Arquivo da categoria ‘Não catalogado’
Automagazine
Caros amigos,
Como todos certamente já perceberam, a Motorpress, pressionada pela quebra de vendas e de facturação publicitária, decidiu encerrar duas revistas – entre as quais a Automagazine – e fazer o despedimento de 28 pessoas, das quais 11 jornalistas – entre os quais eu.
Naturalmente, esta não é uma decisão que eu tomaria e não concordo com ela. A Automagazine é uma boa revista e, resistindo durante esta fase de crise que atravessamos, tinha condições de continuar a ser a revista de sucesso que sempre foi. Mas a Motorpress, num processo iniciado em Estugarda, decidiu diferentemente. Lamento-o e penso que a Motorpress também o virá a lamentar um dia.
Pela minha parte, levo a mágoa que não ter conseguido conduzir a Automagazine a bom porto. Lamento-o pelos muitos leitores fiéis que nos acompanharam ao longo destes anos, pelos excelentes jornalistas que passaram por esta casa e, sobretudo, pela revista, que merecia mais e melhor.
Mas, olhando para trás, fico orgulhoso do percurso que fizemos. Creio que fizémos uma boa revista, da qual nos podemos orgulhar. O que a derrubou foram as contingências do mercado e a interpretação – a meu ver errada – que deles foi feita por quem tinha que decidir.
A mim pessoalmente, o tempo passado à frente da Autmagazine, deu-me os melhores momentos profissionais que vivi até hoje! E dá-uma uma experiência de vida que – não o duvido – ser-me-á muito útil no futuro. Para mim, esta é uma oportunidade que abre novas rotas de evolução profissional. Há alguns projectos que gostaria de levar por diante, mas por enquanto são apenas projectos. Quando forem mais do que isso, os meus amigos serão naturalmente os primeiros s saber deles.
O meu obrigado a todos os que me deram uma palavra amiga neste momento difícil. Bem hajam!
A “recuperação” de Pacheco Pereira
Esta crónica de Pacheco Pereira publicada no jornal Público- o já famoso TDACHSR, Transtorno do Déficit de Atenção Cívica com Hiperactividade Social - é obviamente uma cortina de fumo. José Pacheco Pereira empenhou-se fortemente neste ciclo de eleições e desenhou uma estratégia ganhadora que até tinha uma líder com o “perfil” certo para a levar por diante. Mas,ao que parece, a “actriz” não esteve à altura do argumento (um plot à volta da um PM autoritário e asfixiante) e até os realizadores eram fracos. Se Manuela Ferreira Leite saiu queimada, JPP saiu pelo menos muito chamuscado. Esta é uma forma de desviar as atenções e tentar reconquistar o seu prestígio de “analista” (e como a palavra se adequa neste caso…).
Por isso, analisar a substância do que ele escreve é um exercício enganador. Mas não é fútil. JPP olha a questão como um problema de política nacional, mas é claro que o problema é muito mais do que isso. Como sabe qualquer especialista em novos media, há muitas consequências dúbias e alguma perigosas destas novas plataformas de comunicação. Levantaram-no pessoas 1.0 ou mesmo 0.0, mas até alguns analistas “de dentro” do sistema, como Andrew Keen. É nesse plano que a questão se coloca (não é um problema nacional e muito menos de política nacional, como sugere JPP).
O mais curioso é que a crónica de JPP surge no mesmo jornal em cujo editorial @JMF1957 critica – e com razão! – a forma irracional e inexplicável como uma futilidade como um video feito há 2 anos por Maitê Proença entrou no topo da agenda e até no mainstream media. Aparentemente, esse seria o melhor exemplo para sustentar a tese de JPP.
Talvez… Mas a mim parece–me que este video – e a forma como ele se propagou – não tem na realidade uma função informativa, mas sim uma função fática: propagou-se porque através dele uma comunidade “testou” os seus laços comunicativos e assegurou-se de que todos falam da mesma coisa. É um “está lá?”; “Está.” colectivo. As pessoas não falam do video da Maitê por acharem que isso é importante; falam nele para confirmarem que continuam a falar umas com as outras e que continuam a falar todas do mesmo.
O problema com a tese de JPP é que isso já acontecia muita antes do Twitter, do Facebook ou até dos sms. Há anos recordo-me perfeitamente de as conversas de manhã no trabalhos serem o concurso ou o programa de humor de prime time da noite anterior. Também aí a primeira função da discussão era a própria discussão, ou seja, a partilha. E os temas não eram menos “alienados” nem “alienantes” que o video da Maitê.
Talvez essa necessidade seja mais premente agora que cada pessoa tem ao seu dispor um leque muito mais alargado de canais de informação e temas de interesse. Talvez isso torne mais necessário exercer a função fática da colectividade com mais frequência (ou com menos frequência mas – por isso mesmo – de uma forma mais visível). Talvez…
Mas isso não é o que JPP escreveu. E não tem nada a ver com política nacional…
P.S. À atenção de JPP: esta “reflexão” foi suscitada pelo, escrita no e distribuída através do twitter…
O problema do futebol
O problema do futebol é que há muita gente a ver futebol que realmente NÃO GOSTA de futebol!
Na empresa onde trabalho há um tipo de que toda a gente gosta, que é correctíssimo e muito educado no trato com os colegas e que seria incapaz de fazer mal a uma mosca. E, no entanto, sendo adepto de um clube, alinha e faz piadas, algumas delas bastante rasteiras, sobre os adeptos do clube rival como todos os outros, e com uma satisfação e gozo evidentes. Eu não sou psicanalista, mas suspeito que, para este meu colega, o futebol tem uma função social e psicológica que está para lá do próprio jogo. O que o leva a mandar um piada ao vizinho que não mandaria se a piada não fosse sobre futebol está para lá do próprio futebol.
Suspeito também que á isso que explica que o futebol tantas vezes emerja em reuniões de empresa ou atá em encontros de Estado quando se está a tratar de assuntos muito mais importantes que o futebol. Há algo de social e de psicológico no futebol que o leva a ter um peso anormal na sociedade. Isso nota-se em todo lado, a todo o momento. Basta abrir os olhos ou folhear um jornal. Exemplo: três diários desportivos que tratam sobretudo de futebol; futebol dia sim dia não nas primeiras páginas dos diários generalistas; vários programas de TV em que várias pessoas falam – só falam! – de futebol; etc; etc; etc.
Porque é que o futebol não tem o peso social que tem o andebol ou o atletismo? Porque á que o futebol se transformou neste fenómeno estranho que tudo e todos submerge? Quem olhar para o mapa-mundo do futebol não pode deixar de reparar que, no “mundo cultural” em que o futebol como desporto está mais implantado, os países mais pobres e atrasados (na América do Sul) são aqueles em que o futebol tem uma relevância social maior, e os países mais desenvolvidos (norte da Europa) são aqueles onde tem menos, onde o futebol é mais reduzido à sua significância. Eu tenho uma explicação para isso, mas não é agradável: o futebol tende a assumir uma relevância social parecida com a dos outros desportos (o andebol ou o atletismo, por exemplo), nos paíes onde a racionalidade está mais presente no processo social e, inversamente, tende a ser mais relevante nos países onde a irracionalidade tem mais peso no funcionamento da sociedade. Por isso é que o futebol é o que é na Argentina ou no Brasil; e é o que é na Dinamarca ou na Noruega. Deste ponto de vista Portugal é, provavelmente, o mais sul-americano dos países europeus. Ou seja, o mais irracional!
E chegamos finalmente ao ponto essencial. Nesses países, onde grassa a irracionalidade social e reina o futebol, aquilo que se passa dentro das quatro linhas é apenas uma pequeníssima parte do fenómeno. Nesses países, o futebol tem muitas funções sociais (colectivas) e psicológicas (individuais) que estão para além do futebol. Num país perfeito, o futebol teria a mesma relevância que o andebol ou o xadrês. Claro que esse país não existe, mas… se existisse seria assim!
Num país imperfeito, o futebol serve para um tipo mandar umas piadolas rasteiras ao parceiro do lado que, por boa educação, não mandaria se o assunto não fosse futebol. Serve também para uns grupos de jovens se juntarem para atirar pedras a outros grupos de jovens em vez de estarem num laboratório a fazer uma experiência de química. Serve ainda para dois ou três trabalhadores das obras falarem à mesa de café e assim evitarem a evidência psicológica – que é dura… - de que na realidade não entendem nada do que se está a falar a propósito eleiçoes em quem vão votar no domingo seguinte!
Nem o tipo que diz a piadola, nem os bandos de jovens, nem o grupo de trabalhadores das obras realmente gostam de futebol. Aquilo de que eles gostam é do que o futebol lhes proporciona para lá do futebol. Se fossem colocados na bancada a ver um jogo de veteranos entre o Desportivo da Carris e o Grupo Cultural da EDP ou um jogo de infantis entre o Alverca e o UDAL, quantos ficariam até ao final? Nenhum, provavelmente. E no entanto… é futebol.
Todas as coisas más que rodeiam o futebol – a violência física e verbal, as falcatruas, a falta de ética, os conflitos entre dirigentes, o excesso de protagonismo dos seus actores, a aparente inimputabilidade de tudo e de todos, etc, etc etc (são muitas as coisas más…) – derivam do que, no futebol, está para lá do futebol. O jogo em si mesmo não tem culta disso.
Por isso é que o grande problema do futebol – na minha opinião – é que há muita gente a ver futebol que na realidade NÃO GOSTA de futebol e que, se tivesse que assistir a um jogo no qual não tivesse qualquer outro envolvimento – emocional, psicológico, social, etc – desistiria e iria fazer outra coisa. Sei lá, ver andebol ou jogar xadrês…
Mas, por outro lado, é também óbvio que é essa mesmo a grande riqueza do futebol: o facto de haver tanta gente – milhões! – a gravitar à sua volta. É por isso que o futebol é o que é e tem a relevância social – e económica! – que tem. É o “desporto-rei”; é o “maior espectáculo do mundo”; etc. Se não fosse assim o futebol teria, em média, tantos adeptos como o andebol ou o xadrês. Seria perfeito…
[declaração de interesses: eu ADORO futebol, vou todos os domingos ao estádio e também mando a minha piadola de vez em quando. Mas não mando pedras... Bom, pelo menos nunca mandei... Ou seja, sou parte do problema]
O quatro poder é…
Este spot de promoção da SIC Noticias é de uma beleza e profundidade inesperadas. Ao que parece (não confirmado…) as palavras – fortes! - são de Reinaldo Serrano, as imagens são da estação e a música é de Michael Nyman. No conjunto, são um grande elogio do jornalismo, das suas forças e fraquezas e revelam uma grande paixão pela profissão. A todos os envolvidos, e em particular ao Reinaldo Serrano, os meus parabéns!
“O quarto poder é um quarto. Com vista sobre a cidade que já não o é; sobre as ruas que já o foram; sobre as casas que deixaram de o ser.
O quarto poder é um pai; e um filho tornado órfão por uma bala certeira; errada no alvo, errada na hora, errada no tempo que faz do lugar a morada última de um quotidiano que se extingue.
O quarto poder é um fogo; ingrato nos modos, ousado na fuga, intenso na cor, injusto nas vítimas.
O quarto poder é um mar; um oceano de raiva, um elemento à deriva, uma ausência de razão, um lamento inconsolável, um ímpeto de sobrevivência.
O quarto poder é um sopro; de espada em forma de pena, de penas em forma de espadas, de imperfeitos pretéritos, de distorcidos desejos, de ódios e iras e túmulos, e vidas e mortes e destinos, e estilhaços e condições desumanas.
O quarto poder é um berço; a inocência do dia primeiro, segundo a segundo; o choro e o riso, o siso e o norte, o sol e o sul, o leste e o oeste, os cardeais preciosos que guiam, precisos, o começo da nova vida.
O quarto poder é um voto; um desejo dobrado em quatro, a esperança feita num oito. Promessas, palavras vãs, ínvios caminhos, passos perdidos, leis e normas e regras e o melhor dos países e os oásis e os pântanos, e a pose a pensar na posse, no quero, no tudo, no mando.
O quarto poder é um piano; as teclas o prolongamento do tacto; a pauta a serenidade literária, a mão, silhueta temerária, e a mente, suavemente brilhante, tem na partitura o efeito, e na causa cheia o aplauso.
O quarto poder é um golo; um passe em profundidade; um drible, um truque, um remate, uma falta como se pecado fosse, um alento, um país, uma forma de vitória, a outra forma da derrota.
O quarto poder é uma luta; um jeito de desespero; a tábua do náufrago, os argumentos do facto, o mais dos que têm menos, o menos quando são demais.
O quarto poder é um acto; as horas que dele decorrem, as vidas que nele se perdem, as incertezas do dia e a inevitabilidade da noite.
O quarto poder é um arbítrio; um acaso disfarçado, um fogo-fátuo do nada, de tudo a fatalidade, de todos a provação, de muitos a privação, de quem a responsabilidade?
O quarto poder é pergunta; e resposta e mais pergunta, e tese e antítese e síntese; e os dias que hão-de vir, a nobreza do dever, a missão de não esconder, de mostrar, de saber, de fazer saber, de saber fazer, olhar e explicar.
O quarto poder é um quarto. Um quarto revisitado, um pai que é baleado, um fogo inacabado, um mar assim tresloucado, um sopro sentenciado, um berço de novo ocupado, um voto mais uma vez escrutinado, um piano a ser tocado, um golo que é celebrado, uma luta que dá brado, um acto premeditado, um arbítrio incontrolado, uma pergunta no estrado.
O quarto poder é um nome: SIC. O orgulho de poder dizer.”
O ovo ou a galinha?

Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?
A pergunta é mil vezes repetida como se não tivesse resposta. Mas, na realidade tem uma resposta muito simples. É tão óbvio que, antes que saiba qual a resposta que a Scientific Amercian dá à questão na sua edição de Setembro, divulgo a minha visão do “problema”.
Quem nasceu primeiro foi obviamente o ovo. E porquê? Porque o método de reprodução é anterior ao animal reproduzido. É claro! Aliás, é tão claro que custa a perceber porque é que a pergunta acima continua a ser usada como se fosse um paradoxo.
Em abstracto, já existiam animais que nasciam por meio daquilo que nós sem dúvida consideraríamos um “ovo”, antes de existir qualquer animal que nós considerássemos uma “galinha”. Isso quer dizer que, na história da evolução, terá havido muito ovos que deram origem a muitos seres antes que surgisse a galinha. O que quer dizer que necessariamente o ovo existiu antes da galinha.
O paradoxo só existe em concreto. É verdade que para existir “uma” galinha terá que ter existido “um” ovo do qual ela tenha nascido. Mas, se “essa” galinha teria que nascer “desse” ovo, então teria que haver “uma” galinha anterior para pôr o ovo.
Ou seja, o paradoxo na realidade é uma falácia porque só pode existir no concreto. A partir do momento que lhe aplicamos o pensamento abstracto ele deixa de fazer sentido e a resposta é tão óbvia como 2+2 serem 4: quem nasceu primeiro foi o ovo!
O dia de relexão tem destas coisas: damos por nós a pensar em futilidades interessantes…
Uma campanha histórica
Do ponto de vista político, não sabemos como estará o país depois de dia 27. Mas já podemos dizer hoje que, em termos democráticos, estará pior do que estava. Esta campanha eleitoral foi das piores dos últimos anos e pelas piores razões. Basta enumerar três factos – e passar ao lado de todos os outros… – para se perceber porquê.
1. Ainda antes da campanha propriamente dita (mas com consequências pelo menos implícitas nela) o Primeiro Ministro de Portugal foi acusado de corrupção. O processo Freeport deu muitas voltas, há-de dar ainda algumas, mas o que verdadeiramente está em causa é isso: a suspeita de corrupção da mais importante figura do poder executivo. Há quem acredite que sim, há quem acredite que não; mas uma coisa é certa: por muito menos já caíram governos e se perderam eleições. Independentemente das consequências futuras que tenha ou da influência que jogue nesta eleição, o “caso Freeport” pôs em causa um dos pilares do Estado de Direito democrático no sentido em que afectou – quão seriamente não o sabemos – a segunda mais importante figura do Estado. No limite, não saberemos se estamos ou não a eleger um corrupto para o governo deste país.
2. Logo no início da campanha eleitoral, a líder da oposição – e candidata a Primeiro Ministro – acusou o Governo e o partido que o sustenta de criarem um clima de asfixia democrática no país; ou seja, de usarem os instrumentos públicos ao seu dispor para impedirem as pessoas de exercerem livremente os seus direitos cívicos. Podemos concordar ou não com essa acusação (eu acho-a risível…), mas não devemos ignorar a gravidade da mesma nem o facto de que alguma influência ela terá tido no resultado final da eleição. No limite, podemos estar a eleger para nos governar nos próximos 4 anos um partido que não respeita a democracia; ou, em alternativa, um outro, que o acusa levianamente disso mesmo. E nenhuma das coisas é boa.
3. Por fim, a cinco dias da eleições, o Presidente da República, por acção política e omissão de discurso, confirmou não negando, que foi autor (material ou moral) da passagem de informações falsas para a comunicação social de forma a denegrir o Governo e acusá-lo de “espiar” outro órgão de soberania. Ou – visto de outro modo – o mais importante magistrado da Nação recorreu aos media (porque não confia (!!!) nas forças de segurança nem nos serviços de informação nem no Ministério Público) como única forma de denunciar a suspeita de que está a ser “espiado” pelo Governo. Há quem acredite na primeira versão e há quem acredita na segunda. Mas qualquer delas “obriga” à demissão do órgão de sobrania oposto. Se se provar/provasse que o PR tinha agido de uma forma tão baixa em termos políticos, o “impechment” seria a única saída possível. Se, pelo contrário, se provar/provasse que o Governo tinha espiado o Presidente, então a respetiva demissão seria inevitável. No limite, uma das duas coisas terá que acontecer para que o sistema continue a funcionar, sob pena de se instalar uma paz podre entre os dois órgãos de soberania que mais poder têm em Portugal.
Já nem falo da governação ao serviço dos espanhóis, da suspensão da democracia por seis meses ou do regresso do salazarismo por novas formas. Todas as campanhas eleitorais têm os seus exageros no debate político. Mas os 3 pontos enunciados acima são muito mais do que isso. São acusações e suspeitas gravíssimos. São factos que, a confirmarem-se, afectam os fundamentos do regime e deterioram as condições de funcionamento nas nossas instituições democráticas.
Por isso – voltando ao princípio – não sabemos o que vai sair da noite eleitral de 27 de Setembro (Vai haver maioria? Quem vai formar Governo? Coligado com quem?). Mas de uma coisa podemos ter a certeza: a nossa democracia vais acordar mais frágil no dia 28 de Setembro.
O futuro dos jornalistas
Este artigo da Technology Review do MIT sobre o futuro dos jornais e revistas é muito interessante e tem algumas ideias inovadoras. Merece uma leitura atenta.
Mas, ainda melhor é reacção virulenta (e desproporcionada, na realidade…) do leitor Duane Pierce. Merece ser transcrita porque, como se diz em português, “parte a loiça toda”:
“You and your ilk are like the monks of Gutenberg’s time. You have been sole owners of the knowledge and tools for so long, you feel it is a natural state and are blind to the fact that you are not God’s special flowers. Your way is not the only way and it is no longer the right way. What’s more, you might not even have a place in the new way.
It turns out that what you do isn’t that special at all. You’re being replaced by economies of scale and “amateurs.” Amateurs who can do your job better and cheaper. Because we care. Because we have the time, and because there are just so damned many of us.
Finally, lest I leave you with any scrap of comfort, let me point you to 1890 and Oliver Wendell Holmes, Sr. Here is a poem entitled “Cacoethes Scribendi” and it is the reason that despite your foolish fancies and desperate tactics, you and yours are very much in trouble.
If all the trees in all the woods were men;
And each and every blade of grass a pen;
If every leaf on every shrub and tree
Turned to a sheet of foolscap; every sea
Were changed to ink, and all earth’s living tribes
Had nothing else to do but act as scribes,
And for ten thousand ages, day and night,
The human race should write, and write, and write,
Till all the pens and paper were used up,
And the huge inkstand was an empty cup,
Still would the scribblers clustered round its brink
Call for more pens, more paper, and more ink.”
Jeff Jarvis – “What Would Google Do?”
Não sabia que Jeff Jarvis tinha editado um livro. Vou já a correr comprá-lo!
Tomar a Google como benchmark parece-me uma boa estratégia para compreeender o presente e antecipar o futuro.
De RSS a PDF
Interessante este novo serviço da HP que permite gerar um PDF de notícias a partir dos RSS favoritos. Basta visitar o site da HP, inscrever os feeds que queremos seguir, o endereço onde queremos receber o respectivo PDF e a periodicidade de entrega.
Para quem ainda não consegue viver sem papel nesta fase de transição…
(via Atriun)
O futuro em… 1868
Uma verdadeira pérola divulgada pelo Blasfémias:
«Considerando no que é hoje, observando as suas tendências, pode conjecturar-se, aproximadamente, o que virá a ser. Um curioso aprofundou esta questão e lisonjeia-se de ter descoberto, com plausibilidade, as condições em que há-de achar-se o jornalismo no ano 2000.
Há fome e sede de notícias: todos querem saber tudo – o que pode e deve saber-se e o que não pode nem deve saber-se -, a máquina reproduz em minutos o pensamento, para ser transmitido a todos os pontos da terra, e já não é só a máquina para estampar o jornal, é também a máquina para compor; inventou-se o tipógrafo-máquina e deve esperar-se, portanto, que venha a idear-se o redactor-máquina.
O jornal é hoje diário e o mais é que chega a reproduzir a mesma folha em duas ou três edições, com alguns aditamentos ou notícias. Isto será atraso e fossilismo no ano 2000. Daqui a 50 anos, os jornais publicarão uma folha, inteiramente nova, de hora a hora, e, daqui a 100 anos, de minuto a minuto, de instante a instante. Será um moto-contínuo e ainda não satisfará a curiosidade pública. Cada cidadão fará um jornal: o artigo de fundo constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima.
Como o jornalismo assume tais proporções, talvez se pense que faltará papel, porque é necessário advertir que de cada jornal se tirarão, de minuto a minuto, milhares de folhas; mas a isto há-de ocorrer-se com facilidade, porque, assim como o jornal é instantâneo, instantânea há-de ser a leitura; e o papel vai, minutos depois de lido, para a fábrica, a fim de se reproduzir [...] apenas o superfino será reservado para os brindes aos assinantes, os quais, ao cabo da sua assinatura, já possuirão uma biblioteca de 525 000 volumes, pois tantos são os minutos que tem o ano; já se vê que a cada folha acompanhará um brinde.
O telégrafo eléctrico generalizar-se-á, cada cidadão terá o seu telégrafo em correspondência mútua, de maneira que em um minuto se saberá o que se passa nos pontos mais afastados e, em Lisboa, se poderá saber, de instante a instante, até à vida caseira do mais boçal esquimó; com o que os povos hão-de folgar, deleitar-se e instruir-se.
O jornal caseiro será alheio à política; para esta haverá jornais especialíssimos e os seus redactores nem serão amigos, nem distintos, quando não forem da mesma parcialidade;quando, porém, comungarem na mesma pia (também em 2000 se darão destas), então serão inteligências robustas, caracteres provados… no que forem.
Mas como é de crer que no ano 2000 já exista a paz universal e a união entre todos os homens, acabará a política, os governos governarão sempre conforme… à nossa vontade, portanto, serão inúteis os jornais políticos; não haverá, pois, nem turibulários, nem oposicionistas; todos serão amigos e distintíssimos cavalheiros, unidos no pensamento comum de amarem a sua pátria. Assim seja.»in Jornal do Comércio, de 25-02-1868
180 mil euros? Não é mau… Podia ser pior!
Na mesma edição da Autêntica, cujo tema é o Dinheiro, vale também a pena ler o artigo de Jorge Fiel.
O título é “179.629,02″
O lead é “Arredondando, estamos a falar de 18o mil euros. É esse o dinheiro que a Sojornal, a sociedade proprietária do Expresso, vai pagar para se ver livre de mim. Ou, dito pelas palavras do advogado que redigiu o documento intitulado Cessação de Contrato de Trabalho por Mútuo Acordo, os 179.692,02 euros são a ‘compensação pecuniária de natureza global’ que ‘a Empregadora’ me paga ‘em contrapartida da cessação do contrato’”.
Alguns excertos:
“‘180 mil euros? Não é mau…Podia ser pior!’ É a frase que ouço de volta sempre que me perguntam quanto é que vou receber em troca de conceder ao Expresso o divórcio, amigável e por mútuo consentimento, de um casamento que durava há 17 anos”
“Por este artigo, a Autêntica prometeu pagar-me 600 euros. Não é mau. Podia ser pior. 636,50 euros foi o salário médio mensal recebido em 2006 pelos nortenhos que trabalham por conta de outrém. Eu escrevi este artigo em cinco horas”
“Eu estou habituado a ganhar por mês aproximadamente o que o Cristiano Ronaldo ganha em quatro horas e meia. Não é mau. Podia ser pior.”
“É quase metade dos mil euros que Pimpinha Jardim pede de cachet para abrilhantar uma festa. A filha de Cinha (que a idade não perdoa, cobra apenas 500 euros para comparecer num evento) ganha esse dinheiro numa noite.”
“Soraia Chaves cobra 3500 euros por aparição num evento, sete vezes o cachet de Cinha e umas seis vezes mais do que vou receber por este artigo”
“23 mil euros era o salário mensal auferido por Paulo Macedo, director geral de impostos.”
“5780 euros é o ordenado máximo mensal fixado por lei para a administração pública, tendo como referência o vencimento do primeiro ministro.”
“200.000 euros é a remuneração anual de Luis Nazaré, presidente do Conselho de Administração dos CTT.”
“200.000 euros é o valor anual da pensão de reforma que José Salter Cid, 53 anos, número dois da lista PSD candidata à Câmara de Lisboa, recebe na qualidade de aposentado da PT.”
“180 mil euros é o valor aproximado da indemnização que vou receber do Expresso.”
É o que se chama “pôr a boca no trombone”. Já vai sendo tempo de os portugueses porem de parte esse estranho pudor de falar do dinheiro que pagam ou recebem por o que quer que seja que façam. Tudo seria mais claro e transparente sem ele. Eu, como jornalista de topo na minha empresa e director de revista ganho 2000 euros por mês. Às vezes acho que é muito, mas na maior parte das vezes acho que é pouco…
Autêntica
A revista Autêntica é publicada trimestralmente pela Unicer e distribuída gratuitamente pela base de dados da empresa. O design e concepção é da Terradesign e já tem sido premiado em anteriores ocasiões. Eu recordo, por exemplo, a edição dedicada à transparência como umadas mais surpreendentes.
Na sua edição nº8, que acabei de receber, a Autêntica tem por tema o dinheiro e brinda-nos com esta estranha capa: um profundo negro brilhante com um euro no meio. Podia ser um euro de plástico, de cartão ou até de papel. Mas não. É um euro a sério. Uma moeda de um euro colada na capa. A explicação está logo na página seguinte e diz qualquer coisa como isto: “A moeda de euro que vê nesta capa parece simbólica mas é uma parte dos 10.000 euros que a Unicer destinou para apoiar a Associação Acreditar -que apoia as famílias das crianças com cancro. Retire-a da revista e ofereça-a a esta associação. E, se puder, dê mais. É apenas um gesto, mas o nosso desejo é que valha muitos sorrisos.“
No editorial, Joana Queiroz Ribeiro, a directora, reforça a ideia: “Com a ajuda de todos será muito mais fácil multiplicar por 2, 3, 4, quem sabe até por 5, os 10.000 euros que a Unicer destinou para ajudar as crianças apoiadas pela associação Acrditar.”
O modus operandi está um pouco mais à frente, na página 57, com um envelope RSS endereçado à Acreditar.
É impossível não reparar no carácter brilhantemente engenhoso desta concepção. A primeira sensação é de envolvimento. É-me impossível tirar aquela moeda e metê-la no bolso. Seria imoral. Também não consigo deixá-la colada à revista, porque além de igualmente imoral seria profundamente estúpido. Resta-me portanto pegar nela e metê-la no envelope. Mas serei capaz de o fazer sem juntar mais uma moeda ou trocá-las por uma nota? Não será igualmente imoral que eu use o euro da Unicer para ajudar quem precisa e não junte um euro dos meus?
Obviamente merece os parabéns quem ”inventou” esta campanha e a Unicer por ter tido a coragem de a abraçar. Não sei quantos envios são feitos desta revista (10.000?), mas não deve ser fácil fazer aprovar isto junto de uma administração. Quem fica a ganhar, obviamente, é a Acreditar e não me custa a crer que os 10.000 euros se transformem em bastante mais.
Como sou sortudo e recebi dois exemplares vou guardar um para recordação - com euro na capa – e enviar o outro com uma nota de cinco. Acho que assim fica bem!
Vai uma voltinha?
TED Conference em África
A primeira TED Conference em África terá lugar em Junho de 2007 na Tanzânia, com o lema “Africa: the next chapter”.
(fonte: Lunch over IP)
Make your own Pollock
Faça o seu próprio “Pollock” aqui. Basta mover o rato e clicar para mudar de cor.
(uma dica 3quaksdaily)
ISCSP – 100 anos de vida.

O Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas comemora 100 anos de vida.
Parabéns ao ISCSP e a todos os antigos alunos e docentes.
Venezuela Portuguesa da Silva

Venezuela Portuguesa da Silva, uma advogada… venezuelana, de origem… portuguesa, que se candidata à presidência do país contra Hugo Chávez.
Levando os trocadilhos às últimas consequências, como o locutor do noticiário das 8.30h da TSF:
“Venezuela Portuguesa da Silva: uma mulher… ‘do caracas’”
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