Obviamente, o traço mais preocupante da recente vaga de incêndios é do tipo macro-ambiental. Não sou especialista nesta área, mas, no exercício das minhas competências de leigo na matéria, parece-me que o facto de em dois anos seguidos haver em Portugal duas vagas de incêndios motivadas por vagas de calor anormalmente alto é um sinal claro de desertificação. É assim que as terras férteis se tornam terras áridas. E esse é naturalmente o risco maior que corre um país como Portugal, separado do deserto africano por uma simples e irrisória língua de mar. A médio prazo, o que a elevação média das temperaturas e a ocorrência de fenómenos como os incêndios provoca é que Portugal se converta numa extensão do Norte de África. Mantendo as suas estâncias de férias junto ao mar, mas sem nada entre estas e a “civilização”. Este é um cenário que já esteve mais longe do que está e já foi menos plausível do que é. Sobretudo porque, para o evitar, parecem necessários esforços de cariz internacional ou mesmo mundial, um areópago onde, como se sabe, Portugal “pesa” muito pouco, sobretudo desde que as suas estâncias de férias sejam preservadas.

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