Freitas e o centrismo

Depois de todas as divagações, especulações e delírios acerca das potenciais alianças resultantes das próximas eleições (PS+BE; PS+PCP; PS+PP; PSD+PP; PSD+PS); depois dos apelos às maiorias estáveis (Cavaco no passado e Sampaio no presente); depois das experiências do bloco central, do CDS e do projecto PRD; parece por demais evidente que o sistema político português, tal como actualmente existe, é talhado à medida de um pequeno partido de centro, um fiel da balança capaz de fazer as transições de votos esquerda-direita de eleição para eleição, posicionando-se sempre como um viabilizador de maiorias e um parceiro de governo. A questão não é se o país precisa de um tal partido, mas se existe espaço político para ele. E a resposta a esta pergunta parece-me por demais evidentemente positiva.
Por isso causaram a polémica que se viu estas posições de Freitas do Amaral acerca das próximas eleições. Não foi só pela estranheza de ver um antigo presidente do antigo CDS a apoiar o PS contra os interesses do actual PP. Toda a a gente percebeu – e o eleitorado provavelmente também – que esse espaço político existe e que, com a entourage certa, também podia ter um rosto: o de Diogo Freitas do Amaral. Pelo seu perfil e pelo seu percurso político (inteiramente coerente porque sempre centrista, mesmo quendo se clamava por um CDS à direita), Freitas do Amaral está suficientemente “maduro” para ser fundador de um novo partido. E, pelo lado pessoal, também se percebe que, apesar desse longo percurso político, Freitas acha que ainda não fechou o seu ciclo político. Depois da participação na construção do nosso sistema democrático, depois da experiência da AD, depois da experiência internacional na ONU e depois da traumática derrota eleitoral nas presidenciais, Freitas acha que ainda tem algo a dar ao país; e esse algo pode muito bem ser um partido político centrista. O espaço político está aí, o protagonista também; só falta que a entourage dê os passos ncessários para que a coisa se pareça ao menos um pouco com um vaga de fundo.

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Isto é… Futebol!

Acho que nunca tinha saído tão satisfeito depois de perder um derby.

Aquele lance do Paíto teria sido o final perfeito para a saga que ontem se viveu no Estádio da Luz. Mas o futebol, assim jogado, enaltece ambas as equipas. Devia ser sempre assim. Isto é futebol!

Três diários desportivos

São números, senhores, são números !!

Hoje serão colocados à venda os últimos ingressos: três mil (1.200 dos quais devolvidos pelo Sporting) na Luz, a partir das 9.30; 800 em Alvalade, entre as 9.00 e as 12.00.”
Record

O dérbi desta noite deve ter casa cheia, embora ainda faltem vender 3 800 ingressos. Na Luz, vão ser colocados à venda três mil bilhetes (a 10 euros para sócios e 20 para não sócios), e, em Alvalade, os restantes 800 (a 20 euros cada). Refira-se que o Sporting recebeu 5 700 bilhetes, todos para a Bancada Coca-Cola.”
O Jogo

“(…) Por isso não espanta que restem apenas vender 2000 ingressos (…).”
A Bola (sem link)

Se a moda pega…

No Cais do Sodré alguém achou que Paulo Portas ficava melhor assim, com o ar “apalhaçado” que lhe dá esta bolinha vermelha no nariz.

À primeira vista, pensei por momentos que os AdBusters tinham subitamente atacado em Portugal a propósito das eleições. Portas até seria um alvo plausível e preferencial.

Mas um amigo disse-me que este “nariz” já apareceu em outdoors de Sócrates e de Louçã, pelo menos. A ser assim, poderemos estar perante uma vaga de fundo semelhante à descrita por Saramago no seu mais recente livro, então consumada com votos brancos. Será que vamos ver aparecer um nariz vermelho em cada outdoor de campanha?

Como isto está, um dia destes, os políticos portugueses têm uma surpresa assim…

Elogio do PP

1.
Tomara o PS e o PSD juntos conseguirem juntar uma equipa como esta. Se há partido que pode apresentar os seus quadros como trunfo, esse partido é o CDS-PP. E, como não é parvo, Paulo Portas há muito que o entendeu. A base social potencial do PP, como de qualquer partido de extrena direita, é mínuscula. Mas a sua capacidade de gerar elites é enorme. O contrário para os partidos de esquerda: têm potencialmente uma ampla social de apoio mas geram elites escassas e fracamente preparadas. O PCP é típico, o BE é atípico e por isso fica a dúvida se algum dia poderá ser um partido verdadeiramente popular.

2. Paulo Portas já entendeu que a chave nas eleições está no peso relativo das margens em relação aos centros e por isso define como prioridade ter mais votos que o BE e o PCP juntos. E apresenta isso como um “voto útil”. A mensagem é complexa do ponto de vista político, mas a verdade é que está a passar com o brilhantismo de um grande comunicador que também é estratego. O PP pode ser a grande surpresa das eleições.

3. Os militantes do PP também já perceberam toda a estratégia de Paulo Portas e realizaram que não existe hoje no espectro político português – muito menos no partido – alguém com a sua capacidade de definir boas estratégias políticas e implementá-las com eficácia. Daí que vejamos nesta fotografia pessoas como Maria José Nogueira Pinto e António Lobo Xavier. Esse é o maior tributo que podiam fazer a Paulo Portas.

O perigo amarelo

China cannot rise peacefully, and if it continues its dramatic economic growth over the next few decades. the United States and China are likely to engage in a intense security competition with considerable potencial of war.

John J. Mearsheimer, professor de ciência política na Universidade de Chicago, em debate com Zbigniew Brzezinski, na última edição da Foreign Policy. (artigo pago)

O triunfo dos porcos?

Provavelmente nem ela se apercebu do sentido profundo da sua própria perplexidade:

Estou a falar com o burro e tenho quatro milhões de pessoas a olhar para mim. Isto tem de significar alguma coisa“.

Júlia Pinheiro, na Quinta das Celebridades, citada pela Única, citada pela Grande Reportagem.

e

Porca Camila ameaçada de morte
Título de uma “notícia” do Correio da Manhã, citada na Grande Reportagem

George Bush admitiu ter errado ao usar expressões como “Wanted, Dead or Alive” e “Bring ‘em on”. Foi citado pelo blog Regret the error, que descobri, mais uma vez, no Ponto Media.

Sobre o “Wanted, Dead or Alive”:
I don’t know if you’d call it a regret, but it certainly is a lesson that a president must be mindful of, that the words that you sometimes say. … I speak plainly sometimes, but you’ve got to be mindful of the consequences of the words. So put that down. I don’t know if you’d call that a confession, a regret, something.

Sobre o “Bring ‘em on”
Sometimes, words have consequences you don’t intend them to mean…Bring ‘em on’ is the classic example, when I was really trying to rally the troops and make it clear to them that I fully understood, you know, what a great job they were doing. And those words had an unintended consequence. It kind of, some interpreted it to be defiance in the face of danger. That certainly wasn’t the case.

O que fazer com os blogs?

Através do Ponto Media do Público do último sábado descobri directamente a notícia de que Howard Dean pagou a dois bloggers norte-americanos para “insinuarem” na blogosfera as suas posições; e indirectamente (através do Periodistas 21), a notícia de que foi lançado em espanha um novo diário gratuito da Recoletos, chamado Qué!, que é feito por bloggers e numa plataforma mista em papel e online.
São duas coisas interessantes sobre a mesma coisa: o que fazer com os blogs? O número de blogs que actualmente existem, a vontade de participação na construção informativa que eles revelam e a sua aparente libertinagem, são hoje perplexidades com as quais acho que ainda não aprendemos a lidar. É inconcebível que um movimento social tão massivo e actuante como os blogs passe tão praticamente “ao lado” dos meios de comunicação social tradicionais. É esta “perplexidade” que o diário Qué! obviamente procura desmontar. Gostaria de saber resultados de um projecto tão inesperado como um jornal diário de distribuição gratuita feito com os contributos dos bloggers. E porque não uma revista semanal com “as melhores da blogosfera”; ou um programa de televisão com um painel de comentadores confrontados com os contributos online directo dos bloggers; ou uma revista mensal sobre nova poesia na blogosfera (ou então apenas uma coluna sobre “nova poesia na blogosfera” nos jornais e revistas e literatura existentes). A verdade é que os meios de comunicação tradicionais raramente tratam o fenómeno e com isso passam ao lado de um manancial de leitores que até do ponto de vista comercial os deveria interessar sobremaneira. Penso que há formas interessantes de tratar o assunto nos meios existentes ou noutros a criar. O espaço está aí para quem o quiser aproveitar.
Por outro lado, aquilo com que a notícia relativa a Howard Dean nos confronta é com a aparente impossibilidade de controlar os blogs. Isso é bom, obviamente, quando se trata da blogosfera. Mas se aceitamos a existência de regras para as diversas formas de jornalismo com que hoje convivemos, não podemos deixar de as reclamar à medida que os blogs se “institucionalizem”. Claro que saber quais são essas regras é uma outra questão que transcende os blogs mas também afecta os blogs.
Se ficamos perplexos ao saber que Alberto João Jardim tem pago a sua “imagem” no O Diabo com dinheiros públicos (como descobriu a Grande Reportagem), não devemos ficar menos perplexos com as movimentação de Dean na bogosfera ou com…

Cavaco, o recto.

Em 21 de Julho de 1994, eu e a minha mulher fizemos a nossa mais longa viagem no avião Falcon da Força Aérea: Lisboa-Moscovo. (…) A convite de Boris Ieltsin viajei no dia seguinte para Sampetersburgo para participar na cerimónia de abertura dos III Jogos da Amizade, no estádio Kirowa. (…) Há muito que eu sonhava conhecer Sampetersburgo e por isso decidi passar 24 horas na cidade. Primeiro fomos visitar o famoso Museu Hermitage, um dos maiores do mundo e com uma colecção de obras de arte verdadeiramente excepcional (…).

Aníbal Cavaco Silva, “Autobiografia Política II”, pp. 400-401

Será uma visita a um museu mais respeitável do que um mergulho nas águas quentes de S.Tomé?

Regime sem pactos

À atenção do Presidente, aqui fica a ideia de um participante no “Fórum TSF” de hoje:

Portugal não precisa de um pacto de regime.
Portugal precisa é que um regime que não pactue.

Que não pactue com a mediocridade.
Que não pactue com a falta de profissionalismo.
Que não pactue com o servilismo.
Que não pactue com a inveja.
Que não pactue com o amadorismo.
Que não pactue com o “desenrascanço”
Que não pactue com a falta de ética.
Que não pactue com o “chico-espertismo”.
Que não pactue com a pequena política.
Que não pactue com a impunidade.
Que não pactue com o “deixa andar”.
Que não pactue com a indiferença.
Que não pactue com a maledicência.
Que não pactue com irresponsabilidade.
Que não pactue com o caciquismo.
Que não pactue com a fuga ao fisco.
Que não pactue com as listas de espera.
Que não pactue com o clientelismo.
Que não pactue com a falta de qualidade.
Que não pactue com a burocracia.
Que não pactue com a falta de organização.
Que não pactue com o amadorismo.
Que não pactue com a falta de informação.
Que não pactue com manobras de bastidores.
Que não pactue com a irresponsabilidade.
Que não pactue com a falta de solidariedade.
Que não pactue com a falta de qualidade.
Que não pactue com a falta de seriedade.
Que não pactue com a desonestidade.
Que não pactue com a corrupção.
Que não pactue com as “cunhas”.
Que não pactue com o populismo.
Que não pactue com o tráfico de influências.
Que não pactue com o silenciamento.
Que não pactue com a indiferença.