Hino nacional

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(visto no Mãos ao ar, com uma vénia ao Zé Bitaites)

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Takagi Masakatsu

air.jpgNuma emissão antiga do Íntima Fracção guardada no iPod descobri este “And then”, de Takagi Masakatsu, um interessante cruzamento entre o bucolismo de Virginia Astley e o experimentalismo de Nurse With Wound. O tema em causa, de 2002, pode ser integralmente ouvido ou descarregado no Webjay e o excelente site oficial de Takagi Masakatsu, músico, pintor e artista de video, oferece samples de todos trabalhos mais recentes (os quadros e as fotos também merecem visita demorada). Já está na lista de compras. Quem gosta de Ryuichi Sakamoto vai gostar de descobrir isto.

Save the internet

O carácter democrático e livre da internet é uma originalidade histórica. Ao longo da história, todos os novos meios de comunicação que a tecnologia colocou ao nosso dispor foram/são, em maior ou menor grau, controlados pelos poderes públicos ou por empresas privadas. É supreendente que a Internet ainda não o seja. Com a explosão de blogues, conteúdos audio e vídeo, páginas pessoais, fóruns e chats, etc, consegue-se imaginar a quantidade de "valor" – para usar um termo económico – que não está a ser convertida em "rendimento". Alguém está a dormir, e esse alguém são as empresas com capacidade de obter rendimento a partir dessa cadeia de valor.

O que se espera é que os cidadãos também estejam acordados!

O projecto Save the Internet.com tem por objectivo combater as movimentações dos lobbies que pretendem gerar mais rendimentos a partir dos serviços de acesso à internet cobrando preços premium a alguns utilizadores e "obrigando" os outros a optarem por ligações menos rápidas ou mais limitadas. Está tudo explicado neste vídeo, e mais informações podem ser obtidas no site savetheinternet.com. Está a decorrer uma petição ao congresso norte-americano, mas que eu saiba o problema ainda não se colocou na Europa. Mas, como prevejo que seja apenas uma questão de tempo, mais vale estar atento….

 (dica Jornalismo & Comunicação)

ADENDA: Tim Berners-Lee, o inventor da World Wide Web, também considera, no seu blogue, que este é um ataque muito sério à neutralidade da internet (descoberto no Personal Bytes).

Martin Adler

Martin Adler, jornalista e repórter fotográfico sueco foi morto a tiro em Mogadíscio, Somália. Não é apenas mais um jornalista que morre em trabalho (o que já seria muito); é também o fim de um homem que muitos portugueses- eu sou um deles – leram ao longo de anos na Grande Reportagem, sempre com reportagens corajosas e nas quais se sentia a paixão que ele sentia ao fazê-las. Pode paracer conversa, mas isso de facto sentia-se nas suas reportagens.

A notícia do DN que dá conta do acontecimento, trata-o com a relevância que merece. Mas em nenhum ponto quer o jornalista que escreve a notícia quer os seus editores parecem dar-se conta de que este é o Martin Adler que tantos leitores portugueses tão bem conhecem. O que me suscita a pergunta: será que nunca leram a Grande Reportagem? Será que leram e não repararam nas reportagens de Martin Adler? Ambas as coisas são possíveis, mas ambas são também preocupantes do ponto de vista da formação não-formal dos nossos jornalistas.

Felizmente podemos ficar a saber mais sobre Martin Adler a partir do testemunho daqueles que com ele trabalharam. Francisco José Viegas,  no Origem das Espécies, escreve sobe Martin Adler e reproduz algumas das suas fabulosas imagens. Na blogosfera portuguesa, Martin Adler também é recordado com saudade por muita gente. Onde quer que esteja, ele certamente considerará isso um bom epitáfio. 

Já ganhámos!

Segundo uma sondagem da Comescore, os fãs portugueses são – de todos – os que mais acreditam na vitória:
     Responses      Voting for
     by Country     Own Country
     Portugal          61%
     USA                33%
     Netherlands     42%
     Spain              29% 
     France             29%
     England           47% 
     Germany          41%
(via Atrium)

A nova Blitz

blitz.jpgNasceu "a nova" Blitz, agora no formato revista e com periodicidade mensal.

Numa primeira leitura, o projecto gráfico e editorial pareceu-me competente mas não surpreendente. E isso não é muito, mas pode ser suficiente. Boa sorte aos autores e feitores do projecto.

Mas o que motiva este post é chamar a atenção para a ênfase colocada na interactividade com os leitores no site da revista. Embora não seja nova, mesmo em Portugal, essa ênfase parece-me uma aposta no sentido correcto. Resta saber como se materializa na prática. Veremos.

Notas de Genselkirchen

Logo a seguir a seguir a Reykjavik, numa semana intensíssima, uma visita rápida de ida-e-vinda a Genselkirchen para ver "ao vivo e a cores" o Portugal-México. Algumas de impressões sobre a matéria:

  • O estádio de Genselkirchen é muito interessante, mas assitir a um jogo de futebol num recinto totalmente coberto é algo estranho. Parece que estamos num pavilhão gigante. Sente-se que falta algo. Outra coisa a rever na concepção dos estádios é o sítio onde são colocados os painéis electrónicos: demasiado altos para os jogadores se poderem ver a si próprios depois de concluirem os lances…
  • Impressionante a quantidade de mexicanos presentes no jogo. Certamente mais do dobro dos portugueses, o que é surpreendente, atendendo a que eles vêm de a muitos milhares de quilometros de distância e os portugueses de alguns mlhares ou mesmo centenas.
  • Num jogo onde os naturais dos dois países sabem bem o significado da palavra "Olé", começar aos "olés" logo no início da partida – como fizeram os mexicanos – criou um ambiente de alguma tensão, que felizmente se desanuviou no decorrer do jogo. No final acabou tudo aos "beijos e abraços" naquele clima de descoberta e confraternização que constitui o fruto mais saboroso de um evento como este. Houve desejos mútuos de boa sorte na fase seguinte, houve troca de camisolas e cachecóis, houve fotos tirada para a posteridade, etc. É bonito!
  • Os alemães de Dusseldorf olhavam com curiosidade e um sorriso os portugueses devidamente ornamentados a caminho de Genselkirchen. Fiquei com a impressão de que a maioria deles encarava aquilo com  um espírito de convivência que, sinceramente, não esperava dos alemães. Uma surpresa positiva.
  • Outra surpresa: os alemães também já aderiram às bandeirinhas nos automóveis. O baluarte de racionalidade do norte da Europa rendido às emoções do desporto-rei. Definitivamente, algo está a mudar nos alemães… Não sei se foi Scolari que começou esta moda ou se deve ser atribuida aos holandeses que "pintaram" de laranja o europeu de há seis anos, mas devia pagar direitos de autor. Com esta adesão alemã à moda da "bandeirinha" a distinção deixa de ser de natureza e passa a ser de grau: na Alemanha alguns carros têm bandeiras, em Portugal algumas janelas não têm bandeiras.

Notas de Reykjavik

Com os meios mas sem o tempo para postar in loco, aqui ficam duas ou três notas breves sobre uma passagem por Reykjavik, Islândia:

  •  A Islândia é um país diferente de tudo o resto, inóspito, predominantemente negro (ou branco, consoante a época do ano), sublinhado pela chuva e céu escuro, mas, sobretudo, sente-se que isso se reflecte nas pessoas. Embora isso cause estranheza e exija habituação, o pior não são as apenas duas horas de "noite" durante o Verão; o pior, como disse um "nativo", são as duas horas de "dia" durante o Inverno. A Islândia não foi feita para ser habitada. Só o é com muita perseverança humana.
  • Björk é o maior vulto artístico da Islândia. Ao pé dela, os Sigur Rós ou os GusGus são meros principiantes. Talvez por isso Björk tenha uma bela casa de Verão junto ao lago. Não consta que por ali haja alguma casa de Jónsi. Aproveitei para comprar edições locais de Von e de (). Perguntei se havia alguma coisa em DVD. Não havia, mas o empregado disse que ia ser gravado um DVD no próximo dia 29 de Julho, num concerto em Reykjavik, com entrada livre. Quem puder estar presente que aproveite a oportunidade. Eu disse-lhe que esperava por eles em Lisboa.
  • Fiquei espantado com a quantidade de influências americanas na Islândia. Em certas alturas, o parque automóvel podia fazer-nos pensar que estávamos numa qualquer cidade do Alaska. Mas parece que os americanos estão de saída. Uma das hostesses do evento em que participei – uma islandesa de 21 anos – teve a preocupação de deixar isso bem claro assim que lhe falámos dos americanos…
  • A Islandia é uma plataforma de acesso ao interior dos Estados Unidos para muitos vôos. Resultado: o aeroporto parece norte-americano, com bandos de miúdos e miúdas em viagem de fim de curso, tanto para um lado como para o outro. O que impressiona nestes adolescentes americanos é a forma como eles se parecem com a ideia que deles temos. Das duas uma: ou a ideia que formamos deles é muito precisa ou eles são muito conformes com a ideia.
  • É impressionante a quantidade de água que existe na Islândia. Há água por todo o lado. Rios, glaciares e quedas de água para onde quer que olhemos. E, inteligentes e civilizados, os islandeses aproveitam-na em abundância, assim como a energia térmica vulcânica, para produzir quase toda a energia de que precisam. Também vi, na Islândia, pela primeira vez, uma estação de abastecimento de hidrogénio aberta ao público…

Maradona, o adepto

maradona.jpgMaradona está na Alemanha a acompanhar a sua selecção e tem sido objecto frequente das camâras de televisão nos momentos de júbilo pelas vitórias da Argentina.

Há algo de genuino na forma como Maradona se comporta da bancada. Quem está ali é o adepto Maradona. Como se as câmaras não estivessem lá, como se os olhos do mundo não estivessem postos nele, Maradona faz tudo o que fazem os adeptos. Grita quando é golo, passa as mãos pela cabeça nos grandes falhanços e provavelmente chama nomes ao árbitro quando não concorda com as decisões.

É esse o encanto de Maradona. Dificilmente imaginaríamos Pelé a fazer o mesmo. Ou Beckenbauer, Cruiff, ou Platini. Todos eles são demasiado bem comportados para aparecerem assim. Maradona não. Maradona é um deus com pés de barro. Com mãos de barro, pernas de barro e provavelmente também cabeça de barro. Até pelos tombos que tem dado nesta vida, Maradona é um homem comum. Que se emociona com uma bola ao poste ou um golo inesperado.

Ele podia ser o nosso vizinho do lado na bancada. E o que é que isso diz sobre o vizinho do lado do Maradona? Isso diz que cada um de nós podia ser como ele. Um Maradona pode estar ao virar da próxima esquina, como pode estar ao nosso lado na bancada. No fundo, no fundo, é este sentimento difuso, esta vaga esperança de que o futebol nos queira, que verdadeiramente faz de nós adeptos. É isso que faz Maradona na Alemanha sempre que as câmaras o focam. Ele é plenamente um de nós.

Espírito ecuménico

janela.JPGO que me enche de orgulho não são são as bandeiras portuguesas penduradas à janela.

O que me enche de orgulho são as bandeiras brasileiras, angolanas, ucranianas, alemãs, italianas, francesas, suecas, etc, penduradas às janelas portuguesas.

Mais do que o futebol, é isso que nos enriquece como povo. É isso o que de mais rico temos para oferecer ao mundo. O futebol é apenas um belo pretexto.

A capela sistina dos nossos dias

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adidastbwa_fresko_3.jpgDepois da impressionante ponte "Oliver Khan", algures numa estrada alemã, a Adidas reinventou os frescos de Miguel Ângelo e adaptou-os aos nossos dias, numa criação da agência TBWA, que pode ser vista na estação central de Colónia.

Atendendo a que os futebolistas são os deuses e semi-deuses da actualidade, a metáfora é muito bem lembrada. Neste caso, os criativos da TWBA fazem o papel de Miguel Ângelo. A Adidas, claro, é o Papa!

(via Lunch over IP)