Quando enviei ao meu irmão esta notÃcia sobre o lançamento de um glossário com a tradução para português da maioria dos termos associados à sociedade de informação, com o comentário “talvez aches isto interessante“, ele respondeu-me: “sim, acho interessante e vou guardar. Mas também acho interessante que as tecnologias de informação permitam o aparecimento de termos que são usados na maioria das lÃnguas!â€
Ora aqui está uma reflexão interessante!
A tradução dos termos que nascem associados à s novas tecnologias é normalmente motivada pela defesa das lÃnguas nacionais. Mas a utilização dos novos termos associados à s novas tecnologias na sua formulação original, sem tradução, é certamente também uma forma de comunhão de sentidos entre diferentes pessoas de diferentes paÃses, indo ao encontro do que o Esperanto, por exemplo, pretendia ser. Ora, nesse sentido, não traduzir os vocábulos originais ingleses da sociedade de informação é, de uma certa forma, mesmo que restrita, estimular a criação de uma lÃngua verdadeiramente universal. É ir ao encontro do espÃrito do tempo e estar em sintonia com a inevitabilidade da globalização. E, por oposição, defender a lÃngua nacional é, neste contexto, uma espécie de movimento reaccionário de defesa do passado por oposição ao futuro.
Para irmos verdadeiramente ao fundo da questão, a pergunta que se coloca, então, é se faz sentido defender os estados-nação, em todas as suas formulações (a lÃngua é apenas uma delas) no quadro de uma globalização que tende para o universalismo. E perguntar isso é pertinente não porque consideremos que o estado-nação não deve ser protegido, mas porque o universalismo deve ser estimulado. Porque uma coisa é má e a outra é boa. Ou seja, a posição correcta não está tanto em defender um passado carregado de problemas mas sim um futuro cheio de oportunidades. Ou seja ainda, independentemente do que consiguamos fazer para defender o passado ou abrir caminho ao futuro, o que aà vem é melhor do que aqui está. Quem for optimista a esse ponto terá uma atitude progressista, quem for pessimista adoptará uma atitude reaccionária de defesa do estado-nação, na sua lÃngua como nas suas restantes caracterÃsticas.
O que é curioso notar é como, à luz deste raciocÃnio, a aparentemente louvável iniciativa da Associação Portuguesa para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação se revela afinal contrária aos seus próprios propósitos.