
Ontem, numa televisão (não consegui encontrar o link), ouvi Luís Amado, Ministro da Defesa, dizer três coisas fantásticas sobre a operação de venda de 12 aviões F16 da Força Aérea Portuguesa comprados pelo Governo no tempo Guterres:
1. O facto de nunca sequer terem sido usados só prova, segundo o Ministro, que de facto não faziam falta;
2. O facto de o Governo ter comprado aviões de que afinal não precisava é uma responsabilidade que deve ser imputada ao Governo de então e não a este;
3. Antes de vender, o Estado português vai ter que cumprir o compromisso assumido de modernizar os aparelhos, mas segundo o ministro isso não é negativo e até os pode valorizar.
Adenda noticiosa de hoje: para poder vender os aviões, o Governo ainda precisa que os EUA aprovem o comprador.
Qualquer das afirmações do ministro é pelo menos altamente discutível em si mesma, mas ainda mais impressionante foi a ligeireza com que ele as produziu. Basta fazer por alto as contas para perceber quanto dinnheiro correu e ainda vai correr nesta operação sem que os aviões tenham chegado a ser desempacotados. Aparentemente, ou isso não preocupa muito o Ministro da Defesa, ou ele tem o fantástico sangue-frio para falar do assunto como se não fosse nada com ele. É sintomático da desresponsabilização dos políticos em relação à coisa pública.