Cuidado !!

Fumar pode provocar morte lenta e dolorosa.Lenta!! E dolorosa!!

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Não estou certo das palavras, mas é qualquer coisa deste género: “O que acha mais importantes numa relação? Fidelidade? Estabillidade? Segurança? Se respondeu sim, então deve ser cliente do BIC.

Obviamente, o traço mais preocupante da recente vaga de incêndios é do tipo macro-ambiental. Não sou especialista nesta área, mas, no exercício das minhas competências de leigo na matéria, parece-me que o facto de em dois anos seguidos haver em Portugal duas vagas de incêndios motivadas por vagas de calor anormalmente alto é um sinal claro de desertificação. É assim que as terras férteis se tornam terras áridas. E esse é naturalmente o risco maior que corre um país como Portugal, separado do deserto africano por uma simples e irrisória língua de mar. A médio prazo, o que a elevação média das temperaturas e a ocorrência de fenómenos como os incêndios provoca é que Portugal se converta numa extensão do Norte de África. Mantendo as suas estâncias de férias junto ao mar, mas sem nada entre estas e a “civilização”. Este é um cenário que já esteve mais longe do que está e já foi menos plausível do que é. Sobretudo porque, para o evitar, parecem necessários esforços de cariz internacional ou mesmo mundial, um areópago onde, como se sabe, Portugal “pesa” muito pouco, sobretudo desde que as suas estâncias de férias sejam preservadas.

Toda a gente percebe que a conjugação de temperaturas anormalmente altas com ventos fortes é o rastilho que provoca os incêndios. E no entanto, do mais humilde popular ao mais directamente envolvido dos técnicos, sempre que surgem os fogos aparecem igualmente as teorias de fogo posto. Às quais, naturalmente os jornais e as televisões dão a cobertura que seria de esperar. É particularmente sintomático que o presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil tenha afirmado que “as temperaturas não justificam tudo, nomeadamente a simultaneidade de fogos em vários pontos do país. Depreende-se facilmente que se trata de fogo posto.” Então mas o calor não é simultâneo em todo o país? E, pela negativa, será que os incendiários, lunáticos ou mandatados por interesses, esperam pela conjugação de temperaturas altas com ventos forte para atearem os fogos? Que o povo entrevistado para a televisão seja o primeiro a afirmar peremptoriamente que os fogos são postos, obviamente sem qualquer conhecimento da matéria, não é de estranhar. Resulta do costume nacional de ter que encontrar em todo o assunto uma teoria da conspiração. Que um responsável pela Protecção Civil aproveite essa “opinião generalizada” para, cavalgando-a, preservar o desempenho das forças que dirige face à “magnitude” do “inimigo” que enfrentam, é condenável mas não surpreendente. Que um jornal insuspeito como o público ponha essa hipótese em primeira página sem algo mais fundamentado do que esta opinião do presidente do SNBPC, é surpreendente e criticável, e é o que alimenta a “opinião generalizada” na qual tudo começa. Se há interesses por detrás  dos fogos eles devem ser claramente denunciados e isso ainda não foi feito, nem pelos responsáveis nem pelos meios de comunicação. Se há pirómanos por detrás dos fogos, então devem ser perseguidos e condenados. Tudo o que esteja para além disso são suspeições que, à força de repetição, se convertem numa teoria da conspiração. 

Dois momentos simbólicos

Para lá do histerismo colectivo e das incidências do jogo, mas em consequência delas, há dois momentos simbólicos (televisivos) do jogo de ontem que exemplificam o dramatismo que faz do futebol o desporto de massas que ele é:

1. A imagem de Jorge Andrade deitado no chão após o apito final do árbitro, de olhos fechados, respirando fundo depois de tirar dos ombros o peso da responsabilidade (mesmo involuntária) por uma quase reviravolta no resultado. Nunca um jogador português terá respirado tão fundo quanto Jorge Andrade naquele momento.

2. O abraço entre Luis Figo e Rui Costa no final do jogo foi uma partilha de sentimentos – e também de responsabilidades – entre dois jogadores que trocam bolas desde a sua meninice e desde a sua meninice levam o país às costas pelos palcos futebolísticos do mundo inteiro. Só eles saberão o que disseram um ao outro naquele longo abraço, mas aposto que uma das coisas que disseram foi “conseguimos“.

Luis Figo ainda se emociona

Quando o repórter da RTP lhe perguntou após o jogo se, depois de conquistar tantos títulos, a presença na final do Campeonato da Europa ainda o conseguia emocionar, Luis Figo podia ter respondido que há sempre algo de especial em todas as conquistas, que um jogador de futebol tem sempre algo que ambicionar, etc, etc. Mas não! Luis Figo disse quelquer coisa como “Não há nada que se compare a levar a selecção de Portugal à final do Europeu. Ao pé disso todos os meus títulos de nada valem“. E depois lembrou que foi há 13 anos precisamente que em Lisboa a sua geração conquistou o título de campeã mundial de juniores e dedicou a vitória a todos os seus companheiros de percurso que por uma razão ou outra não estiveram presentes nesta ocasião. Foi bonito de ver e provou que Luis Figo ainda se emociona.