Hoje os jornais – todos – apareceram pintados de azul, primeira página incluída, para suportar a mudança de imagem da TMN.

Na TSF isso foi notícia, no final do jornal das oito, que culimou com a jornalista Helena Vieira a despedir-se dizendo (sic) “então usando a máxima da TMN: até já!“.

O que leva a perguntar:
Where do you draw the line?
Is there a line?

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Inicia-se hoje o processo em que as vítimas da Casa Pia pedem um total de cerca de 50 mil euros ao Estado em indemnizações. Pergunta difícil e qualificadora: quantos portugueses terão exclamado “querem é encher-se à conta do processo“?

O trauma de Felgueiras

Há muito tempo que um acontecimento político não me era pessoalmente traumatizante.

Ao regressar da forma sorridente e vitoriosa como os telejornais documentaram, Fátima Felgueiras não está só a gozar com os felgueirenses. Está a gozar com todos nós. Em última análise está a gozar comigo!

Por isso, como bem frisou Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo, os felgueirenses, amarantinos, oeirenses e gondomarenses têm responsabilidades acrescidas nestas eleições; têm responsabilidades nacionais na reposição da nossa ética colectiva. Pela minha parte, sou homem para ir a Felgueiras demonstrar o meu apoio a todos os felgueirenses que são pessoas de bem. Haja alguém que convoque a manifestação.

O regresso de Fátima Felgueiras é pessoalmente traumático, para já, porque põe em causa a ideia de círculos uninominais nacionais. Como bem sublinhou Francisco Louça, abrir círculos uninominais para a Assembleia da República é abrir a porta a todas as Fátimas Felgueiras e a todos os Daniel Campelo, Ferreira Torres, Valentins e Isaltinos deste país. Cada país tem os políticos que escolhe. Como disse Jorge de Sena (citado no Almocreve das Petas), “o problema não é salvar Portugal, mas salvar-nos de Portugal“. Esse é o segundo trauma.

Vale Tudo

O que não vale no “Vale Tudo” que terá lugar no pavilhão Atlântico em Outubro, segundo a organização:

“1. Cabeçadas
2. Dedos nos olhos
3. Dentadas
4. Puxar cabelos
5. Colocar os dedos em qualquer orifício ou em qualquer corte ou ferimento do adversário
6. Socar e/ou pontapear a nuca ou pescoço
7. Usar o cotovelo para atacar a cabeça ou rosto
8. Estrangular o adversário
9. Chutar a cabeça de um oponente que esteja deitado
10. Dar joelhada na cabeça de um oponente que esteja deitado
11. Agarrar as cordas e não as largar intencionalmente.
12. Fugir para fora do ring
13. Projectar o adversário para fora do ring
14. Agarrar os calções ou as luvas do adversário
15. Atacar o adversário durante a pausa entre rounds
16. Atacar o adversário que esteja sobre a protecção do juiz
17. Atacar o adversário após o sinal de final de round
18. Flagrante desrespeito pelas instruções do juiz
19. Uso de linguagem ofensiva no ring ou fora dele
20. Cuspir no adversário
21. Interferência do corner
Cometer qualquer uma destas faltas pode resultar na desqualificação ou declaração de combate nulo.

Quatro observações sobre Carrilho, Carmona e Lisboa.

1. Em todos os debates em que tive a oportunidade de ver mas, mais do que todos, no que o opôs a Carmona, Carrilho pareceu sempre nervoso e excessivamente agressivo. Carrilho conquistou a pulso e contra a vontade do secretário-geral do partido e possivelmente contra o partido, o direito de ser candidato em Lisboa e sabe que não terá carreira política para além de uma derrota. Por isso joga o tudo por tudo. Mais: Carrilho tem-se em muito boa conta e pensa, provavelmente, que daria um excelente primeiro-ministro ou presidente da República. Por isso vê esta eleição/mandato como uma etapa transitória no destino para que está fadado. Vê-a portanto com algum enfado. E isso nota-se na pressa com que quer eliminar adversários e etapas para chegar ao seu destino. Claramente, Carrilho vive noutro mundo e o choque com a realidade vai ser brutal

2. A agressividade mútua do debate Carmona/Carrilho deve ter afastado mais eleitores do que aqueles que conquistou. Para ambos os candidatos. É verdade que foi Carrilho e não Carmona que instalou o ambiente de terrorismo mediático em que decorreu o debate. Mas, tivesse Carmona sabido resistir e poderia ter ganho as eleições naquela noite. Foi neste detalhe que se notou a falta do político que ele não é. Assim, julgo que ambos perderam votos e não serão poucos os eleitores que a esta hora estarão a consultar as propostas de Maria José Nogueira Pinto, José Sá Fernandes e Ruben de Carvalho.

3. O problema para quem pretende votar nas alternativas ao bloco central é o voto útil. Se o voto útil exerce uma pressão enorme sobre os eleitores nas eleições legislativas, nas autárquicas exerce-a ainda mais, porque a influência das oposições é ainda menor nas autarquias do que no governo central. A inutilidade de um voto derrotado nas autárquicas – e um voto nos extremos é sempre um voto derrotado – é ainda maior que nas legislativas, o que tendencialmente reforça a centralização do voto. Ele só não se centraliza mais porque, ao contrário, a importância do voto é em si mesma menor, o que permite maior liberdade de voto aos eleitores. Destas duas tendências contraditórias resulta uma forte pressão sobre o voto útil. Sem ela, e com Carmona e Carrilho a prejudicarem-se mutuamente de forma tão evidente, qualquer um dos “pequenos candidatos” poderia ganhar em Lisboa.

4. O problema do distanciamento entre eleitores e eleitos não é só um problema nacional. Paradoxalmente à proximidade geográfica, esse afastamento é ainda maior nas autarquias. O que, manifestamente, resulta de um sistema de governação das câmaras ainda mais irracional do que o sistema de eleição para os órgãos de governação nacionais. Esta é uma questão que claramente transcende Carmona e Carrilho, mas em boa parte os explica, assim como aos epifenómenos Valentim, Ferreira Torres e Isaltino. Depois de eleito, um executivo camarário fica em roda livre (uma das irracionalidades do sistema é que não permite controlo efectivo), com os efeitos que se conhecem.

Jornais: em papel ou na internet?

Vantagens e desvatagens das notícias em papel ou na internet (via Atrium e Ponto Media).

Tim Porter reproduziu no seu First Draft estas 10 razões a favor do jornal em papel elencadas por Tom Rouillard:

1. The newspaper has never burned my lap. (Macs run hot!)
2. The flight attendant has never told me to put my newspaper away.
3. I can read my newspaper while standing, while eating, while riding a bus.
4. I can give my newspaper to someone else when I am done.
5. I can read the A section while my wife reads the metro section.
6. My newspaper’s battery never dies.
7. If my newspaper gets wet, I can buy another for about a buck.
8. I can recycle my newspaper at the curb.
9. If I drop my newspaper, it doesn’t break.
10. I can read my newspaper during a lightning storm.

Mas Travis Smith respondeu logo a seguir com as 10 razões para ler notícias na internet:

1. My news site has never stained my clean shirt or my car seat.
2. Anywhere I travel, my news site goes with me. It doesn’t pile up while I’m away.
3. I can listen to my news site’s podcast while standing, while eating, while riding a bus, OR while I drive my car.
4. If I read a story I like, I can send it to a friend without a stamp.
5. My news site doesn’t just have sections — it’s customizable, and it shows my wife and I exactly what we’re interested, separately.
6. I’ll give you the battery advantage. But my news site has each apartment listing with detailed descriptions, photos and a precise map. My newspaper says “Downtown, 2 bd/2 bt, 5 appl., ht & ht wtr, balc, d/i pool, n/p, n/s. $1200”
7. My news site never gets stolen off my doorstep or delivered late. Or wet.
8. My news site doesn’t need to be recycled.
9. If my news site is makes a mistake, they correct the original story, and when I read that story later, I will see the corrected version. My newspaper may not be broken, but it could be wrong.
10. I can read my news site in a light breeze.

TVI II

Curiosa (e irónica) a cobertura dada pela TVI à Festa do Avante, com múltiplas notícias e vários directos. As realidades políticas podem ser bem diferentes, mas a realidade sociológica é a mesma. É o Povo que ali está; e onde está o Povo está a TVI.

A ironia é pungente, mas devia preocupar seriamente os dirigentes comunistas.

TVI I

Alinhamento das notícias de desporto do Jornal Nacional da TVI de sábado:

– Resultado do jogo de sub21 realizado no dia anterior (com imagens);
– Resultado de um jogo de apuramento da selecção inglesa (com imagens);
– Resultado de outro jogo internacional (sem imagens).

Nem uma referência ao jogo Portugal-Luxemburgo, que se realizava nesse mesmo dia (uma hora depois) e que era, sem qualquer dúvida, o acontecinento desportivo mais importante do dia.

E porquê?

Porque o jogo era transmitido em directo pela RTP1, uma canal concorrente.
Assim funciona a informação da TVI. Não é surpreendente, mas convém ser recordado.