Segundo Chossudovsky

No Um Homem das Cidades a propósito de uma polémica com Pacheco Pereira, escreve-se o seguinte:

Segundo Chossudovsky, a denominada “guerra ao terrorismo” é uma fabricação completa baseada na ilusão de que um homem, Osama bin Laden, conseguiu ludibriar o aparelho de informações norte-americano que possui um orçamento de 30 mil milhões de dólares.

A “guerra ao terrorismo” é uma guerra de conquista. A globalização é a marcha final para a “Nova Ordem Mundial”, dominada por Wall Street e pelo complexo militar-industrial americano.

O 11 de Setembro de 2001 foi o momento que a administração Bush aguardava, a denominada “crise útil” que forneceu um pretexto para empreender uma guerra sem fronteiras.

A estratégia americana consiste em estender as fronteiras do Império Americano de modo a facultar o controlo completo por parte das grandes corporações americanas, enquanto instala na América as instituições de um estado securitário.

Dá que pensar….

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Soares contra Cavaco

Soares contra Cavaco é uma curiosa remake de combate político que decerto ainda vai fazer correr muita tinta. Mas, para já, duas ou três observações sobre o assunto:

1. Ao contrário do que ouvi num noticiário televisivo, imagino que Cavaco tenha sido de todo supreendido por esta solução de esquerda. Cavaco terá pensado em Guterres, em António Vitorino, talvez mesmo em Freitas ou Manuel Alegre, mas nunca em Mário Soares. E é isso que explica algum nervosismo visível no PSD e na direita (ao ponto, não inédito, de, como nota Paulo Gorjão na Bloguítica, Pacheco Pereira ter deixado o político sobrepor-se ao analista, aqui). Afinal esta eleição não será um passeio e, em parte por causa da sua incoerência, Soares introduz um elemento de imprevisibilidade no resultado de uma eleição que parecia decidida (com ou sem Guterres). E a eleição é imprevisível porque Soares é um jongleur político capaz de, com o seu ar bonacheirão (que como sabemos dá votos), dizer hoje o oposto do que disse ontem sem que isso o prejudique nas urnas (algo que Pacheco Pereira parece ter esquecido aqui, outra vez). Cavaco não se pode dar a esse luxo.
Temos portanto dois homens com perfis bastante diferentes: Soares tem perfil de Presidente, Cavaco tem perfil de primeiro-ministro. Contra um adversário fraco isso nem se notaria, mas, contra Soares, essa diferença significa que Soares pode ganhar.
Para além disso, Soares e Cavaco já se confrontaram politicamente (embora não nas urnas) no segundo mandato presidencial do primeiro. E Soares ganhou! Saiu por cima e Cavaco saiu por baixo.

2. Há duas razões que podem ter levado Soares a aceitar ser candidato, para além, obviamente, do gosto pessoal pela disputa política: o facto de a eleição se estar a tornar num plebiscito a Cavaco Silva; e o mundo de possibilidades aberto pelo precedente presidencialista criado por Sampaio. Soares digeriria mal um plebiscito presidencial qualquer que fosse o candidato de direita, mas digere-o muito mal se esse candidato for Cavaco Silva. Se tivesse havido outro candidato de esquerda, Soares não avançaria, mas, à falta dele, o velho político não resistiu ao desafio de voltar a enfrentar Cavaco (o que, concordo com o Nestes Tempos, é manifestamente pouco).
Por outro lado, embora soe a conspiração, é verdade que o precedente aberto por Sampaio quando demitiu um governo maioritário na assembleia pode ter apelado ao desejo de protagonismo de Soares (mas também de Cavaco, convém não esquecer, como muito bem refere Martim Avillez Figueiredo no Diário Económico). Sobretudo num quadro de ingovernabilidade do sistema político (não em termos de maiorias, mas em termos de “peso” político para impor reformas, como, também bem, referiu Lobo Xavier na Quadratura do Círculo), que, arrisco-o, vai ser um dos temas de fundo desta eleição presidencial. Saberemos se esta questão é ou não especulativa quando ouvirmos os dois candidatos sobre o seu entendimento das funções presidenciais. O que ainda não aconteceu.

3. Pelo seu perfil, é inevitável que Cavaco proponha uma agenda económica própria se chegar à Presidência. Se Sócrates lhe resistir vai ter um confronto político sério (e aberto) pela frente. Pelo seu perfil, se Soares chegar à Presidência, vai ter uma agenda política própria. Se Sócrates lhe resistir vai ter um conflito sério (mas sub-reptício) pela frente. Em qualquer dos casos Sócrates fica a perder porque qualquer das soluções lhe cria mais problemas do que o “manso” Sampaio lhe criava.

4. É claro que a questão da idade de Soares não tem qualquer relevância institucional. Mas tem relevância política. Nada sobre isso está inscrito na Constituição e é abusivo interpretar algo do facto de existir uma imposição de idade para aceder ao cargo. Mas não é irrelevante a idade de uma pessoa no momento de ascender a um cargo para cinco anos (com mais cinco de opção). Não é irrelevante para os eleitores e portanto não é irrelevante do ponto de vista político. Mas será curioso ver se alguém terá coragem de puxar esse tema na campanha eleitoral, nomeadamente Cavaco, como é óbvio.

5. Dependendo da personalidade de quem ocupe o cargo, o segundo mandato presidencial é sempre mais “irresponsável” que o primeiro. Não existe a pressão de voltar a sufragar nas urnas o desempenho no cargo e a carreira política quase sempre acaba (ou começa a acabar) depois disso. Com dois mandatos presidenciais extremamente bem sucedidos (recordem-se os níveis de popularidade atingidos), um estatuto de figura tutelar da democracia portuguesa e uma idade que garante que esta será, de facto, a última coisa que faz na vida, Soares será ainda mais “irresponsável” do que qualquer “irresponsável” antes dele e estará em absoluto em rédea livre se porventura for eleito. Se recordarmos o que foi o seu segundo mandato com Cavaco, podemos imaginar o que será agora se for eleito. Com Sócrates ou com outro.

Ainda há muitas coisas por esclarecer acera da demissão de Campos e Cunha. Mas há algumas reflexões que se podem fazer já:

1. O PS é o pior inimigo do governo de José Sócrates. Na medida em que Sócrates consiga contrariar o seu partido, ele conseguirá um rumo certo para o país. Sendo Sócrates um homem do “aparelho” nascido e criado na juventude socialista, isso não augura nada de bom. Mas a verdade é que, até ontem, Sócrates tinha conseguido parecer resistir aos apelos despesistas de todos os clientes socialistas. Agora as dúvidas adensam-se. E o país fica em stand-by. Sobretudo para ouvir o próprio Sócrates e o novo ministro das finanças.

2. Sócrates foi eleito com base num programa de obras públicas como motor da economia. Isso foi claramente dito na campanha e é impossível que não tenha sido disctutido entre Sócrates e Campos e Cunha aquando do convite do primeiro ao segundo. Depois, mais tarde, foi apresentado no CCB um plano de investimentos que claramente previa o lançamento da Ota e do TGV “ainda nesta legislatura”. Se entretanto e depois disto, Campos e Cunha quebrou a solidariedade governamental tornando públicas divergências quanto ao rumo a seguir, então era Campos e Cunha que estava a mais. Se isso é bom ou não para o país (e se a Ota e o TGV devem ou não ser feitos), é outra questão (talvez mesmo a questão essencial). Mas com esta medida Sócrates tornou claro que quem manda é ele. E não podia deixar de ser assim.

3. Por outro lado, parece impossivel que Sócrates e Campos e Cunha não tivessem já falado sobre a Ota e o TGV. Por isso, das duas uma: ou Sócrates não disse a Campos e Cunha o rumo que as coisas iam tomar como forma de o seduzir; ou Campos e Cunha concordou com o rumo traçado (mesmo dele discordando intimamente) para poder ser ministro. No primeiro caso estamos perante um erro de casting imperdoável num PM responsável; no segundo, estamos simplesmente perante uma falta de verticalidade a todos os títulos criticável. Neste aspecto, provavelmente, nunca saberemos ao certo o que terá acontecido.

A ler

Notável o artigo de opinião de João Lopes, no DN, sobre a entrevista de José Eduardo Moniz ao mesmo jornal há uns dias atrás. (via ContraFactos & Argumentos)

Do artigo destaco:
Antigamente, o País existia como “reflexo” da Televisão; agora, a Televisão “superiorizou-se” ao País. Em ambos os casos, nunca, nem na mais ínfima fracção de segundo, se admite a possibilidade de o País ser aquilo que é também por causa de alguns modos de fazer televisão?

“(…) a noção de responsabilidade esvaiu-se e foi trocada por um conceito moralista de culpa.

Da entrevista destaco (e não resisto a comentar) o seguinte:
Os nossos jornalistas têm uma atitude proactiva e quem é proactivo arranja notícias.
Obs.: Pensei que se reportava notícias; fiquei a saber que na TVI elas se “arranjam“.

Preocupa-me quando ouço falar em código disciplinar para os jornalistas, em normas enquadradoras da actividade dos jornalistas, preocupações sancionatórias.
Obs.: José Eduardo Moniz em defesa dos jornalistas. Estranha ironia…

Declaração de voto

Para que conste:

Declaro que não votei PS nas últimas eleições;
e
Declaro que votaria Sócrates se as eleições fossem hoje.

Num quadro de dificuldades económicas internas e externas, com vários “fogos” sociais para enfrentar, à beira de uma eleição autárquica difícil, com uma derrota presidencial no horizonte e com uma oposição claramente definida, a popularidade de Sócrates e do seu governo desafia toda a lógica política e prova que os ciclos políticos não são sempre iguais.

Todos de acordo (bem, quase todos..)

Divagando pela blogofera, encontra-se uma saudável unanimidade de elogios à aposta do Governo na energia eólica, com o único “sim, mas” do Abrupto (e, ok, descontado o Blasfémias…). Para mim esta medida é supreendente (como muitas que o governo de Sócrates tem tomado), é ambiciosa e vai no caminho certo, aproveitando um dos nosso recursos naturais (para quando o mar?).
Citando o Queimado no Momento, esta medida apela aos investidores nacionais, de forma a não importar a tecnologia e a criar emprego; distribui-se correctamente do ponto de vista económico e regional; reduz a dependência energética do petróleo e do exterior; e estimula energias renováveis e mais limpas.

A ideia é interessante: um site aberto a todas as participações, feito com fotografias, de pessoas que querem manifestar das formas mais diversas que não têm medo do terrorismo e dos terroristas. Nós, ocidentais, somos certamente muito fracos; mas só até descobrirmos o quanto somo fortes.
(via Bicho Carpinteiro)

A partir de um artigo da Marketing Studies citado na última newsletter do Obercom, cheguei a esta página onde a Microsoft descreve em detalhe de que forma vai integrar a leitura de RSS no seu sistema operativo a lançar em 2006.

Esta questão do RSS está longe de ser uma tecnicidade: a sobrecarga de informação que a internet já hoje produz impõe um sistema de gestão de informação capaz de a organizar de forma bastante diferente do passado. O RSS é esse sistema.
Mas, mais ainda, a associação entre os leitores RSS e os podcasts – que será o passo seguinte – o que faz é alterar a relação de poder entre emissor e receptor da mensagem. Com RSS e podcasts, consumidor de mensagens escolhe realmente quando e como quer consumar o acto comunicativo. E isso dá-lhe poder na mesma medida em que o tira ao emissor (ex. ontem os jornais, hoje a rádio, amanhã a televisão).

Dois anos de blogue

Faz hoje dois anos que se postou pela primeira vez neste blogue, na altura ainda chamado Alma Mater. O primeiro post foi um presunçoso “estatuto editorial” que pretendia explicar o porquê do blogue. Desse post, gostaria de citar – e assim reafirmar – o seguinte:

“(…) Sempre senti a tentação de procurar o sentido último das coisas, o porquê por trás do porquê, mesmo que o ponto de partida fosse o mais simples e aparentemente inócuo fait-divers. E não tenho dúvidas que por detrás de cada acção e de cada comportamento está uma ideia (…)”

“Ao mesmo tempo, o nome “alma mater” serve também para prestar homenagem a um dos mais brilhantes discos que já ouvi em toda a minha vida e ao seu autor: Rodrigo Leão.”

“Neste blog vão aparecer opiniões suscitadas pelas matérias da actualidade social, política, cultural e desportiva sem nenhum critério especial que não seja a procura das explicações mais profundas para os fenómenos (…) Não é um blog de tomadas de posição é um blog de tomadas de opinião. Por isso, a opinião pode ser hoje uma e amanhã outra sem nenhuma necessidade de coerência (…) Por isso este blog não é de esquerda nem é de direita (…) Este não é um blog de humor. As opiniões expressas são sérias (…)”

“Neste blog aparecerão também ficções e recensões. Ficções curtas, normalmente pequenos textos que não chegam a ser contos e que nascem simplesmente porque encontram um caminho para se materializarem em letras e palavras; e recensões do que quer que seja que mereça ser “propagado”: livros, discos, filmes, etc.”

Sobre a greve da Função Pública de hoje, o que sabemos de certeza é que entre os 15% de participação avançados pelo Governo e os 75% avançados pelos sindicatos não há ponte possível. Não há detalhe interpretativo nem consideração geográfica ou organizacional que explique uma tal diferença. E portanto, o que ficamos a saber com toda a certeza, é que – Governo ou sindicatos – alguém está a mentir. Isso é o que sabemos de certeza. E isso é grave.

Capitalismo selvagem

Uma empresa da Califórnia pediu o registo da marca Blog para a produção de blasers, blusas, soutiens, camisolas, vestidos, luvas, chapéus, calças, gravatas, camisas de noite, macacões, pijamas, gabardines, sandálias, camisas, sapatos, calçoes, cuecas, saias, meias, fatos, sweaters, t-shirts, fatos de treino, etc.
(via The Blog Herald)

P.S. Lado positivo, à atenção da burocracia portuguesa: o processo de aprovação do registo pode ser acompanhado aqui.