Claro, Clara!

«É nesta fase do patriotismo imposto às massas ignaras como coisa providencial, que me começo a coçar furiosamente e a ficar nervosa. Eu creio, firmemente creio, que as massas mais jovens, as dos blogues e companhia, as sem blogues (que são a maioria) não sentem uma particular necessidade histórica, civilizacional e autoritária, de um patriota que os salve e de um poder potestativo. Estão na Europa, vivem como europeus, os regimes autoritários cheiram a mofo, têm computadores e liberdade a rodos, de que a internet e os blogues são a máxima expressão. Precisam de Cavaco para os salvar de quê?”
Clara Ferreira Alves, no Diário Digital
(via Super-Mário)

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Unanimismo

“Cavaco vai ganhar e vai ser um excelente Presidente para trabalhar com um excelente primeiro-ministro.”
Belmiro da Azevedo em entrevista ao jornal Público/Rádio Renascença/2:

Em nenhuma outra categoria social parece existir um tão fundado unanimismo em redor da dupla Cavaco/Sócrates como nas elites económicas deste país. O que eu me pergunto – e não me atrevo a responder – é se isso será um bom ou um mau sinal.

De certa forma voltamos à velha questão do primado do económico sobre o político. A política está em descrédito e a economia não é alheia a isso. Passando aos personagens, os políticos estão em descrétido e as elites económicas não são alheias ao facto. Aqui e elsewhere.

A prova está no facto de estarmos hoje a discutir a preparação económica do futuro presidente, o mais “político” dos cargos políticos. Sob o primado da economia não há política. Sob o primado da economia não há justo ou injusto, só certo ou errado. A economia é puramente racional. A política é ocasinalmente irracional e muitas vezes emocional.

E, bem vistas as coisas, no fundo, no fundo, não procuraremos nós, apenas e só, não mais do que pão sobre a mesa?

Bloggers de todo o mundo, uni-vos!

Atenção a esta polémica Forbes vs. Bloggers referida pelo Atrium e já comentada, entre outros, por JDLassica, Steve Rubel e Dan Gillmor. Para dar uma ideia do teor do “ataque”, reproduzo apenas o lead da história da Forbes:

“Web logs are the prized platform of an online lynch mob spouting liberty but spewing lies, libel and invective. Their potent allies in this pursuit include Google and Yahoo.”

Sobre a sondagem DN/TSF/Marktest

Sobre a sondagem DN/TSF/Marktest que dá Cavaco no limiar da vitória à primeira volta e coloca Alegre à frente de Soares, há duas observações que se podem fazer, com diferentes graus de certeza:

1. Embora não seja especialista em sondagens, aposto que Cavaco vai perder percentagem até à eleição. Como já escrevi antes, isso acontece sempre que um candidato parte muito distanciado dos restantes. Pelo mero jogo de confronto eleitoral, esse candidato tende a perder votos e os os restantes a ganhá-los. Mais ou menos, num caso ou noutro, se o primeiro não for particularmente compente do ponto de vista eleitoral e os outros não forem em absoluto ineptos sob o mesmo prisma. O que isto significa, no caso concreto, é que Cavaco não vai ganhar à primeira volta.

2. O facto de Alegre estar à frente de Soares é estranho. Pode ser um elemento supresa. Mas se a lógica prevalecer, Alegre vai perder percentagem na exacta medida em que Soares a vai ganhar. Em primeiro lugar porque Soares é conhecido do ponto de vista político e Alegre não. Em segundo lugar porque Soares tem ao seu serviço uma máquina eleitoral muito mais poderosa.

Para provar que a língua portuguesa não é tão difícil como se diz, não resisto a reproduzir algo que me chegou por e-mail:

Para ler em voz alta:

Três bruxas olham para três relógios Swatch. Qual bruxa olha para qual
relógio Swatch?

E agora em inglês:

Three witches watch three Swatch watches. Which witch watch which
Swatch watch?

Foi fácil?
Então agora para os verdadeiros “especialistas”:

Três bruxas suecas e transsexuais olham para os botões de três
relógios Swatch suíços.
Qual bruxa sueca transsexual olha para qual botão de qual relógio
Swatch suíço?

Tentem agora em inglês:

Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch watch
switches.
Which Swedish switched witch watch which Swiss Swatch watch switch?

Conseguiram?
Se a resposta é sim, parabéns!!

Quando enviei ao meu irmão esta notícia sobre o lançamento de um glossário com a tradução para português da maioria dos termos associados à sociedade de informação, com o comentário “talvez aches isto interessante“, ele respondeu-me: “sim, acho interessante e vou guardar. Mas também acho interessante que as tecnologias de informação permitam o aparecimento de termos que são usados na maioria das línguas!

Ora aqui está uma reflexão interessante!

A tradução dos termos que nascem associados às novas tecnologias é normalmente motivada pela defesa das línguas nacionais. Mas a utilização dos novos termos associados às novas tecnologias na sua formulação original, sem tradução, é certamente também uma forma de comunhão de sentidos entre diferentes pessoas de diferentes países, indo ao encontro do que o Esperanto, por exemplo, pretendia ser. Ora, nesse sentido, não traduzir os vocábulos originais ingleses da sociedade de informação é, de uma certa forma, mesmo que restrita, estimular a criação de uma língua verdadeiramente universal. É ir ao encontro do espírito do tempo e estar em sintonia com a inevitabilidade da globalização. E, por oposição, defender a língua nacional é, neste contexto, uma espécie de movimento reaccionário de defesa do passado por oposição ao futuro.
Para irmos verdadeiramente ao fundo da questão, a pergunta que se coloca, então, é se faz sentido defender os estados-nação, em todas as suas formulações (a língua é apenas uma delas) no quadro de uma globalização que tende para o universalismo. E perguntar isso é pertinente não porque consideremos que o estado-nação não deve ser protegido, mas porque o universalismo deve ser estimulado. Porque uma coisa é má e a outra é boa. Ou seja, a posição correcta não está tanto em defender um passado carregado de problemas mas sim um futuro cheio de oportunidades. Ou seja ainda, independentemente do que consiguamos fazer para defender o passado ou abrir caminho ao futuro, o que aí vem é melhor do que aqui está. Quem for optimista a esse ponto terá uma atitude progressista, quem for pessimista adoptará uma atitude reaccionária de defesa do estado-nação, na sua língua como nas suas restantes características.

O que é curioso notar é como, à luz deste raciocínio, a aparentemente louvável iniciativa da Associação Portuguesa para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação se revela afinal contrária aos seus próprios propósitos.

O e-cuaderno tem a lista de nomeados nas várias categorias da eleição dos Melhores Blogues de 2005. Chamo a atenção para os nomeados da Repórteres Sem Fronteiras e para os blogues jornalísticos em língua portuguesa (sete são brasileiros e um é angolano). Abaixo, os nomeados para Melhor Blogue do ano:

1. Real Climate
2. The South-East Asia Earthquake and Tsunami Blog
3. ????? ?? ??????????
4. AgoraVox, le journal media citoyen
5. Wang Yi’s Microphone
6. Tupiniquim
7. Lyssas Lounge
8. Más respeto, que soy tu madre

Uma homenagem

Não conheço em detalhe completo o seu percurso de vida, mas faço minhas as palavras de Dan Gillmor acerca de Rosa Parks: “When Rosa Parks refused to get up, an entire race of people began to stand up for their rights as human beings“. Às vezes (sempre?) as grandes transformações políticas e sociais acontecem quando uma pessoa, sozinha, decide tomar uma atitude.

Um dedo no ar!

Notícia do Público (link pago):

Blogue de apoio a Cavaco em dificuldades

Pedro Lomba está à procura de independentes para apoio à candidatura

A criação de um blogue suportado por apoiantes declarados da candidatura de Cavaco Silva está a encontrar alguma dificuladdes devido à recusa de participação de independentes”

Pergunta óbvia: quanto é que pagam?…

“(…) várias ideias que Cavaco Silva materializou e que incluem: uma preocupação com a governabilidade do sistema político português, de que a procura de maiorias absolutas de um só partido e a tendência para a bipolarização são uma tendência, entre outras; uma ideia sobre a indispensabilidade de cada vez maior integração na União Europeia como instrumento exógeno de pressão para mudanças endógenas; uma governação liberal para a sociedade e keynesiana para o Estado (não, não é contraditório); uma afirmação obsessiva da autonomia do Estado face aos interesses; racionalização “modernizadora” do Estado; utilização dos fundos comunitários com obras estruturais. Foram estas políticas (…) que materializaram uma política de centro entre a esquerda e a direita moderadas. Na realidade, o cavaquismo é o mais próximo do programa social-democrata “à portuguesa” definido por Sá Carneiro. Agora que o cavaquismo se tornou um anátema [nota: este texto foi escrito na sequência do caso do cartaz, em Março de 2005], aqui está o que dele pode ser útil para o futuro.”
José Pacheco Pereira, no Público, em 3/3/2005
Citado em “A agenda de Cavaco Silva”, de Vitor Gonçalves, pp 142/143.
Destaques meus.

Três notas apenas:
1. O “entre outras” do período inicial é significativo, indiciando que existem outras tendências (para além da bipolarização e da procura de maiorias absolutas) que vão no sentido de melhorar a governabilidade do sistema político. Que tendências? A presidencialização?…

2. Este programa político “pode ser útil para o futuro” de que forma? Incoporando-se num projecto de presidencialização do regime? Incorporando-se num programa de um partido existente? De um novo partido? A pergunta merece resposta porque, na realidade – e sem ironias – aquele programa político, assim expresso, é um excelente programa político. E era uma pena que morresse orfão.

3. Como é que se cria uma nova força política? À pressa e sem preparação, como no Eanismo, ou lenta e pacientemente, alimentado carinhosamente uma ideia antes de ela ter materialização prática? No centro do espectro político, como PP o coloca, e herdeiro da “social-democracia à portuguesa” de Sá Carneiro, o cavaquismo é o futuro do PSD e experimenta a vertigem de ocupar aquele espaço político que desde o Eanismo é uma tentação: o centro. É bem possível que Cavaco ganhe as eleições com um programa social-democrata e depois se reclame dessa vitória para moldar o PSD à sua imagem e semelhança (barões não lhe faltam), separando-o do PPD e inaugurando o espectro político a cinco vozes.

State of the Art

O Media Guerrilla faz alusão aos dados de David Sifry sobre o crescimento da blogosfera. Os dados de Outubro são os seguintes:

– Em Outubro de 2005, o Technorati acompanha 19,6 milhões de blogues;
– O número total de blogues acompanhados continua a duplicar a cada 5 meses;
– A blogosfera é hoje 30 vezes maior do que era há 3 anos;
– Cerca de 70 mil blogues são criados todos os dias;
– Um blogue nasce a cada segundo que passa;
– Em cada 24 horas entre 700 mil e 1,3 milhões de posts são publicados, 33 mil por hora e 9,2 por segundo.