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180 mil euros? Não é mau… Podia ser pior!
Na mesma edição da Autêntica, cujo tema é o Dinheiro, vale também a pena ler o artigo de Jorge Fiel.
O título é “179.629,02″
O lead é “Arredondando, estamos a falar de 18o mil euros. É esse o dinheiro que a Sojornal, a sociedade proprietária do Expresso, vai pagar para se ver livre de mim. Ou, dito pelas palavras do advogado que redigiu o documento intitulado Cessação de Contrato de Trabalho por Mútuo Acordo, os 179.692,02 euros são a ‘compensação pecuniária de natureza global’ que ‘a Empregadora’ me paga ‘em contrapartida da cessação do contrato’”.
Alguns excertos:
“‘180 mil euros? Não é mau…Podia ser pior!’ É a frase que ouço de volta sempre que me perguntam quanto é que vou receber em troca de conceder ao Expresso o divórcio, amigável e por mútuo consentimento, de um casamento que durava há 17 anos”
“Por este artigo, a Autêntica prometeu pagar-me 600 euros. Não é mau. Podia ser pior. 636,50 euros foi o salário médio mensal recebido em 2006 pelos nortenhos que trabalham por conta de outrém. Eu escrevi este artigo em cinco horas”
“Eu estou habituado a ganhar por mês aproximadamente o que o Cristiano Ronaldo ganha em quatro horas e meia. Não é mau. Podia ser pior.”
“É quase metade dos mil euros que Pimpinha Jardim pede de cachet para abrilhantar uma festa. A filha de Cinha (que a idade não perdoa, cobra apenas 500 euros para comparecer num evento) ganha esse dinheiro numa noite.”
“Soraia Chaves cobra 3500 euros por aparição num evento, sete vezes o cachet de Cinha e umas seis vezes mais do que vou receber por este artigo”
“23 mil euros era o salário mensal auferido por Paulo Macedo, director geral de impostos.”
“5780 euros é o ordenado máximo mensal fixado por lei para a administração pública, tendo como referência o vencimento do primeiro ministro.”
“200.000 euros é a remuneração anual de Luis Nazaré, presidente do Conselho de Administração dos CTT.”
“200.000 euros é o valor anual da pensão de reforma que José Salter Cid, 53 anos, número dois da lista PSD candidata à Câmara de Lisboa, recebe na qualidade de aposentado da PT.”
“180 mil euros é o valor aproximado da indemnização que vou receber do Expresso.”
É o que se chama “pôr a boca no trombone”. Já vai sendo tempo de os portugueses porem de parte esse estranho pudor de falar do dinheiro que pagam ou recebem por o que quer que seja que façam. Tudo seria mais claro e transparente sem ele. Eu, como jornalista de topo na minha empresa e director de revista ganho 2000 euros por mês. Às vezes acho que é muito, mas na maior parte das vezes acho que é pouco…
8 x 8
A ler: oito erros históricos da imprensa e oito razões de esperança para os jornais, segundo Howard Owens, director de publicações digitais da Gatehouse Media.
Tim como cantor de rua
O que é que este video de Tim para a revista Sábado nos diz sobre a qualidade artística? É o Tim que não convence ou são os cantores de rua que são todos excelentes?
Uma excelente ideia da Sábado que, criando o facto em vez do reportar, está para além do jornalismo. Mas, com isso, indica o caminho ao jornalismo.
Pobre Ricardinho…
Não, Não é perseguição. É só porque a combinação do carácter eminentemente “pimba” do Benfica com o famoso “jornalismo criativo” do Record gera momentos verdadeiramente hilariantes. Não resisto…
Ontem, a edição do Record noticiava de Ricardinho, estrela de futsal da equipa, ia tentar a sua sorte na pré-época do Benfica. Ricardinho, note-se, é um menino bonito do clube da Luz, adorado pelo adeptos, excelente na sua profissão e que, como milhões de jovens encarnados por esse país fora, tem um sonho de criança: jogar na primeira equipa do Benfica. Por isso, embora qualquer pessoa de bom senso percebesse logo a irracionalidade de tudo isto, não tenho dúvidas que esta manchete vendeu jornais, não duvido que tocou bem fundo na alma de milhões de benfiquistas, e acredito- porque o diz o Record… – que o próprio Ricardinho ficou convencido (!!) de que isso era possível.
Hoje, o Record, claro, desmente a notícia com base num comunicado emitido pelo Benfica (teve que chegar a este ponto…). A manchete diz “Desculpa lá, Ricardinho” e refere o detalhe dramático: até as botas já estavam escolhidas. A notícia que online acompanha a manchete tem detalhes deliciosos:
“Ricardinho sonha e Benfica recua
OBJECTIVO DE TESTAR RELVADOS MAIS UMA VEZ ADIADO
(…) O Benfica desmentiu ontem, em comunicado, sequer ter sido discutida a possibilidade de Ricardinho ser testado no estágio de pré-época. O nosso jornal, contudo, apurou que o assunto esteve em cima da mesa nos últimos dias, tanto na liderança da SAD como das modalidades. Ao jogador foi transmitido que o seu sonho de criança poderia estar próximo de realizar-se e, segundo informações recolhidas, a marca de equipamentos desportivos que patrocina o atleta até já tinha uma encomenda de calçado especial para relva, necessário para os treinos no Seixal.
O Benfica, no entanto, recuou. (…) fê-lo depois de o esquerdino ter comentado com alguns familiares que podia vir a ter a possibilidade de resolver a frustração nascida da dispensa do FC Porto.
Vingança e raiva. Foi depois de 15 dias à experiência nos iniciados dos dragões que Ricardinho acabou dispensado. “Ficou frustrado, foi o desabar de um sonho mas acabou por ser uma forma de se ligar ao futsal, por vingança, por raiva”, disse-nos Carolina Silva, treinadora que o levou às Antas. “Se calhar não o devia ter feito, na altura não se apostava tanto na formação e só pensavam em ganhar; foi dispensado por ser pequeno.”
O que resulta disto? Os humores de Ricardinho é o que aqui menos me interessa. É um homem adulto e o seu caso pessoal é seu. O Record, claro, vendeu jornais à conta da história e, mais uma vez, conseguiu voltar a ser “criativo”. Quanto aos adeptos benfiquistas, de certeza que simpatizaram e se comoveram com o “sonho de criança” que por breves e empolgantes momentos esteve prestes a ser concretizado. Depois disto, por um silencioso mecanismo de indentificação, ficaram certamente ainda mais admiradores de Ricardinho e, no seu íntimo, ainda mais “benfiquistas” do que já eram. Ou seja, mais predispostos a golpadas destas. Coitados.
Mais uma pérola do Record
Mais uma pérola do Record, esta capa de hoje, dia em que – note-se – não há futebol para noticiar.
Várias coisas são curiosas nesta primeira página:
1. Se o The Sun pode fazer manchetes com futebol, porque é que um jornal desportivo não há-de poder fazer manchetes com tabloidismos? A ideia do Record é luminosa e suspeito que não vai ficar por aqui. Afinal será isto a fusão de géneros jornalísticos?
2. Que eu saiba, o Record é o primeiro jornal português a oferecer uma recompensa em dinheiro por informações sobre o caso. Que eu saiba é o primeiro jornal português a oferecer recompensa em dinheiro em qualquer caso. Mais uma vez, se o Sun o pode fazer, porque é que o Record não há-de poder? Uma bofetada de luva branca aos tablóides nacionais, uns fracos!
3. A foto da criança nas mãos de Eusébio, com os olhos da criança em fundo de página. O drama, o horror. A pequena Madeleine não merecia isto. A última coisa de que precisávamos num caso tão sujo como este era mais esta pequena nódoa.
4. O “Happy Birthday Swettie” no canto da página, com o pequeno laço dourado, é o detalhe piroso final. Seria risível de não fosse dramático
“The news business is broken and no one knows how to fix it”
Tim O’Reilly diz ter ouvido rumores de que o San Franciso Chronicle, um dos maiores jornais norte-americanos, está em dificuldades. Numa recente reunião de emergência da direcção, o director terá dito: the news business “is broken, and no one knows how to fix it.And if any other paper says they do, they’re lying.”
O que suscita o seguinte comentário de Tim O’Reilly:
“We talk about creative destruction, and celebrate the rise of blogging as citizen journalism and Craigslist as self-service advertising, but there are times when something that seemed great in theory arrives in reality, and you understand the downsides. I have faith both in the future and in free markets as a way to get there, but sometimes the road is hard. If your local newspaper were to go out of business, would you miss it? What kinds of jobs that current newspapers do would go undone?”
Arrisco uma resposta: Nenhum…?
(via Techmeme, via Doc Searls)
O futuro das revistas
Editada pela Dennis Media, a Monkey Magazine é uma revista masculina semanal que só existe online e é inteiramente grátis. Mas o que realmente a torna diferente é a forma como, com o processamento da Ceros Media (que adiciona aos PDFs do editor outros media que se lhe queiram juntar) e alojada nos sesu servidores, proporciona uma experiência completamente inovadora quando é “folheada”, não só para os leitores como também para os anunciantes.
Não tenho dúvidas: um dia todas as “revistas” serão assim. Pelo menos em parte…
AssigmentZero: o primeiro projecto de jornalismo participativo de Jay Rosen
Já está em marcha o primeiro projecto de jornalismo participativo de Jay Rosen. Devidamente financiado e com editores atribuídos, o AssigmentZero fica agora aberto à participação de toda a gente no sentido de criar um trabalho informativo de fundo sobre a emergência do crowdsourcing na internet. No site AssigmentZero há uma assigment desk onde podemos escolher a matéria que vamos tratar, uma explicação de como tudo funciona, uma caixa de recursos e a áreas de identificação e de interacção da equipa, os jornalistas editores e os participantes voluntários no projecto. Este projecto conta com o financiamento de várias entidades e a colaboração da Wired, que fornece um editor, previsivelmente para vir a publicar o trabalho depois de estar pronto.
A mecânica é algo complexa, mas não mais complexa do que seria de esperar de um projecto informativo que pretende pôr a colaborar profissionais pagos e amadores não pagos, com códigos profissionais e de ética diferentes, para produzir um resultado final que ninguém sabe perfeitamente qual vai ser. É preciso entender que neste aspecto como noutros, o sector dos media está a tentar coisas novas. Por isso mesmo, esta é uma experiência a acompanhar com atenção.
O estado dos media 2007
“The news industry must become more aggressive about developing a new economic model.“
Uma das conclusões do estudo The State of the News Media 2007, publicado todos os anos pelo Project for Excellence in Journalism. Para imprimir e ler com atenção.
(via MediaShift)
Alguma imprensa
Descobri este blogue por uma referência do Blogouve-se: chama-se Alguma Imprensa, aparentemente é escrito por jornalistas, sob anonimato e trata das “Tricas, cochichos, conversas de corredor” acerca da profissão. Usando uma faculdade da mais recente geração do Blogger, apenas se pode aceder por convite (não, eu não fui convidado), mas através da chache do Google podemos ver os posts anteriores a 7 de Março. Interessante…
Um acto de fé e uma incógnita
As a journalism professor, I’m asked two questions these days: first, why teach journalism? Aren’t newspapers and news doomed? Why ensnare young people in a dying profession? I respond with an article of faith: journalism is evolving – at long last – and actually growing, and that’s what makes this an exciting time to get into the news business. Second, I’m asked, how should you teach journalism today? Ah, that’s the tough one. I’m still in search of the answer as I finish my first term at the new City University of New York Graduate School of Journalism.”Jeff Jarvis, na sua coluna semanal no The Guardian (sob registo)
O Press Release de segunda geração
Um dia todos os press release serão assim: texto, imagens, sons e podcasts, videos e ligações de carácter social na mesma plataforma. A criação é da Shift Communications e a versão em espanhol surgiu no SimDalom (citado pelo eCuaderno).
Al Gore em Lisboa
“N.B.: Registe-se que, por razões contratuais, esta Conferência não é aberta à comunicação social, não podendo ser registada em nenhum suporte, pelo que as Senhoras e Senhores jornalistas convidados são-no a título pessoal e não enquanto profissionais da imprensa, no exercício das suas funções.”
Esta frase curiosa consta do convite para assistir à conferência de Al Gore, amanhã, no Museu da Electricidade, sobre alterações climáticas. O evento é apenas para convidados, não sendo aberto ao público nem à comunicação social. Embora paradoxal face à presumida intenção de sensibilizar publicamente as pessoas, este secretismo não é novidade e já tinha sido notado internacionalmente no Social Media referindo-se a uma notícia do Mercury News. É de facto difícil de entender!
Mas o que é mais curioso é o articulado escolhido pela organização para transmitir essa mensagem: os “senhores jornalistas” são convidados “a título pessoal“? Mas… a título pessoal eles não são jornalistas: são pais, mães, irmãos, etc. E não é decerto enquanto tal que são convidados… Mais valia dizer (escrever) que toda a sessão é off-the-record. Isso seria suficiente. E menos ridículo.
O cigano, o preto e o monhé
”Relatório do árbitro tramou o cigano”
Não sei se na edição impressa também é assim, mas online este é um dos títulos da edição de hoje de O Jogo.
Nieman Reports nº64
Já toda a gente se referiu a isso (o Ponto Media e o Jornalismo & Internet, por exemplo, para citar apenas dois continentes…), mas o assunto merece reforço: a mais recente edição da revista trimestral Nieman Reports, sob o título Goodbye Gutenberg (disponível online), é leitura imprescindível para quem se interessa por estas matérias.
The Politico
O The Politico é um novo media de cobertura da actualidade política de Washington que vai ser lançado no próximo dia 23, com a particularidade de ser multiplataforma: terá um site online, terá uma edição (penso que gratuita) em papel chamada The Capitol Leader e um programa de televisão na WJLA-TV, filial da ABC.
O facto de ser, desde o início, pensado para uma plataforma multimédia e contar com o contributo de muitos jornalistas de sólida reputação construída nos jornais, assim convertidos aos new media (“é mais arriscado ficar nos jornais do que entrar em algo de novo“, disse um deles): eis o que torna este projecto interessante de acompanhar. O futuro dos media passa certamente por projectos semelhantes a este.
(descoberto no suplemento Dia D – sem link – do Público e citado no Jornalismo & Internet e no Cyberjournalist.)
Uma boa imagem
“Os blogues estão para os jornais como os espinafres estão para o Popeye.”
(Bloggers Blog)
Para os estudantes de jornalismo
Um bom conjunto de conselhos para os estudantes de jornalismo… e para os jornalistas que precisam de estudar.
(via Travessias Digitais)
Conferência Freepress
Bill Moyers, jornalista, na abertura da National Conference for Media Reform
Há mais video, audios e webcasts no site da organização. Há também um blogue que acompanha o evento. Vale a pena ver mais em detalhe. O combate passa por aqui.
My fellow lambs…
TED Talks na Pública
A Pública de hoje traz um interessante artigo de Paulo Moura sobre as conferências TED. Subscrevo totalmente o parágrafo final: “Acedendo ao site www.ted.com/tedtalks é possível assistir a horas e horas de palestras e o efeito passa através do ecrã do computador. A experiência é mágica.“
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