Uma boa notícia: a Íntima Fracção já está disponível em podcast. Notícia no blogue da IF e download em GavezDois.
(dica Adufe)

É uma excepção muito positiva a uma realidade que demora a arrancar em Portugal: a dos podcasts. Para quando os podcasts dos programas da TSF, aqueles que passam a horas e dias em nunca estamos a ouvir rádio e que certamente ouviríamos se os pudessemos ter guardados no leitor de MP3?

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Recomendação musical


Para quem tem espírito de colecionador, recomendo esta edição especial dos singles e maxi-singles editados pelos Cocteau Twins entre 82 e 96. A magnífica caixa de 4 CD chama-se “Lullabies to Violaine” e dá uma óptima prenda de Natal. Eu já o ofereci a mim próprio, não vá alguém esquecer-se…

Nestas coisas, como diria o filósofo, a natureza atribui ao ser humeno um dom único, que é o de, através do discurso, esconder o pensamento.”
Jerónimo de Sousa, referindo-se a Cavaco Silva, no debate televisivo entre ambos (som na TSF)

Ou de como um metalúrgico acerta na mouche. Depois da questão dos imigrantes despoletada por Louçã (e mal gerida por Cavaco), este terá sido o ponto do debate que – segundo o meu palpitómetro – mais votos terá custado a Cavaco. Cavaco perdeu muito poucos votos contra Alegre, perdeu bastantes votos contra Louçã e perdeu muitos votos contra Jerónimo. Por isso, feitos três dos seus debates e faltando apenas o decisivo contra Soares, estico o dedo para accionar o palpitómetro e aposto que Cavaco já não tem, hoje, a vitória na primeira volta.

O pulinho das feiras

Actualizando a problemática das feiras, dei um pulinho até Aveiro com a RTP (sem link). Aparentemente a polícia fez o que devia e, numa rusga, apreendeu grandes quantidades de produtos provenientes de contrafacção.

Curiosa, a reacção de uma vendedora no local:
1. “Mas porque é que eles não vão mas é apreender droga?”
2. “Se não nos venderem a nós as fábricas fecham.”

Uma pergunta pertinente e uma afirmação preocupante de quem conhece bem o seu métier.

Feira do Relógio

A Feira do Relógio, em Lisboa, é (como qualquer outra do género) um impagável laboratório sociológico. Os finalistas de sociologia deviam ser obrigados a fazer ali parte do estágio. Na Feira do Relógio pulsa o país real (o.k., 95% dele!) e uma visita diz-nos muito sobre o que somos como povo e como país.

Hoje de manhã três agentes da PSP circulavam calmamente, vigilando a ordem pública por entre feirantes que, bancada sim, bancada não, comerciavam artigos de contrafacção ou simplesmente roubados. Os artigos obviamente não lhes interessavam, nem a eles nem aos agentes da polícia municipal que por lá andavam.
Desta vez como todas as outras em que já tinha presenciado a cena, achara estranho que a polícia pudesse estar presente e não fazer nada. Mas hoje vislumbrei parte da resposta quando vi uma fiscal da câmara, devidamente identificada, a conversar com uma feirante sobre o que julgei ter percebido ser algo relacionado com os documentos que é preciso ter para ali poder estar. A polícia olha para o lado porque a câmara olha para as licenças, porque os compradores olham para o bolso. É uma cadeia económica devidamente montada que só tem um detalhe estranho: é ilegal. Mas isso que importa. Aparentemente todos ganham menos as multinacionais lesadas (sim, isso é redentor!). Para refinar a ironia, até a fiscal que verificava a condição de feirantes dos feirantes ia pelo meio fazendo as suas compras da manhã: uma camisola da Gant, uma camisa Lacoste, uns sapatos Timberland, etc.
Se isto não é a imagem de um povo…

ADENDA: O Telejornal da RTP acaba de emitir uma reportagem feita na Feira do Relógio com o teor popularucho habitual, sobre o Natal dos pobres. A contrafacção e os artigos roubados não despertaram a atenção do jornalista. Mais um personagem para esta farsa nacional?

Alguém me explica…

Alguém me explica o que leva um jornal a escolher, para comentar o debate Cavaco-Louçã para a Presidência da República, um painel composto por António Perez Metelo, jornalista de economia; Saldanha Sanchez, fiscalista; e Diogo Leite Campos, fiscalista (sem link)? Será que o futuro Presidente vai acumular a pasta das finanças? Será que a sua visão da política económica é o essencial do seu projecto presidencial. Ou será que também os jornalistas e editores desta peça embarcaram na falácia de que os candidatos a presidente não têm nada de mais importante para discutir que política económica?

Exercícios de depuração

“O que decidirá as eleições não será o posicionamento ideológico mas o tipo de personalidade que a maioria dos portugueses quer ver em Belém nos próximos anos, tendo em conta a situação por que estamos a passar.”
Daniel Proença de Carvalho, apoiante de Cavaco Silva, no DN

1º exercício de depuração
“O que decidirá as eleições não será o posicionamento ideológico mas o tipo de personalidade que a maioria dos portugueses quer ver em Belém nos próximos anos(…).”

2º exercício de depuração
“O que decidirá as eleições não será o posicionamento ideológico mas o tipo de personalidade (…).”

3º exercício de depuração
“O que decidirá as eleições (…) será (…) o tipo de personalidade (…).”

Isto sim, são presidenciais!

O PCP segundo PP

Eu compreendo as razões científicas e até politico-filosóficas que levam Pacheco Pereira a dedicar tanta da sua atenção ao PCP e a Álvaro Cunhal. Um e outro são objectos de trabalhos dos mais interessantes de que certamente poderia dispor. E – é correcto – um e outro são, na sua história, património colectivo. O Partido certamente gostaria de monopolizar a respectiva historiografia, mas isso simplesmente não é possível numa sociedade democrática.
Mas, mesmo entendendo essas razões, também me repugna aceitar como “bom” que Pacheco Pereira possa, sem mais, passar uma vida a reescrever a história do PCP de uma forma tão parcial quanto o original e, agora, crie um blogue chamado alvarocunhalbio.blogspot.com,
à maneira das biografias não autorizadas de Hollywood. Já por razões puramente teóricas, uma biografia não autorizada é um objecto bastante estranho e, em termos práticos, é, provavelmente, menos credível do que uma biografia autorizada ou uma autobiografia (afinal, o objecto aqui é o próprio biografado e portanto ninguém, mais do que ele e os que lhe são próximos, está em condições de saber como é ou como foi a sua vida).
Pergunto-me, por exemplo, como reagirá a família de Álvaro Cunhal a este conjunto de “histórias” potencialmente afectadoras da sua memória e inteiramente incontroláveis por si. O PCP já emititu um comunicado sobre o livro e o teor do mesmo é compreensível. Mas também segue a abodagem errada (e tradicional do partido). A escolha do PCP e de Álvaro Cunhal como objecto de estudo do historiador Pacheco Pereira faz todo o sentido; assim como a criação de um blogue sobre o mesmo tema, aberto a outras participações (até do próprio PCP!), é uma excelente ideia do ponto de vista do progresso do conhecimento destas matérias e um excelente exemplo de como as novas tecnologias de informação podem dinamizar o trabalho científico e a discussão política.
Conclusão lógica, então: o que falta aqui afinal é uma historiografia autorizada do PCP que seja mais do que mera propaganda e uma atitude mais dinâmica e menos reverencial por parte das pessoas que realmente privaram de perto com Álvaro Cunhal. Nem num nem outros estão obrigados a fazê-lo. Mas tanto um como outros poderiam fazê-lo e não o fazem.

Os blogues e a ERC

Para esclarecer as dúvidas sobre se, sim ou não, os blogues fazem parte das competências da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, lsantos, do Atrium dirigiu um e-mail pertinente ao ministro dos Assuntos Parlamentares. A resposta está aqui e não é clara: por um lado esclarece que os blogues não estavam no espírito inicial da lei, mas, por outro, permite uma latitude de interpretação perigosamente abrangente. Um assunto a acompanhar.

O paradoxo Osama

É um paradoxo destes tempos de globalização que Osama Bin Laden- afinal apenas um homem:

– esteja morto e isso ainda não se saiba;
ou
esteja vivo e os EUA ainda não o tenham apriosionado.

As duas hipóteses – e outras… – são concebíveis, mas nenhuma delas deixa de ser profundamente surpreendente. Creio que mais cedo ou mais tarde este mistério será desvendado.

Ouvido na TSF

“Os trabalhadores da Autoeuropa vão reunir-se hoje para discutir os passos seguintes no impasse com a administração.”

Duas notas: uma fonética – a repetição “passo”/”passe” – e outra linguística – é difícil conceber como serão “os passos” de um “impasse”.