O PCP segundo PP

Eu compreendo as razes cientficas e at politico-filosficas que levam Pacheco Pereira a dedicar tanta da sua ateno ao PCP e a lvaro Cunhal. Um e outro so objectos de trabalhos dos mais interessantes de que certamente poderia dispor. E – correcto – um e outro so, na sua histria, patrimnio colectivo. O Partido certamente gostaria de monopolizar a respectiva historiografia, mas isso simplesmente no possvel numa sociedade democrtica.
Mas, mesmo entendendo essas razes, tambm me repugna aceitar como “bom” que Pacheco Pereira possa, sem mais, passar uma vida a reescrever a histria do PCP de uma forma to parcial quanto o original e, agora, crie um blogue chamado alvarocunhalbio.blogspot.com,
maneira das biografias no autorizadas de Hollywood. J por razes puramente tericas, uma biografia no autorizada um objecto bastante estranho e, em termos prticos, , provavelmente, menos credvel do que uma biografia autorizada ou uma autobiografia (afinal, o objecto aqui o prprio biografado e portanto ningum, mais do que ele e os que lhe so prximos, est em condies de saber como ou como foi a sua vida).
Pergunto-me, por exemplo, como reagir a famlia de lvaro Cunhal a este conjunto de “histrias” potencialmente afectadoras da sua memria e inteiramente incontrolveis por si. O PCP j emititu um comunicado sobre o livro e o teor do mesmo compreensvel. Mas tambm segue a abodagem errada (e tradicional do partido). A escolha do PCP e de lvaro Cunhal como objecto de estudo do historiador Pacheco Pereira faz todo o sentido; assim como a criao de um blogue sobre o mesmo tema, aberto a outras participaes (at do prprio PCP!), uma excelente ideia do ponto de vista do progresso do conhecimento destas matrias e um excelente exemplo de como as novas tecnologias de informao podem dinamizar o trabalho cientfico e a discusso poltica.
Concluso lgica, ento: o que falta aqui afinal uma historiografia autorizada do PCP que seja mais do que mera propaganda e uma atitude mais dinmica e menos reverencial por parte das pessoas que realmente privaram de perto com lvaro Cunhal. Nem num nem outros esto obrigados a faz-lo. Mas tanto um como outros poderiam faz-lo e no o fazem.

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