanto do ponto de vista político como económico. Por alguma razão, isso hoje tornou-se evidente para toda a gente.

O que, finalmente, suscita a tal questão curiosa que tinha referido antes. Se isso é assim hoje, será que não foi assim no passado? Será que quando surgiu a televisão, por exemplo, não teria sido mais vantajoso, do ponto de vista civilizacional, permitir um maior ocupamento do espaço de difusão a preços bem mais baixos do que limitar o espaço radioeléctrico a um número muito reduzido de operadores que pagam forte pelas suas licenças e cobram muito pelo seu serviço (em taxas ou em ocupação publicitária)? Certo, é preciso ter um televisor para ver televisão. Mas também é preciso ter um computador para navegar na internet. Claro que o espaço radioeléctrico é limitado enquanto que o “espaço”  online é ilimitado. Mas isso não explica tudo.

Uma das razões pelas quais o modelo de negócio dos media na internet está tão difícil de equilibrar prende-se com o facto de o “espaço” online estar a ser gerido de uma forma profundamente diferente dos restantes media. Ou seja, de uma forma economicamente irracional. Se fosse gerido como no negócio do cabo, por exemplo, já haveria empresas a fazer grandes lucros online. Mas eu provavelmente não teria um blogue…

No passado, as mudanças na paisagem dos media, da informação e da comunicação, sempre induzidas por inovações técnicas, adoptaram os modelos de negócio que adoptaram em parte por razões técnicas mas também em parte por razões económicas. Ou melhor, por razões económicas impostas por decisões políticas. Foram as autoridades nacionais ou regionais que decidiram a ocupação e distribuição do espectro radioeléctrico, das licenças de rádio e televisão, dos operadores de cabo e telefone, etc. E, ao fazê-lo, fizeram-no sempre de forma a garantir o seu aproveitamento comercial, independentemente do interesse civilizacional de cada uma dessas mudanças.

É disso que se trata hoje nos Estados Unidos. Embora com atraso, porque alguém estava distraído, alguém está a tentar “dar a ganhar” o dinheiro que aparentemente a internet não está a dar. Só que, por um lado, desta vez o “povo” está alerta e, por outro, o que está em causa é uma mudança de consequências provavelmente mais profundas que qualquer das anteriores. Por isso, talvez fosse de experimentar um caminho diferente…  

Daqui a cinco anos…

“Five years from now, the blogosphere will have developed into a powerful economic engine that has all but driven newspapers into oblivion, has morphed (thanks to cell phone cameras) into a video medium that challenges television news and has created a whole new group of major media companies and media superstars. Billions of dollars will be made by those prescient enough to either get on board or invest in these companies.”

Michael S. Malone, citado por Trevor Butterworth, no Financial Times (aliás num artigo que gerou bastante polémica, à qual esta frase é alheia…)

Podem ter passados despercebidos em função do post em si, mas as reacções ao NewAssignment.net suscitaram um conjunto de comentários quase tão interessante como a proposta em si. Vale a pena ler.

Destaco duas dicas interessantes:

  • Áine MacDermot introduz o Newsvine, um site de notícias fundado por um grupo de jornalistas provenientes das grandes cadeias no qual se podem ler noticias provenientes dos mainstream media mas também de contribuições do leitores. Cada pessoa pode inscrever-se para não só produzir histórias como também participar nas decisões de edição que dão prevalência a umas histórias sobre as outras.
  • Maurice Jacobsen, produtor independente, chama a atenção para as dificuldades financeiras sentidas pelo projecto “Jerusalem: a living story“, um projecto que usa vários medium numa mesma plataforma para reportar sobra a vida em Jerusalém do ponto de vista dos que lá vivem.

O que fazer com o YouTube?

O YouTube (e serviços similares como o Google Video,o Dumpalink, o iFilm, o Putfile, o Metacafe, etc) já se tornou tão grande que a questão agora é: o que fazer com ele?

Uma das respostas está aqui e sobretudo aqui: o site Free Movies & Documentaries & Cartoon & Music (dica Jornalismo & Internet; recomendo, p. ex. “The rise of the politics of fear“) não aloja nenhum, mas linka uma grande quantidade de videos alojados em qualquer dos servidores de video acima. Ou seja, faz uma selecção do que considera mais interessante e desse modo desempenha uma função de gatekeeper em relação à enorme quantidade de videos que hoje já estão disponíveis online. Faz, pelo menos em parte aquilo que faria um canal temático de televisão, com a diferença de que os inputs são muito mais diversificados e… gratuitos.

De alguma forma, parece-me que o futuro do jornalismo e o approach de Jay Rosen passam por aqui. A cada vez maior disponibilidade da informação online (nos seus diversos formatos: texto, audio, video) chama pela capacidade de congregar vários inputs de formatos diferentes provenientes das mais diversas fontes (incluindo a própria audiência) numa plataforma credível. Depois da “bebedeira de liberdade” que a internet lhes oferece (não devemos esquecer que estamos num Processo Revolucionário Em Curso), as pessoas vão voltar a desejar  que alguém lhes assegure a credibilidade e lhes enquadre aquilo que lêem, vêem ou ouvem.

Uma revista de música por exemplo, tem como tal os dias contados. Mas uma brand de informação musical pode susbsistir se souber responder às novas necessidades da “audiência” (não esquecendo, claro, a “necessiddade” de a mesma participar no processo), transmutando-se de simples revista em plataforma de entretenimento informativo com manifestações de vários tipos. Um jornal deve em princípio seguir o mesmo caminho, assim como uma rádio ou uma televisão, ou um operador de telemóveis.

A mudança é certamente civilizacional e por enquanto ainda imprevisível, mas, de certa forma, as necessidades das pessoas não mudam (ou mudam menos); o que muda, por imposição tecnológica, é a forma como elas podem ser satisfeitas.

Gidol = media consumer empowerment

Mais um exemplo de media consumer empowerment ou de como as antigas “audiências” se convertem em criadoras dos seus próprios media:

O Gidol (descoberto via BloggersBlog) é um site que usa o Google Video para encenar um concurso de lip-synch que, lançado em Março de 2006, tem sido um enorme sucesso. Não tem nada a ver com o Google (embora mereça elogios do Google). Foi criado por um engenheiro de tecnologias de informação australiano chamado Ben Petro e na verdade parece-me que pode ilustrar bem o futuro dos media:

  • Com os instrumentos certos (uma câmara de video e uma ligação de banda larga capaz de upload), os antigos consumidores de media (neste caso videoclips) tornam-se produtores dos mesmos;
  • Então, não deixam de consumir o produto de entretenimento da sua preferência (neste caso, videoclips), mas passam a ver videos uns dos outros, em comunidade aberta;
  • Muitas vezes, como neste caso, quem descobre o potencial de negócio que isto pode envolver não são as grandes empresas, mas um ou poucos indivíduos que fazem parte dessa comunidade (Ben Petro), ou seja, são eles próprios parte da “audiência” e é por isso que são capazes de perceber o que a “audiência” pretende.

Moral da história: as estrelas pop milionárias podem ir procurando casas mais pequenas (assim como os seus agentes, as suas editoras, etc); as grandes empresas de software (e não só) podem ir olhando com mais atenção para os seus pequenos funcionários; e os media… bom, na verdade os media deixam de ser… media. Ou seja, deixam de servir para aquilo para que sempre serviram e que era afinal a única coisa para que serviam: intermediar produtores e consumidores de informação e entretenimento. Deixam de servir. Ponto final.

Se isto não é uma revolução…