Demolidor

Joaquim Aguiar, uma dos arautos da “deriva presidencialista“, na Atlântico (sem link):

“Américo Tomás tinha declarado que não tencionava recandidatar-se a um terceiro mandato. Estava cansado, um período de sete anos era um período longo. Era a ocasião para a mudança decisiva, que permitiria abrir um novo horizonte para as questões conjuntas da abertura democrática, da independência das colónias e do desenvolvimento económico (…). Afinal concluiu que não estava cansado (…). Fechou-se a última janela de oportunidade e cairam todos (…).
Trinta e três anos depois reproduz-se o mesmo dilema entre a continuidade e a mudança a pretexto de uma eleição presidencial. Também se trata de uma última janela de oportunidade de correcção de rota antes de o colapso do Orçamento de Estado, o esgotamento da economia e a impossibilidade de sustentar o financiamento das políticas sociais trazerem para o primeiro plano a degradação dos comportamentos políticos, a generalização da corrupção e a captura dos serviços públicos pelos seus funcionários (…).
Como Tomás, Soares anunciou que estava cansado e que bastava de responsabilidades institucionais. Como Tomás, Soares sabe que é o último elo da continuidade, aquele que quer impedir o reconhecimento do óbvio. Como ao lado de Tomás, também ao lado de Soares estão as forças apostadas na continuidade, que querem fechar a última janela de opotunidade para a correcção da rota, desde que isso lhes prolongue os privilégios (…).

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